Estados Unidos

Quem era Renee Nicole Good, a mãe e poetisa morta pelo ICE?

09 jan, 2026 - 02:45 • Redação, com Reuters

A mulher de 37 anos tinha-se mudado recentemente para Minneapolis. “Renee foi uma das pessoas mais bondosas que alguma vez conheci”, afirma a mãe.

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Renee Nicole Good, mãe de três filhos e residente no Minnesota, Estados Unidos, foi morta a tiro dentro do seu carro por um agente federal da polícia de imigração (ICE), na quarta-feira, na cidade de Minneapolis.

O incidente desencadeou protestos em várias cidades dos EUA e um intenso debate sobre as circunstâncias da morte da mulher de 37 anos.

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Autoridades estaduais e federais apresentaram versões profundamente divergentes sobre o tiroteio, no qual um agente não identificado do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE) matou a tiro a cidadã norte-americana Renee Nicole Good, numa zona residencial.

Renee Nicole Good licenciou-se em Inglês pela Universidade de Old Dominion, em Norfolk, no estado da Virgínia, em dezembro de 2020, segundo um comunicado da instituição.

Ganhou um prémio universitário de poesia, de acordo com uma publicação de 2020 no Facebook do Departamento de Inglês da universidade, que a descrevia como natural de Colorado Springs, no Colorado.

“Quando não está a escrever, a ler ou a falar sobre escrita, faz maratonas de filmes e cria arte caótica com a filha e os dois filhos”, dizia a publicação.

O jornal “Washington Post” noticiou que a filha de Good tem 15 anos e que os seus dois filhos têm 12 e 6 anos.

O governador do Colorado, o democrata Jared Polis, divulgou um comunicado na quarta-feira, referindo informações de que Good era da zona de Colorado Springs e afirmando que os seus “pensamentos estão com a família de Renee, especialmente com o seu filho mais novo, amigos e entes queridos, incluindo os que se encontram no Colorado”.

Recém-chegada a Minneapolis

O ex-marido de Good, que pediu para não ser identificado por receio pela segurança dos filhos, disse à Associated Press que Good e o seu atual companheiro se tinham mudado no ano passado de Kansas City, no Missouri, para Minneapolis.

Segundo o ex-marido, Good e o companheiro tinham acabado de deixar o filho de seis anos na escola, na quarta-feira, e regressavam a casa quando se depararam com agentes do ICE.

A biografia de uma conta privada no Instagram, que aparentava pertencer a Good, descrevia-a como “poetisa e escritora e esposa e mãe e péssima guitarrista do Colorado; a viver a experiência de Minneapolis, MN”.

"Carinhosa, indulgente e afetuosa"

Good vivia em Minneapolis com o companheiro, disse a mãe de Good, Donna Ganger, ao “Minnesota Star Tribune”.

“Renee foi uma das pessoas mais bondosas que alguma vez conheci”, afirmou Ganger ao jornal.

“Era extremamente compassiva. Cuidou de pessoas toda a vida. Era carinhosa, indulgente e afetuosa. Era um ser humano extraordinário.”

Ganger disse que a filha “não fazia parte de nada desse género”, referindo-se a protestos contra agentes da polícia de imigração ICE.

O ex-marido afirmou que nunca a conheceu como alguém que participasse em protestos.

"Vítima da ideologia de extrema-esquerda"

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, saiu esta quinta-feira em defesa da intervenção dos agentes federais.

Em conferência de imprensa na Casa Branca, o "vice" de Donald Trump alegou que Renee Nicole Good foi “vítima da ideologia de extrema-esquerda”.

“Que jovem mãe aparece e decide atirar o carro contra agentes do ICE que estão a fazer cumprir a lei de forma legítima? É preciso estar um pouco doutrinada para chegar a esse ponto”, acusou.

JD Vance declarou que o agente do ICE que matou Renee Nicole Good dentro da sua própria viatura tem “imunidade absoluta”, tratando-se de uma “questão federal”.

No momento em que foi baleada, Good participava numa das várias “patrulhas de bairro” organizadas por activistas locais para monitorizar, observar e filmar actividades do ICE, segundo Michelle Gross, presidente da organização Community United Against Police Brutality, sediada no Minnesota.

O Gabinete de Apreensão Criminal do Minnesota (BCA, na sigla em inglês) afirmou na quinta-feira que tinha inicialmente acordado com o FBI a realização de uma investigação conjunta ao tiroteio, mas que a agência federal “mudou de posição” e assumiu o controlo exclusivo do inquérito.

A decisão, segundo o superintendente do BCA, Drew Evans, significa que o organismo estadual deixará de ter acesso às provas recolhidas no local, aos materiais do processo ou às entrevistas.

“Como resultado, o BCA retirou-se relutantemente da investigação”, afirmou Evans.

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