06 dez, 2025 - 00:38 • José Pedro Frazão
Donald Trump assinou uma nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, um documento que antecipa que alguns países da NATO deixarão de ter identidade europeia.
Com o foco nos continentes americanos, a Europa é fortemente desvalorizada. Em entrevista à Renascença, Manuel Poejo Torres explica que é preciso conferir os atos que encaixam nestas palavras e adverte que, depois da Venezuela, Washington vai procurar mudar o regime em Cuba.
Como interpreta o que se assume na Estratégia de Segurança Americana com o "Corolário de Trump" à chamada Doutrina Monroe?
Esta Estratégia de Defesa Nacional não vai contrariar a tradição de defesa e de estratégia e de pensamento político dos Estados Unidos da América. Não existe um passo atrás, mas um foco profundo nos interesses nacionais dos Estados Unidos.
O grande patrono dos últimos 70 anos de paz foram não apenas os Estados Unidos da América, mas os Estados Unidos e a Europa. A grande ameaça convencional simétrica, desde o princípio do século XX, não saía do extremo leste, de África ou da América Latina, mas do centro do coração da Europa. Primeiro com a Prússia, depois com a Alemanha Nazi e depois com a emergência nuclear de um potentado soviético comunista na Rússia.A Aliança Atlântica teve como objetivo promover a paz, através de uma dissuasão nuclear, e pela capacidade de garantir a defesa da integridade de todos os Estados participantes desta aliança defensiva chamada NATO.
A partir de agora, de acordo com este documento, da forma como foi escrito e desenvolvido, temos a ideia, já consubstanciada nestas palavras, daquilo que Trump teria prometido no seu primeiro mandato: primeiro o ‘America First’ (América Primeiro) e depois todos os outros.É a ideia de que a América só faria negócios com aqueles que ajudariam a patrocinar e a promover o interesse e agenda americana e que não ia fazer concessões.
Os 70 anos de paz - do qual muito retirámos para a reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial - promoveram a multiplicação das sociedades abertas, do liberalismo e das democracias no mundo. Isso deu-se por via de um grande momento de paz, mas especialmente porque existiu um líder do outro lado atlântico, fiel, leal, comprometido com a paz no mundo e com a defesa dos regimes democráticos.
O que encontramos agora são os Estados Unidos deslocados do seu papel de protetor das democracias, focado no interesse nacional. Hoje pode ser com os aliados europeus, mas amanhã, se as estratégias, interesses, agendas e políticas se modificarem, pode não ser. E tem de existir uma réplica por parte dos europeus. França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Polónia, ou seja, os Estados com o maior poder económico e militar e capacidade de influência, têm que estar preocupados com este reposicionamento estratégico dos Estados Unidos.
São uns Estados Unidos mais isolados, menos preocupados com os destinos dos povos no leste da Europa e com o respeito pelo direito humanitário que os Estados Unidos ajudaram a fundar. É infelizmente uma viragem ao isolacionismo, do qual os Estados Unidos já se tinham libertado há várias décadas.
Infelizmente não é um sinal positivo de reconciliação atlântica e é um sinal que vai ajudar a promover interesses imperialistas, especialmente junto da Rússia e da China, que neste momento têm ideais expansionistas do seu território. Uns Estados Unidos, deslocados do sistema internacional e do seu ambiente natural do concerto das democracias, vão oferecer maior fragilidade ao sistema internacional e favorecer aqueles que o tentam minar e destruir e que usam a guerra como instrumento da política para atingir os seus objetivos. Infelizmente, este é um momento de grande transformação internacional, que terá efeitos na liderança dos Estados Unidos na NATO.
De que forma pode ocorrer essa transformação?
Antes deste documento sair, já se falava ‘entre portas’ e até de forma pública sobre o futuro líder das forças aliadas. A NATO tem vários comandos e é na Bélgica que existe o Comando Supremo dos Poderes Aliados, um quartel-general de quatro estrelas, que comanda todas as forças da NATO, em caso de ativação de artigo 5º ou missão NATO. O SHAPE , nome deste quartel-general - sempre teve um general americano de quatro estrelas como comandante supremo. O primeiro grande general do SHAPE foi o presidente Eisenhower, que solidificou e cimentou a posição dos Estados Unidos como o verdadeiro líder das forças aliadas.
Fala-se, ‘à porta fechada’, da substituição de um americano - uma presença absolutamente histórica que integra o espírito da Aliança Atlântica - para um potencial europeu. E pensa-se, neste momento, que os Estados Unidos esperam que a Alemanha tenha a coragem política de avançar com o seu comandante para as forças da NATO. A acontecer isto, não será exatamente uma ruptura, mas equivale a um momento de transformação, com impactos estratégicos e efeitos políticos sem precedentes.
É por esta comunhão de Estados de um lado do Atlântico com o outro lado, que existe um general de quatro estrelas americano à frente do principal comando na Europa, e um general de quatro estrelas francês no principal comando da NATO em Norfolk, em Virgínia, nos Estados Unidos da América. A substituição de um general americano por um general alemão vai criar fraturas na natureza desta mudança. Pode criar cisões se os Estados Unidos decidirem, sem conversações adicionais, que será um alemão e não um francês, ou que será um francês e não um britânico.
Tudo isto oferece um grande momento de fragilidade à Europa e aos países aliados, que favorece muito a posição imperialista da Rússia e dos adversários das democracias liberais. É um momento que deve preocupar os governantes e que requer muita prudência nas palavras, mas também no pensamento.
A Estratégia de Segurança Americana sustenta que a política geral para a Europa para por “restabelecer as condições de estabilidade dentro da Europa e a estabilidade estratégica com a Rússia”. Será que os EUA querem ser uma espécie de mediadores da tensão entre a União Europeia e a Rússia?
Não vejo isto dessa maneira.
Uma coisa é a letra da lei, a outra coisa é o espírito da lei. São coisas diferentes. Este tipo de documentos e as diferentes conferências de imprensa que foram oferecidas aos media americanos têm um propósito muito transparente: garantir que existe uma demonstração de força internamente para o eleitorado americano, e que coloque a Europa no seu devido lugar. Não esqueçamos a transcrição da conversa do famoso caso ‘Signalgate’ e das informações sobre as mensagens trocadas entre Peter Hegseth e o vice-presidente Vance, em que ambos repudiavam a posição dos europeus. Acusavam a Europa de estar sempre à sombra e debaixo do protetorado nuclear americano durante os últimos 70 anos, onde, em vez de investirem no armamento e nas forças armadas, investiram na segurança social, na saúde, na educação.
Este tipo de pensamento anti-europeu, anti-atlântico, anti-aliado, diz respeito a uma linha dura MAGA dentro do Partido Republicano, que não corresponde às expectativas do eleitorado republicano. Da mesma forma, muitos republicanos moderados - que estão em maioria - não concordam com esta posição nem de Peter Hegseth, nem do vice-presidente Vance.
O que interessa aos Estados Unidos neste momento é garantir que tem paz, que tem um cessar-fogo para poder daí alavancar a negociação económica e financeira que já está pré-preparada com a equipa russa. Claro que o objetivo dos Estados Unidos é garantir que existe paz, para isso tem de envolver os europeus. O que está aqui subentendido é que, para os Estados Unidos, o grande entrave à paz é a posição dos europeus. Isso acaba por ser bom, porque é um reconhecimento que os europeus afinal têm influência e força e têm a capacidade de não aceitar aquilo que é uma paz injusta para a Ucrânia, mas também para a sua arquitetura de segurança e defesa.
O objetivo dos Estados Unidos da América e desta administração Trump é garantir que existe paz, a todo o custo, para conseguir daí alavancar dividendos económicos não apenas no acordo de minérios com a Ucrânia, mas no acordo que foi provavelmente já discutido entre Michael Witkoff, Jared Kushner e a equipa no Kremlin. Kushner é bem conhecido, desde a primeira administração Trump, por ser a pessoa responsável por negociar acordos económicos com os diferentes Estados. É recordado por vários embaixadores que trabalharam na Casa Branca como o indivíduo que tenta celebrar a todo o custo novos negócios.
De acordo com esta estratégia, os Estados Unidos querem ser mediadores entre a Ucrânia e a Rússia, mas querem também ser mediadores entre a posição de intransigência - e bem - dos europeus, com o agressor russo. Os Estados Unidos querem paz a todo custo, mas existem dois tipos de paz.
Existe uma paz positiva, justa, de desenvolvimento de instâncias e de criação da capacidade de não voltar a haver agressão. E existe a paz negativa, que é simplesmente a ausência de violência. Penso que não vamos ter nem paz positiva nem negativa. Vamos ter provavelmente uma ‘paz de Trump’, uma vitória de Pirro para Trump, que vai acabar com uma terceira invasão russa. A primeira foi em 2014, a segunda em 2022, e teremos provavelmente uma terceira invasão, assim que as condições forem ideais para a Rússia. A Rússia não parou na Crimeia, não parou no Donbass, e certamente que não vai parar agora em Pokrovsk.
Nos anos 40, quando a Europa teve uma guerra no seu continente, os Estados Unidos vieram em seu auxílio. Esta estratégia não confirma que se a União Europeia entrar em conflito com a Rússia, a Europa não poderá contar com os EUA para a sua defesa?
Exatamente. Nessa altura, os Estados Unidos também estavam isolados em relação aos destinos da Europa. A história costuma ensinar-nos lições, e estamos a assistir à derrocada das Nações Unidas nos seus diferentes órgãos de governação. Mas estamos a assistir também ao distanciamento dos Estados Unidos da América.
Tendo muitas dúvidas que de facto seja materializado desta maneira, este retorno tentativo à doutrina Monroe, ao isolacionismo político e estratégico dos Estados Unidos nos seus interesses, vai colocar em fraqueza o posicionamento dos aliados europeus e do Canadá.
Do ponto de vista da dissuasão nuclear, os europeus não podem competir com o potentado nuclear da Rússia. Por isso, muitas nações começam a pensar que se calhar vão ter que fazer mais investimentos na sua preparação nuclear, nos seus investimentos na programação militar e, provavelmente, na tentativa de aderirem ao programa de partilha de armamento nuclear dos Estados Unidos da América.
Os Estados Unidos da América podem remover-se desta equação, mas se não fizerem um divórcio com a NATO e continuarem a participar da NATO, em princípio, os seus programas de partilha de armamento convencional e nuclear, ainda estarão a funcionar. Nesse sentido, sabemos que a Polónia já pediu aos Estados Unidos que sejam colocado no seu território armamento nuclear que garanta uma dissuasão efetiva contra o hipotético avançar das forças russas.
O problema é mais complexo do que isso, tem a ver com a falta de preparação europeia, que nunca contou, pelo menos nos últimos 60 anos, com a falta do grande aliado da ‘casa da democracia’ americana. Isto é um duro golpe para todos os europeus que pensavam que podiam continuar a contar com o ‘seguro de defesa’ dos Estados Unidos que agora, de repente, evapora-se.
Mas este posicionamento dos Estados Unidos é o da dinastia de Donald Trump, que pode cessar no final do seu mandato, ou não. Pode ter novos herdeiros e indivíduos que vão continuar nesta senda, colocando em causa não apenas a existência da Aliança Atlântica, mas acima de tudo a posição pacifista dos Estados europeus, que neste momento correm atrás do prejuízo, na tentativa de se rearmarem, tendo uma indústria de base militar ainda por desenvolver.
Temos excelentes capacidades plataformas e armamento, mas não temos escala. Parece-me grave que os europeus tenham sido surpreendidos por esta posição, porque existem várias universidades e vários relatórios que já apontavam, no final do primeiro mandato de Donald Trump, que este cenário ‘horribilis’ poderia acontecer. E, efetivamente, ele começa agora a ganhar contornos sérios.
EUA
A administração Trump acusa a União Europeia de pr(...)
O que significa esta Estratégia americana para Portugal? Esta centralidade que Trump dá às Américas vai desvalorizar ou não o posicionamento histórico estratégico por exemplo dos Açores?
O afastamento dos Estados Unidos daquilo que é o ‘negócio principal’ da NATO e dos europeus acaba sempre por desvalorizar todos os envolvidos, Portugal incluído.
No entanto, no interior da organização, não se fala em qualquer tipo de afastamento. Aquilo que neste momento estamos a discutir são debates que saem da Casa Branca e que não são proporcionais aos trabalhos executados pelas equipas. Existe sempre um atraso entre aquilo que é comunicado ao povo americano e ao mundo e aquilo que é executado depois no terreno. Parece-me que, se isso acontecer, vai pôr em risco os interesses no controlo dos mares para o Reino Unido, na projeção de forças no Atlântico e que vai obrigar os Estados oceânicos a investirem mais nas capacidades de patrulha e de defesa do Atlântico.
Portugal vai necessariamente ter que recorrer aos seus aliados mediterrâneos e aos que têm as capacidades oceânicas. Da mesma forma, Portugal também terá em 2030 novas fragatas, que potencialmente serão as italianas. Portugal é um triângulo geográfico, comprometido entre Portugal continental e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. É necessário não esquecer os portugueses que vivem nos Açores e na Madeira e que estão extraordinariamente vulneráveis a operações no oceano e a cercos que os podem isolar.
Portugal e as outras nações sempre contaram com o músculo naval dos Estados Unidos. Têm a marinha mais competente do mundo e sem a qual seria impensável pensar na defesa do continente a título apenas europeu. Um cenário desse calibre é o fim do espaço atlântico da forma como o conhecemos. No dia em que Portugal precise de apoio e que não possa contar com os Estados Unidos da América, acabou a NATO e a arquitetura de segurança e defesa inaugurada depois da Segunda Guerra Mundial.
A Estratégia defende uma “predisposição para a não intervenção”. Trump quer centrar-se no hemisfério ocidental mas depois defende a não alteração da situação de Taiwan, ou seja, a não intervenção chinesa. Não há aqui uma contradição?
Isto, mais uma vez, remete-nos para a letra da lei versus o espírito da lei. Escrever é uma coisa, executar é uma coisa completamente diferente. Esta ‘não interferência’ não se aplica aos últimos 11 meses de mandato de Donald Trump. Fez precisamente o oposto, interferiu em todos os conflitos na tentativa de os sanear, para depois poder dizer que acabou com nove guerras. É falso. As guerras não acabaram, os conflitos continuam latentes, infelizmente a mortandade multiplica-se.
Portanto, há interferência dos Estados Unidos, inclusivamente agora, no que é bastante mais mediático, no desenvolvimento na Venezuela e nas Caraíbas. E, portanto, parece-me que isso é tudo menos ausência ou tentativa de ‘não interferência’. É claro que os Estados Unidos vão continuar a defender os seus interesses, a interferir quando sabem que necessitam de o fazer para defender a sua esfera de influência e dos seus aliados económicos e financeiros. Ou para garantir que têm acesso a negócios ou a propostas ou a acordos mais vantajosos.
Do ponto de vista de Taiwan, a situação é bastante diferente. Por um lado, dizem que não querem alterações ao ‘status quo’, ou seja, a independência daquela ilha, sem violações por parte da China. O foco profundo sobre Taiwan não é muito normal neste tipo de estratégias nacionais, mas os Estados Unidos estão completamente focados no seu futuro estratégico, que passa por refocar o Indo-Pacífico e não apenas o Índico.
O Indo-Pacífico é fundamental. É um flanco frágil dos Estados Unidos, tem uma ilha a defender todo o flanco - o Hawai - e depois tem alguns aliados com o qual os Estados Unidos sempre mantiveram boas relações, mas que há pouco tempo - desde a inauguração deste segundo mandato de Donald Trump - têm vindo a deteriorar essas mesmas alianças.
É impensável vermos o Japão, que sempre teve uma constituição que não permitia o desenvolvimento militar - precisamente devido àquilo que eram as lições aprendidas da Segunda Guerra Mundial, e que se vê agora a braços com um aliado mais inconsistente, imprevisível - que decidiu voltar a investir milhares de milhões de dólares na sua brutal e eficiente indústria de defesa militar.
É impressionante como acabaram de lançar novos submarinos, com metade da tonelagem dos submarinos americanos, que têm cerca de 8 mil toneladas, com um motor elétrico, baterias de lítio, e que podem ficar vários meses submergidos. São mais baratos, mais rápidos, mais eficientes e vão permitir ao Japão patrulhar as suas águas e garantir a sua soberania, algo que os chineses, do ponto de vista da guerra submarina, ainda não estão a este nível.
À medida que olhamos para os diferentes hemisférios e quadrantes do globo, vamos encontrando a multiplicação do conflito e da violência e a necessidade de encontrar uma voz, um líder, uma expressão unipolar. E a multipolaridade cria momentos de grande conflito e de grande mortandade. Estamos a inaugurar esta tal multipolaridade que, na ausência de um ‘primus inter pares’, acaba por levar à multiplicação das guerras.
A questão é se teremos guerras regionais ou um grande conflito mundial, mais tarde ou mais cedo. O sistema de alianças continua bem vivo. A China está a preparar-se para poder expandir os seus territórios a norte ou a sul. Garantidamente teremos um problema com Taiwan mais cedo do que do que estaríamos à espera. A China teve a oportunidade de explicar que a reunificação do país ia acontecer, quer os Estados Unidos queiram ou não.
Como será recebida esta Estratégia nas Américas por países como o Canadá, o México ou o Brasil?
Com preocupação, porque veem os Estados Unidos mais imprevisíveis, que querem defender os seus interesses e que não vão olhar a meios para atingi-los. E aquilo que acontece na Venezuela deve preocupar os governos não alinhados com Trump.
Não vai preocupar Milei, mas deve preocupar Lula. Governos que estão encostados à extrema-esquerda ou à esquerda comunista, vão olhar para Donald Trump como um líder que diz que não vai interferir na política interna de Estados, a não ser que esses Estados sejam seus adversários. E, neste momento, existem dois países junto ao seu espaço vital: Venezuela e, depois, Cuba.
Depois do regime da Venezuela cair, Donald Trump vai certamente olhar para a ditadura comunista em Cuba. Não vai permitir que, à porta de entrada do seu ‘jardim’ apareça uma Cuba comunista, com potencialidades para ser uma pedra no sapato. Donald Trump vive da imagem e para a imagem e, certamente, não gostará de ver uma Cuba daquela forma junto ao seu território.
Isto é um momento de transformação, de tentativa reforma das arquiteturas de segurança. Mas é preocupante que os Estados Unidos estejam a tentar recorrer a doutrinas que já tinham sido ultrapassadas, mas que só provam que a Rússia e a ressurreição da guerra convencional tinha um motivo claríssimo: a tentativa de clivagem política entre os dois lados do Atlântico e dividir para reinar.