Reino Unido
Surto de meningite mata dois jovens no Reino Unido. O que deve saber sobre a doença?
17 mar, 2026 - 12:39 • Ana Kotowicz com The Conversation/Reuters
Surto terá tido início num clube noturno e chegou a uma universidade e a uma escola. Pelo segundo dia consecutivo, estão a ser administrados antibióticos a centenas de estudantes. Há 11 pessoas hospitalizadas.
A fila de alunos, muitos deles com máscaras, é longa. Estão à espera de receber a sua dose de antibióticos para tentar evitar o surto mortal de meningite bacteriana que chegou ao Reino Unido. Na Universidade de Kent, no condado com o mesmo nome, a cerca de 80 quilómetros de Londres, a imagem podia ter sido tirada nos tempos da pandemia. Só falha pela falta de distanciamento social.
O surto está a espalhar-se pela região e tudo aponta para que tenha começado num clube noturno. Rapidamente, espalhou-se pelos estabelecimentos de ensino e já fez dois mortos: um universitário e uma estudante do secundário, de 18 anos, identificada como Juliette. Por isso mesmo, as autoridades de saúde estão a administrar antibióticos aos jovens, para tentar evitar novas infeções.
Muitas atividades da Universidade de Kent foram suspensas ou mudaram para formato online, enquanto algumas escolas, dá conta o The Guardian, estão a fechar portas. O Club Chemistry, em Canterbury, onde poderá ter começado o surto, fechou por tempo indeterminado.
Esta terça-feira, a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) disse ter identificado a estirpe de meningite: é do tipo B, mas trata-se de uma variante para a qual as pessoas nascidas antes de 2015 não foram vacinadas.
“Existe uma vacina meningocócica administrada a adolescentes, normalmente aos 13 ou 14 anos, mas essa protege contra quatro grupos principais: A, C, W e Y”, explicou Gayatri Amirthalingam, diretora-adjunta de imunização e doenças evitáveis por vacinação, citada pela agência BBC Radio 5.
Há 11 pessoas hospitalizadas, em estado grave, mas o número pode crescer já que há diversos casos em análise e pode haver infetados ainda assintomáticos.
O que é a meningite?
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinal (as meninges). Qualquer tipo de microrganismo nocivo — incluindo vírus, bactérias, fungos e parasitas — pode invadir estas membranas e causar infeção. (O atual surto na Universidade de Kent é causado por bactérias.)
Esta condição pode ser muito perigosa, uma vez que as meninges funcionam como uma camada protetora do cérebro. Quando ficam danificadas, o cérebro e a medula espinhal ficam também em risco.
O que é a doença invasiva meningocócica e por que é tão perigosa?
As bactérias que causam meningite chamam-se Neisseria meningitidis, podendo espalhar-se rapidamente entre pessoas que tenham contacto próximo. Estas bactérias invadem os vasos sanguíneos nas meninges, provocando danos e desencadeando a entrada de células do sistema imunitário, que produzem moléculas responsáveis pela inflamação.
Quando as meninges ficam inflamadas, o cérebro pode deixar de funcionar corretamente, conduzindo a doença grave e possíveis lesões cerebrais.
Quais são os sintomas e como distinguir de uma gripe ou ressaca?
A meningite pode manifestar-se de forma diferente de pessoa para pessoa. Os sintomas incluem geralmente febre alta (com mãos e pés frios), vómitos, dor de cabeça, dores nas articulações, rigidez no pescoço e sonolência invulgar.
Algumas pessoas podem ficar confusas ou sensíveis à luz e ao som. Pode também surgir uma erupção cutânea que não desaparece quando pressionada com um copo. Nos bebés, pode ocorrer um choro incomum.
Se suspeitar de meningite — sobretudo se os sintomas não forem típicos de uma gripe ou ressaca — deve dirigir-se imediatamente ao hospital ou pedir ajuda. É preferível agir rapidamente, já que a doença evolui com grande rapidez.
Quem está mais em risco?
Qualquer pessoa pode contrair meningite, mas o risco é maior em bebés muito pequenos e em idosos. Pessoas com o sistema imunitário comprometido — por exemplo, em tratamento de quimioterapia — também apresentam maior vulnerabilidade.
Surtos em populações jovens, como estudantes universitários, tendem a ocorrer devido ao maior contacto social e facilidade de transmissão.
Como se transmite a infeção?
As bactérias propagam-se através de contacto próximo, como beijos ou partilha de bebidas, ou ainda por gotículas expelidas ao tossir ou espirrar.
Eventos com grandes aglomerações aumentam o risco de contágio, o que ajuda a explicar a maior incidência em ambientes universitários.
Porque estão estudantes saudáveis a receber antibióticos?
Trata-se de uma medida preventiva para proteger pessoas que possam ter sido expostas à bactéria, mesmo sem apresentarem sintomas.
Os antibióticos ajudam a eliminar a bactéria antes que esta consiga provocar infeção ou atingir o cérebro.
Existe vacina contra a meningite e devo tomá-la?
Existem várias vacinas que protegem contra as causas mais comuns de meningite bacteriana. São eficazes e seguras, ajudando a prevenir formas graves da doença.
No Reino Unido, as vacinas MenB, MMR e pneumocócica são recomendadas para bebés, por protegerem contra bactérias frequentemente associadas à meningite infantil.
Em Portugal, a vacina contra a Neisseria meningitidis B (MenB 1) faz parte do Programa Nacional de Vacinação e é tomada em três doses aos 2, aos 4 e aos 12 meses. Já a vacina contra a doença invasiva por Neisseria meningitidis C (MenC) é de dose única e administrada aos 12 meses de vida.
Para grupos com risco acrescido está prevista a toma da vacina contra doença invasiva por Neisseria meningitidis dos grupos ACWY.
Como é tratada a meningite bacteriana e o que acontece se for detetada tardiamente?
O tratamento baseia-se principalmente na administração de antibióticos. Quanto mais cedo forem administrados, maior a probabilidade de evitar complicações graves.
No entanto, algumas bactérias podem desenvolver resistência aos antibióticos, reduzindo a eficácia do tratamento. Por isso, a vacinação é fundamental, já que pode proteger mesmo contra estirpes resistentes.
O que fazer se suspeitar de meningite?
Os sintomas surgem geralmente de forma rápida. Se houver suspeita, deve agir de imediato. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, melhores serão as probabilidades de recuperação.








