Estados Unidos
Trump transforma a Casa Branca: salão de baile gigante, jardim renovado e novo arco em Washington
05 mar, 2026 - 16:32 • Reuters
Presidente dos Estados Unidos está a realizar a maior renovação do território à volta da Casa Branca desde Theodore Roosevelt. Salão de festas vai custar 400 milhões de dólares, enquanto o icónico relvado do Rose Garden vai passar a ter pedra branca com mesas cobertas por guarda-sóis. Justificação? Os saltos altos das mulheres "afundavam no relvado".
O Presidente Donald Trump dos Estados Unidos decidiu avançar com uma completa e ambiciosa transformação de Washington, D.C., que vai desde um salão de baile de 400 milhões de dólares na Casa Branca até a um arco monumental com cerca de 76 metros de altura e a uma renovação do Centro de Artes Performativas John F. Kennedy, que vai juntar o nome Trump.
Os extensos planos de remodelação de Trump são a intervenção mais dramática promovida por um presidente norte-americano desde que Theodore Roosevelt defendeu uma profunda reconfiguração estrutural do National Mall, o parque que se estende do Capitólio até ao Memorial Lincoln, no início do século XX. Na década de 1950, Harry S. Truman esvaziou o interior da Casa Branca e reconstruiu-o praticamente de raiz.
Os próximos meses avizinham alguns dos projetos mais emblemáticos de Trump, que têm suscitado fortes críticas por parte de norte-americanos preocupados com questões económicas e com a preservação do património histórico.
Salão de baile da Casa Branca
Trump afirmou que o salão de baile planeado, com cerca de 8.360 metros quadrados, será “o maior do seu género alguma vez construído”, mantendo a mesma altura e escala da atual Casa Branca. O custo estimado é de 400 milhões de dólares e, segundo o presidente, será financiado por particulares abastados e empresas.
Contudo, o entusiasmo presidencial pelo projeto — que, segundo Trump, terá capacidade para mil convidados — não tem sido amplamente partilhado. O presidente enfrentou forte contestação pública depois de ter demolido a East Wing (ala leste) para dar lugar à nova estrutura, apesar de garantias anteriores de que tal não aconteceria.
Uma sondagem realizada em Outubro pelo Washington Post, ABC News e Ipsos indicou que 56% dos norte-americanos se opõem ao projeto, enquanto 28% manifestaram apoio.
Defensores do património e opositores criticaram a perda da ala leste — onde se situavam os escritórios da primeira-dama e a sala de cinema da Casa Branca — e alertaram para o risco de a nova construção dominar visualmente a residência principal.
As obras têm provocado diariamente um intenso ruído de construção entre a Casa Branca e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, uma perturbação que deverá prolongar-se durante grande parte dos três anos restantes do mandato de Trump.
A Comissão de Planeamento do Capital Nacional, presidida por um alto assessor da Casa Branca, deverá ouvir comentários públicos sobre o projeto e poderá votá-lo esta quinta-feira.
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O Centro Kennedy (Trump)
O Congresso autorizou a criação do John F. Kennedy Center for the Performing Arts para homenagear o presidente democrata John F. Kennedy, assassinado em 1963. O nome manteve-se incontestado durante décadas — até que um conselho de administração nomeado por Trump votou no ano passado a alteração para Trump - Kennedy Center.
O histórico centro cultural registou uma vaga de cancelamentos de espetáculos e uma quebra na venda de bilhetes após a tomada de controlo por Trump.
A 1 de fevereiro, o presidente anunciou que o complexo encerrará durante dois anos a partir de 4 de Julho para uma remodelação profunda. Trump sustenta que o edifício necessita de uma reconfiguração significativa, citando problemas de canalização e deterioração da alvenaria.
O presidente afirmou que não pretende demolir o centro, mas sim renová-lo — uma promessa que críticos recordam ter sido também feita relativamente à ala leste da Casa Branca antes da sua demolição. O custo estimado da obra é de 200 milhões de dólares.
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Arco da Independência
Do outro lado do Rio Potomac, em frente ao Memorial Lincoln, encontra-se uma rotunda rodoviária discreta onde Trump pretende erguer o chamado Independence Arch, um arco monumental inspirado no Arco do Triunfo de Paris, mas de dimensões muito superiores.
A estrutura, adornada com estátuas de águias e uma figura semelhante à Estátua da Liberdade no topo, deverá atingir cerca de aproximadamente 76 metros. Isso torná-la-ia mais alta do que o Memorial Lincoln e próxima da altura do Capitólio dos Estados Unidos, que mede cerca de 90 metros e é visível em grande parte da cidade.
Em comparação, o Arco do Triunfo parisiense tem cerca de 50 metros de altura.
Trump afirmou aos jornalistas, a 31 de Janeiro, que pretende um arco de grandes dimensões porque “somos a maior e mais poderosa nação”.
Ainda não é claro se a estrutura será efetivamente construída com essa altura, uma vez que poderá interferir com as rotas de aproximação de aviões que se dirigem para sul no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, situado a poucos quilómetros.
A Sala Oval
Trump iniciou o seu primeiro grande projeto de redecoração na Casa Branca quando regressou à Sala Oval em janeiro de 2025.
Transformou a histórica sala com apontamentos dourados, estatuetas e retratos de norte-americanos famosos retirados dos depósitos — incluindo alguns de difícil identificação — além de uma cópia da Declaração de Independência dos Estados Unidos pendurada na parede atrás de um pano negro.
Bustos de Abraham Lincoln e Benjamin Franklin encontram-se agora sobre mesas próximas da secretária presidencial. A quantidade de objetos decorativos dá à sala um aspeto mais carregado, comparado com os estilos de presidentes anteriores, aproximando-o da atmosfera de uma biblioteca antiga. Trump, no entanto, mostra-se satisfeito e gosta de apresentar o espaço aos visitantes.
O Rose Garden e os terrenos da Casa Branca
No exterior do Salão Oval, Trump substituiu o icónico relvado do Rose Garden (Casa Branca) por um pátio de pedra branca com mesas cobertas por guarda-sóis, num estilo semelhante ao que tem junto à piscina do Mar-a-Lago, em Palm Beach, no estado da Flórida. Segundo o presidente, a alteração foi necessária porque os saltos altos das mulheres afundavam no relvado.
Ao longo da colunata próxima, Trump colocou retratos dos 47 presidentes dos Estados Unidos na parede, cada um acompanhado de uma placa com a sua avaliação pessoal sobre essas figuras.
Ainda ressentido com a derrota para o democrata Joe Biden nas eleições de 2020, Trump substituiu o retrato de Biden por uma imagem de uma autopen, dispositivo que ele e outros republicanos criticaram Biden por utilizar na assinatura de documentos — apesar de se tratar de uma prática relativamente comum entre presidentes recentes.
Noutras zonas dos terrenos da Casa Branca, Trump instalou grandes mastros de bandeira nos relvados Norte e Sul.
Casa de banho Lincoln
No interior da Casa Branca, Trump removeu a casa de banho de azulejos verdes de estilo retro associada ao Lincoln Bedroom e substituiu-a por uma versão moderna em mármore branco e preto.
Segundo um artigo do Washington Post de 2007, a casa de banho com azulejos verdes remontava à renovação da Casa Branca realizada durante a presidência de Harry S. Truman nos anos 1950.
Na altura, o então presidente George W. Bush e a primeira-dama Laura Bush realizaram obras de renovação no quarto Lincoln — que Abraham Lincoln utilizou como escritório — deixando, no entanto, intacta a casa de banho, descrita no artigo como “bem preservada”.












