Guerra no Irão
Estreito de Ormuz. Como reagiram os países ao pedido de ajuda de Trump?
16 mar, 2026 - 16:16 • Ana Kotowicz com Reuters
Trump diz contar com a participação da China, da França, do Japão, da Coreia do Sul, do Reino Unido, entre outros. Mas as respostas não têm sido as esperadas.
Não, não, não, claramente não, e até um "nein" em tom jocoso. O apelo de Donald Trump, que, no fim de semana, pediu aos aliados dos Estados Unidos para ajudarem a garantir a segurança do Estreito de Ormuz (que, na prática está fechado pelo Irão), caiu em saco roto.
Até agora, o Presidente Trump não conseguiu garantir nenhum sim — apesar de ter ameaçado a NATO com um "futuro muito mau" se os aliados se recusarem a ajudar os Estados Unidos no Médio Oriente.
Apesar disso, o máximo que o Presidente conseguiu foi que uma promessa do Japão e da Coreia do Sul: ambos os países irão analisar cuidadosamente o assunto e não se comprometem com mais. Já a Dinamarca diz que irá manter a "mente aberta".
Na União Europeia, que esta segunda-feira juntou os chefes de diplomacia em Bruxelas, o tom continua a ser cuidadoso e a apontar para soluções diplomáticas. É essa também a postura de Portugal. Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, recusou qualquer envolvimento militar português no Estreito de Ormuz.
Antes dos "nãos" começarem a ser públicos, Trump disse ter conversado com sete países, sem dizer quais. Nas redes sociais, disse esperar a ajuda da China, da França, do Japão, da Coreia do Sul, do Reino Unido, entre outros.
Aqui fica um balanço da reação de alguns países ao apelo de Washington para o envio de navios para a região.
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Portugal
- Resposta: Não (há alternativas diplomáticas)
"Portugal não está, nem vai estar, envolvido neste conflito", afirmou Paulo Rangel, esta segunda-feira, em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos chefes da diplomacia da UE, em Bruxelas.
O ministro afirmou que "tudo aquilo que se possa fazer para desobstruir o estreito de Ormuz e permitir a liberdade de navegação é positivo".
"Há imensas coisas que se podem fazer no plano político, diplomático. É nesse plano que Portugal está e que estará também, julgo eu, a União Europeia", referiu.
Japão
- Resposta: Em análise (para já, é um não)
O Japão não planeia, para já, enviar navios da marinha para escoltar embarcações no Médio Oriente, afirmou esta segunda-feira a primeira-ministra, Sanae Takaichi.
“Não tomámos absolutamente nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos a analisar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que é possível dentro do quadro legal”, disse Takaichi no parlamento.
A primeira-ministra deverá viajar esta semana para Washington para conversações com Trump que, segundo afirmou, incluirão o conflito com o Irão.
Austrália
- Resposta: Não (mesmo sendo importante)
A Austrália não enviará navios de guerra para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, afirmou esta segunda-feira um membro do governo.
“Não enviaremos um navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos quão importante é, mas isso não é algo que nos tenha sido pedido nem algo para o qual estejamos a contribuir”, disse Catherine King, ministra no governo do primeiro-ministro Anthony Albanese, numa entrevista à emissora pública ABC.
Coreia do Sul
- Resposta: Em análise cuidadosa (Parlamento tem de aprovar)
“Vamos comunicar estreitamente com os Estados Unidos sobre esta questão e tomar uma decisão após uma análise cuidadosa”, afirmou no domingo o gabinete presidencial sul-coreano.
De acordo com a Constituição da Coreia do Sul, o envio de tropas para o estrangeiro exige aprovação parlamentar, e figuras da oposição afirmaram que qualquer envio de navios de guerra para o estreito necessitaria de autorização do legislativo.
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Reino Unido
- Resposta: Não (um rotundo não)
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou na segunda-feira que não será “arrastado para a guerra mais ampla com o Irão”, reiterando que está a trabalhar com aliados para reabrir o estreito.
“Estamos a trabalhar com outros para apresentar um plano credível para o Estreito de Ormuz que permita garantir a reabertura do transporte marítimo e da passagem pelo estreito. Quero ser claro: isso não será, nem nunca foi pensado como uma missão da NATO”, disse aos jornalistas.
União Europeia
- Resposta: Em discussão (mas é difícil)
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia irão discutir esta segunda-feira o reforço de uma pequena missão naval no Médio Oriente, mas não se espera que debatam a expansão do seu mandato para incluir o Estreito de Ormuz, segundo diplomatas e responsáveis.
A missão europeia Aspides — nome inspirado na palavra grega para “escudos” — foi criada em 2024 para proteger navios contra ataques dos rebeldes Houthi do Iémen no Mar Vermelho.
Alemanha
- Resposta: Não (um sarcástico não)
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou na segunda-feira que a Alemanha não participará militarmente na segurança do estreito.
“O que espera Trump de um punhado de fragatas europeias que a poderosa marinha dos EUA não consiga fazer? Esta não é a nossa guerra, não fomos nós que a iniciámos”, disse Pistorius.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, afirmou numa entrevista à televisão pública ARD no domingo que estava “muito cético” quanto à possibilidade de alargar a missão Aspides ao Estreito de Ormuz para aumentar a segurança.
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Dinamarca
- Resposta: Talvez (mantém a mente aberta)
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, afirmou na segunda-feira, antes da reunião dos ministros da UE, que seria sensato manter “mente aberta” sobre a questão, “sendo nós um país pequeno, mas uma grande nação marítima”.
Mesmo que a Europa não apoie a decisão dos Estados Unidos e de Israel de avançar para a guerra, “temos de enfrentar o mundo como ele é, e não como gostaríamos que fosse”, afirmou aos jornalistas.
A tensão diplomática tem sido constante entre a Dinamarca e os Estados desde que Donald Trump assumiu que quer comprar a Gronelândia, território dinamarquês.
Itália
- Resposta: Não (prefere a diplomacia)
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou na segunda-feira que a diplomacia é a via adequada para resolver a crise no Estreito de Ormuz, acrescentando que não existem missões navais italianas que possam ser estendidas àquela zona.
Grécia
- Resposta: Não (simplesmente não)
Um porta-voz do governo grego afirmou na segunda-feira que a Grécia não participará em operações militares no Estreito de Ormuz.











