10 nov, 2025 - 15:31 • Redação com Lusa
Chamamos-lhe COP30, mas o nome completo é 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. O encontro decorre entre 10 e 21 de novembro em Belém, Brasil, 33 anos depois da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro — evento que colocou o clima na agenda internacional.
Já apelidada de "COP da implementação", esta edição tem um objetivo principal: voltar a definir o quadro global de mitigação das alterações climáticas. Para isso, haverá novos planos por cada país para ser possível baixar as emissões de gases com efeito de estufa.
A COP30 vai também dar ênfase à adaptação às alterações climáticas e ao financiamento da luta climática. A ideia é a de que haja apoio financeiro dos países mais ricos (e mais poluidores) aos países mais pobres, e uma transição justa de um sistema energético baseado em combustíveis fósseis e muito poluentes para um sistema de energias renováveis.
Além disso, espera-se a criação de um mecanismo global de financiamento da proteção das florestas tropicais, para evitar a desflorestação.
E para que fique claro tudo o que é discutido na CP30, aqui fica um glossário de termos e conceitos que vão dominar discursos e debates no Brasil.
Tratado internacional adotado em 2015 na COP21 pela quase totalidade dos países para reduzir emissões de GEE para a atmosfera e impedir que as temperaturas mundiais subam além de dois graus celsius (2ºC) acima dos valores da época pré-industrial, e de preferência que não aumentem além de 1,5ºC.
Mudanças nos ciclos climáticos naturais da Terra atribuídas aos efeitos da atividade humana, especialmente às grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) lançadas para a atmosfera pelo uso intensivo de combustíveis fósseis. As alterações climáticas manifestam-se em fenómenos como o degelo das calotes polares, a desertificação, a extinção de espécies, a destruição de ecossistemas, os incêndios florestais, a subida do nível do mar, as secas e as inundações extremas.
Aumento da temperatura da superfície do planeta devido à atividade humana nos últimos cerca de 100 anos, especialmente pelo uso de combustíveis fósseis. A década passada foi a mais quente alguma vez observada e, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), desde 1980 que cada década é mais quente do que a anterior.
O ano de 2024 foi o mais quente já registado. A ONU admite que as temperaturas possam subir três graus até 2100.
Cobertura de ozono na atmosfera que protege o planeta contra as radiações ultravioletas do Sol. Sem a proteção da camada de Ozono não haveria vida na Terra. Gases produzidos pela atividade humana, como os que até há algum tempo eram normalmente utilizados em sistemas de refrigeração, destroem a camada do ozono.
Combustíveis com grande quantidade de carbono, como o petróleo, o gás natural ou o carvão.
NDC, na sigla original. A contribuição que cada país se propõe fazer para baixar as emissões de GEE e manter o aumento da temperatura abaixo dos 2ºC. Decorrem do Acordo de Paris.
(ou sustentabilidade) O desenvolvimento que satisfaz as necessidades atuais sem comprometer a possibilidade de futuras gerações também o fazerem. Caracteriza-se pela preservação da natureza e do meio ambiente.
Quando se remove da atmosfera a mesma quantidade de GEE que a emitida pelas atividades humanas. Consegue-se reduzindo ou eliminando os principais fatores de emissão de gases e investindo em florestas, que consomem carbono para crescer.
Época anterior à revolução industrial, que começou em Inglaterra. Consensualmente aponta-se para a época anterior à segunda metade do século XVIII (1750).
Situações anormais e cada vez mais frequentes devido à influência humana no clima, como temperaturas recorde (ondas de frio e de calor), chuvas de uma intensidade nunca antes medida, secas severas e persistentes, ventos excecionalmente violentos e furacões de grande intensidade, ou inundações no litoral. O IPCC e a ONU avisam que os fenómenos climáticos extremos aumentarão de frequência e de intensidade.
Gases que absorvem as radiações infravermelhas emitidas pelo planeta e impedem que elas se dissipem para o espaço, aquecendo a Terra ao provocar um efeito de estufa. A produção desses gases é também natural, mas foi exponencialmente aumentada pela atividade humana, sendo a queima de combustíveis fósseis a mais perigosa. O principal gás é o CO2. O metano, cuja concentração tem aumentado na atmosfera na última década, aquece a Terra 80 vezes mais rapidamente do que o CO2.
Ou comércio internacional de emissões. Tem origem no Protocolo de Quioto. Estabelece metas para cada país de redução de emissão de GEE, mas que podem ser negociadas com outros países menos emissores, ou seja, os que têm créditos de carbono por cada tonelada que não produziram (e que podiam produzir).
Ações para diminuir as emissões de GEE. Limitar e mitigar as alterações climáticas exige a redução de emissões em 50% a nível global até 2050, comparando com 1990. Ao mesmo tempo os governos estão também a preparar-se para essas alterações, adaptando-se para reduzir as consequências.
Conjunto de 17 metas estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas para um mundo mais sustentável até 2030. É a chamada Agenda2030.
IPCC, na sigla original. Organização que junta centenas de cientistas de todo o mundo criada em 1988 sob os auspícios da ONU e que divulga informação científica sobre as alterações climáticas, para que os países possam tomar decisões políticas.
Medida que indica a emissão de CO2 causada por ações de pessoas, empresas, organizações ou Estados. O Acordo de Paris pretende limitar a pegada carbónica dos países.
Conceito que designa os prejuízos gerados pelos impactos das alterações climáticas. Foi introduzido pela Aliança dos Pequenos Estados Insulares nas negociações climáticas internacionais em Genebra, em 1991. A noção de perdas e danos a serem compensados permaneceu largamente ignorada até ser retomada em 2013 na COP19 em Varsóvia, onde foi criado o Mecanismo Internacional de Varsóvia para Perdas e Danos, que até agora teve poucos resultados práticos.
O primeiro tratado jurídico internacional para limitar as emissões de gases com efeito de estufa. Aprovado em Quioto, no Japão, em 1997, e que entrou em vigor em 2005.
Absorção natural do carbono da atmosfera, através por exemplo das árvores, e de todas as plantas, pela fotossíntese. Os oceanos também são um sumidouro de carbono e as algas absorvem ainda mais do que as plantas em terra.