Guerra no Médio Oriente
Confirmada a morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irão
01 mar, 2026 - 02:19 • Diogo Camilo
Agência estatal iraniana confirma o falecimento do aiatola nas primeiras horas da madrugada de sábado. Ataque dos Estados Unidos e Irão também matou a sua filha e o seu neto, o seu genro e a sua nora.
Depois dos primeiros indícios deixados por Benjamin Netanyahu, das notícias a citarem fontes israelitas e norte-americanas e do anúncio de Donald Trump, a televisão estatal iraniana confirmou na madrugada deste domingo a morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, aos 86 anos.
A morte aconteceu ao início de sábado, enquanto o aiatola estava no seu escritório, anunciou a agência estatal, tendo sido decretados 40 dias de luto pela sua morte. Além de Khamenei, os ataques de Estados Unidos na madrugada de sábado também mataram a sua filha e o seu neto, o seu genro e a sua nora.
Ali Hosseini Khamenei foi o líder espiritual e político do Irão durante mais de 36 anos, desde a morte de Ruhollah Khomeini, o líder da Revolução Iraniana de 1979 e fundador da República Islâmica do Irão.
Nascido a de 19 de abril de 1939 em Mashhad, uma cidade considerada sagrada para os xiitas, foi o segundo de oito filhos de uma família pobre. A sua infância e juventude foi vivida durante a monarquia do anterior regime, do xá Reza Pahlavi, numa altura em que o Irão era aliado dos Estados Unidos.
Estuda no no seminário religioso de Qom, um dos principais centros de teologia xiita, onde tem aulas e é influenciado pela ideias de Ruhollah Khomeini, que nessa altura já era o aiatola — líder religioso dos xiitas.
Durante os anos 1960 e 1970 participa ativamente na oposição ao xá Reza Pahlavi e é preso várias vezes, acabando exilado no ano de 1977.
Depois da revolução iraniana, torna-se membro do Conselho Revolucionário, sendo eleito Presidente da República Islâmica do Irão aos 42 anos, em 1981, um cargo que ocupou durante oito anos.
Com a morte de Khomeini, e apesar de não possuir na altura a mais alta qualificação religiosa exigida, a Constituição iraniana é alterada especificamente para permir que seja nomeado Líder Supremo. Com o cargo, passa a ser o chefe das forças armadas, incluindo da Guarda Revolucionária Islâmica, do Governo e também o responsável pelas nomeações de cargos importantes no Estado.
Durante o seu mandato de mais de 36 anos, Khamenei aplicou um regime em que a dissidência interna era duramente reprimida, sendo acusado de violência contra opositores, ativistas e manifestantes, como aconteceu em 2022, após a morte da jovem Mahsa Amini.
Ao mesmo tempo que alimentou o ódio aos Estados Unidos no país, apoiou grupos ligados à mesma religião, como o Hezbollah no Líbano, e nunca esqueceu Israel, criando várias tensões com todo o mundo devido ao seu programa nuclear.










