Lusodescendente apela à libertação do pai e dos outros presos políticos na Venezuela

05 jan, 2026 - 20:02 • Pedro Mesquita

Juan Francisco Rodrigues dos Ramos, é filho de madeirenses, tem nacionalidade portuguesa, e era militar. Foi condenado a 30 anos de prisão e a família só consegue falar com ele por carta. Em declarações à Renascença, a filha Alejandra Rodriguez faz um apelo ao Governo português.

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Na Venezuela, calcula-se que permaneçam nas cadeias mais de 800 presos políticos, incluindo, pelo menos, cinco portugueses ou lusodescendentes, como o pai de Alejandra Rodriguez.

O seu pai chama-se Juan Francisco Rodrigues dos Ramos, é filho de madeirenses, tem nacionalidade portuguesa, e era militar.

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Como conta a sua filha, o coronel Juan Francisco dos Ramos foi condenado, sem provas, a 30 anos de prisão pelo regime de Nicolás Maduro e já está preso há seis, nomeadamente por traição à pátria.

Contactada pela Renascença na Madeira, e sem esconder a ansiedade, Alejandra Rodriguez manifesta a esperança de que logo que possível o Governo português use as vias diplomáticas para apelar à sua libertação.


Como se chama o seu pai?

Juan Francisco Rodrigues dos Ramos. Tem nacionalidade portuguesa.

O seu pai continua detido?

Sim. É um preso político. Ele era militar e os crimes de que tem sido acusado não têm sido aprovados. Primeiro, a sentença era de quatro anos de prisão, mas depois, no ano 2022, foi condenado a 30 anos. Continua detido.

Tem a expetativa de que isso venha a mudar nos próximos dias, na sequência desta operação dos Estados Unidos?

Sim, estamos à espera que esta mudança na Venezuela signifique a libertação dos presos políticos.

Incluindo o seu pai...

O meu pai deveria ser dos primeiros, porque já cumpriu seis anos de prisão. Já deveria ser libertado.

Do que é que ele está é acusado?

Ele está acusado de crimes políticos que não têm sido demonstrados, nomeadamente traição à pátria, tentativa de magnicídio, mas não têm existido nenhumas provas.

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O que é que sabe, neste momento, o seu pai? Há algum sinal de que poderá vir a ser libertado nas próximas horas, ou não se sabe de nada?

Por agora, das prisões não temos nenhuma informação. O que se sabe é que tudo está muito calmo em Caracas e também nas prisões, incluindo a prisão onde está o meu pai. Mas seis anos é muito, muito tempo. A condição de saúde do meu pai, de nutrição especificamente, está muito debilitada.

Tem conseguido falar com ele nos últimos dias?

Não, não. O contacto que nós temos tido com ele é só através de cartas, mas nos últimos anos não tenho conseguido falar com o meu pai. Falei apenas umas três vezes, por telemóvel, nos últimos seis anos. Nem mesmo depois da intervenção dos Estados Unidos. Ele tinha visitas, todos os sábados, mas as visitas foram cancelada no último sábado, por razões óbvias: Foi o 3 de janeiro, e não temos ouvido nenhuma comunicação deles (presos políticos). O que se sabe é que está tudo muito calmo.

O que é que espera do Governo português? Algum tipo de intervenção diplomática para tentar a libertação, nomeadamente do seu pai e dos outros presos políticos de nacionalidade portuguesa ou lusodescendentes?

Certamente. Penso que chegam a ser cinco pessoas que estão na cadeia e que têm nacionalidade portuguesa...

Portanto, por vias diplomáticas, quando chegar o momento certo. De facto, neste momento existe muita incerteza, não se sabe exatamente quem está a cargo do país. Quando chegar o momento certo - e que seja em breve - têm que apelar à sua libertação e a que fiquem em segurança.

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