França
Como será a prisão de Sarkozy? Isolado e com o Conde de Monte Cristo para ler (em 11 metros quadrados)
21 out, 2025 - 06:00 • Ana Kotowicz
Além do romance de Dumas, leva 10 fotografias da família. Sarkozy terá uma televisão e uma placa elétrica para cozinhar na cela privada em La Santé. Recebe visitas duas vezes por semana e tem direito a uma hora de sol.
Se tudo correr como Louis Sarkozy deseja, quando o seu pai Nicolas sair às 8h30 desta terça-feira da Villa Montmorency — o último reduto dos milionários em Paris — uma multidão estará à espera do antigo presidente francês na esquina entre a Rue Pierre Guérin com a Rue de la Source. Isto, claro, se o apelo nas redes sociais tiver adesão.
Haverá aplausos e manifestações de solidariedade, à medida que o carro de Nicolas Sarkozy abandona o exclusivo 16º arrondissement, e o seu condomínio privado, para se dirigir ao bairro de Montparnasse, no 14º arrondissement da capital.
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Também ali ficará num espaço privado, mas ao contrário da mansão onde cumpriu prisão domiciliária, sempre na companhia da mulher, Carla Bruni, e da filha Giulia, terá apenas 11 metros quadrados a que poderá chamar seus.
Sarkozy, que mantém ser inocente, recusou pedir quaisquer privilégios para o tempo que irá passar na cadeia — e cuja pena de 5 anos começa a contar esta terça-feira, 21 de outubro. Assim, o antigo Presidente poderia ter pedido uma cela isolada, mas recusou-se a fazê-lo. "Cabe-lhes a eles assumir essa responsabilidade", respondeu Sarkozy, através dos seus advogados, depois de a administração da prisão de La Santé ter-lhe pedido que entregasse essa exigência, por escrito.
Nicolas Sarkozy foi condenado a cinco anos de prisão efetiva pelo crime de associação criminosa, com vista à prática de um crime, devido ao alegado financiamento líbio da sua campanha presidencial de 2007.
Diretor da cadeia estará à espera de Sarkozy
Os portões da prisão de La Santé não deixarão passar os paparazzi, mas o carro que transporta Sarkozy entrará diretamente para o recinto da cadeia. Ali, será recebido pelo diretor do estabelecimento prisional que, por questões de segurança, encaminhará o novo detido para uma cela individual.
Além disso, deverá ficar em confinamento. Os novos vizinhos de Sarkozy já não serão a cantora Celine Dion, a atriz Isabelle Adjani ou os herdeiros da família Vuitton. Nas celas próximas da sua estão encarcerados traficantes de droga e terroristas (por lá passaram o terrorista Carlos, o Chacal, e o ditador Manuel Noriega) — por isso, o risco de um ataque ao político francês é elevado e mantê-lo longe do resto da população prisional é a única garantia de segurança.
Para lá chegar, à ala de alta segurança onde se encontra a sua cela, terá de ser escoltado por guardas prisionais. Estes, aliás, deverão andar sempre consigo, mesmo quando quiser visitar a biblioteca ou usar o tempo diário de pátio.
Antes de ficar só, segundo a imprensa francesa, passará por todos os procedimentos normais, incluindo a revista, já que recusou pedir qualquer tipo de privilégios.
"Não tenho medo da prisão. Manterei a cabeça erguida, mesmo diante dos portões de La Santé", assegurou Nicolas Sarkozy ao jornal La Tribune Dimanche.
Dentro da bagagem leva 11 fotografias da família
Na lista de objetos que os detidos podem levar para La Santé há três livros de capa mole — capas duras são proibidas.
Ao Le Figaro, Sarkozy revelou a sua escolha: leva os dois volumes que contam a história de Edmond Dantès, um marinheiro detido sob falsa acusação e que escapa da prisão ao fim de 14 anos. Além de "O Conde de Monte Cristo", de Alexandre Dumas, escolheu "Jesus, a biografia", de Jean-Christian Petitfils.
Também levará 10 fotos de família, o número máximo permitido na penitenciária. Há ainda espaço para a roupa e para alguns pertences pessoais: são permitidos tapetes de oração, jabelas (vestes largas e longas unissexo), vassouras, uma faca de ponta redonda e um garfo.
Como faz frio dentro das celas, os detidos podem ter um cachecol (com não mais do que um metro, por causa do risco de enforcamento) e o antigo presidente francês também vai levar tampões para os ouvidos. Foi avisado que durante a noite se ouvem gritos e todo o tipo de barulhos.
Uma chapa, um chuveiro e uma hora de sol
Na pequena cela, com uma janela com grades, Sarkozy terá alguns confortos: uma televisão, uma chapa elétrica onde pode cozinhar (pode comprar comida por catálogo) e um chuveiro. Os telemóveis são proibidos, mas terá um telefone encriptado, com um número limitado de números para os quais pode ligar, mas que pode usar sempre que queira para falar com a família e os advogados.
Também pode sair da cela durante uma hora por dia, sempre escoltado por três guardas, e passar esses 60 minutos num pátio interno onde a abertura para o céu está protegida por uma cerca.
Sarkozy terá ainda direito a duas visitas por semana, onde se incluem as dos filhos e da mulher, Carla Bruni.
Esta terça-feira, os advogados de Sarkozy irão apresentar um pedido de liberdade condicional, à qual o juiz de recurso terá de responder no prazo máximo de dois meses.
Enquanto espera para saber o resultado, o antigo presidente francês já sabe o que vai fazer para passar o tempo: escrever um livro. Nem de propósito, disse ao Le Figaro: “A minha vida é um romance. E esta provação faz agora parte dele.”
E concluiu com um sorriso: “O fim da história ainda não está escrito.”












