Guerra EUA-Israel-Irão
Como será o Irão depois de Ali Khamenei? "Não parece que haja condições para uma mudança de regime"
02 mar, 2026 - 06:30 • André Rodrigues
Coordenador de risco geopolítico da Porto Business School não arrisca mudanças significativas em Teerão. Jorge Rodrigues admite que "o regime tentará ganhar tempo e procurar uma aproximação à mesa de negociações".
A morte do ayatollah Ali Khamenei será um ponto de viragem, mas pode não significar uma mudança no regime iraniano.
“Não parece que haja condições”, admite, na Renascença, o coordenador de risco geopolítico da Porto Business School.
Jorge Rodrigues lembra que “as grandes bases do regime mantêm‑se” e que, por outro lado, “há, verdadeiramente, uma ausência de alternativa. Não há um líder reconhecido como único”, embora o povo celebre nas ruas a morte do líder supremo.
"A estrutura do regime continua suficientemente forte para manter o poder durante mais algum tempo", clarifica.
Este fim de semana, Donald Trump sinalizou a vontade da liderança de transição regressar ao diálogo com os Estados Unidos. Jorge Rodrigues diz que será uma forma de o regime "tentar ganhar tempo e procurar uma aproximação à mesa de negociações".
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Reza Pahlavi? Não é aglutinador, mas “pode ser empurrado para a cadeira”
Nas horas que se seguiram à confirmação da morte de Khamenei, o filho do xá, Reza Pahlavi, declarou o fim da República Islâmica e propôs-se a liderar uma transição, apelando às forças armadas e à Guarda Revolucionária que abandonassem o país.
Um posicionamento bem acolhido na diáspora iraniana, mas carente de apoio dentro do Irão.
No entanto, “pode ser empurrado para a cadeira em caso de necessidade, mas não parece ser o elemento aglutinador”.
Jorge Rodrigues considera que, “apesar de ser o rosto da oposição mais reconhecido no Ocidente, o seu histórico e a memória do regime do xá” são pouco abonatórios entre as gerações mais velhas do Irão que não se reveem numa possível liderança protagonizada pelo ex-príncipe persa.
Um segundo Iraque? Semelhanças, diferenças e o “day after”
Questionado sobre o risco de o Irão cair numa desordem semelhante à que se verificou depois da queda de Saddam Hussein no Iraque, Jorge Rodrigues reconhece que “há sempre o risco” de o país resvalar para uma instabilidade prolongada.
Mas identifica diferenças estruturais face ao Iraque de 2003: “há uma maior homogeneidade étnica e a capacidade de o nacionalismo funcionar como elemento de coesão em contexto de pressão externa”.
O problema, acrescenta o especialista em risco geopolítico, é que “os Estados Unidos não são eficazes na preparação do ‘day after’… e, claramente, aqui os Estados Unidos não prepararam esse cenário”.














