Reino Unido

Surto de meningite B "sem precedentes" chega a Londres, bebé vacinada foi infetada

18 mar, 2026 - 14:00 • Ana Kotowicz

Número de casos sobe de 15 para 20, com 11 ainda sob investigação. Bebé vacinada, de 9 meses, está gravemente doente, na mesma região. "Ritmo e dimensão da propagação da doença são sem precedentes", diz ministro da Saúde.

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É um surto de meningite bacteriana "sem precedentes". O ministro da Saúde britânico assumiu, esta quarta-feira, que o número de casos "poderá muito bem aumentar", numa altura em que as confirmações sobem de 15 para 20, com 11 ainda em análise.

A imprensa britânica dá ainda conta de um caso de uma bebé vacinada, de 9 meses, que está gravemente doente, enquanto as autoridades de saúde informaram que um residente em Kent, infetado, deu entrada num hospital de Londres. Há ainda um caso de um estudante da universidade de Kent hospitalizado em França, segundo a imprensa do país.

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Apesar dos números, o ministro Wes Streeting defende que o risco geral de contrair a doença é baixo, embora a doença em si seja grave.

Tudo terá começado num clube noturno de Canterbury, em Kent, condado a cerca de 80 quilómetros de Londres, e tem estado a afetar especialmente jovens, depois de a bactéria da meningite B se ter espalhado entre alunos da Universidade de Kent e de várias escolas da região. O surto já fez dois mortos: um estudante universitário de 21 anos e uma aluna de 18 anos do secundário.

Segundo a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA), a estirpe de meningite foi identificada na terça-feira como sendo do tipo B, mas trata-se de uma variante para a qual as pessoas nascidas antes de 2015, no Reino Unido, não foram vacinadas.

A situação está a ser “gerida a nível nacional”

Depois de alguns jornais britânicos terem avançado, erradamente, que o surto de Kent tinha deixado de ser tratado como um incidente local, passando a ser uma emergência de saúde nacional, o ministro da Saúde veio esclarecer que não é assim.

Segundo Streeting, um incidente nacional só é declarado se uma emergência de saúde colocar “pressão e tensão críticas sobre o sistema de saúde”, o que não se verifica neste caso.

O que está a acontecer é que a a situação está a ser “gerida a nível nacional” pelas autoridades de saúde — Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) e Serviço Nacional de Saúde (NHS) —, mas não se trata “do mesmo tipo de incidente nacional que vimos durante a pandemia de Covid-19”.

“Estamos a acompanhar a situação de perto”, garantiu o ministro da Saúde, citado pela BBC.

Num ano normal, há um caso de meningite por dia

Falando em médias nacionais, Wes Streeting argumenta que “num ano normal, é esperado ver pelo menos 350 casos — cerca de um por dia".

Por isso, diz que não ficaria surpreendido se, "por exemplo, em diferentes partes do país surjam casos que não estejam ligados a este surto específico" em Canterbury, cidade do condado de Kent. A garantia do ministro é de que todos os casos serão analisados para perceber se têm, ou não, ligação àquele surto.

“O que nos preocupa no surto de Canterbury é o ritmo e a dimensão da propagação da doença, que são sem precedentes", defendeu o ministro Wes Streeting. “É por isso que estamos a ser tão proativos na disponibilização de antibióticos, porque são um tratamento eficaz, mas também a avançar com a vacinação a um ritmo e de uma forma que normalmente não adotaríamos.”

Na Universidade de Kent, há três dias que estão a ser administrados antibióticos aos estudantes, com o objetivo de conter as infeções.

Bebé vacinada em caso crítico

Também na região de Kent, uma bebé de 9 meses, identificada como Nala-Rose Fletcher, está hospitalizada em estado grave. Segundo os pais, citados pelo The Telegraph, a bebé contraiu a doença, apesar de estar vacinada.

No entanto, a UKHSA afirma que este caso não está relacionado com o surto de Canterbury, no mesmo condado. “A UKHSA tem conhecimento de uma bebé com infeção confirmada por meningococo do grupo B que, neste momento, não está ligado ao surto, mas continuará a investigar este caso.”

Nala-Rose adoeceu a 4 de março e os pais garantem não ter estado em Canterbury antes de a filha adoecer.

Todos os casos de Canterbury têm sido associados ao Club Chemistry e a jovens que o frequentaram nos dias 5, 6 ou 7 de março. O estabelecimento, entretanto, decidiu fechar por tempo indeterminado.

As autoridades de saúde têm apelado para que quem tenha estado no local nessas datas faça o tratamento com antibióticos.

Doente que viajou para França está “estável”

O doente que está hospitalizado em França com meningite está estável, segundo as autoridades francesas, e não foram registados outros casos da doença associados ao surto de Kent.

“Foram tomadas todas as medidas possíveis para limitar a propagação da infeção. As pessoas que estiveram em contacto de risco com o doente foram informadas e foi-lhes oferecido tratamento com antibióticos”, esclareceu um porta-voz do Ministério da Saúde francês.

Mais virulento? Ainda não se sabe

“Existem mais de 100 estirpes diferentes de MenB e estas variam na sua capacidade de invasão e virulência", explicou um especialista citado pelo The Telegraph.

Por isso, Paul Hunter, professor de Medicina na Universidade de East Anglia, diz não ser claro, por enquanto, se o tipo de meningite B identificado em Kent é mais virulento do que o habitual.

Já sobre a propagação, deixa um alerta para o aparecimentos de novos casos: “Relativamente à probabilidade de o surto se propagar mais, há duas questões. Uma é saber se pessoas que estão atualmente em período de incubação se deslocaram para outras áreas e se adoeceram depois disso.

Este é um cenário que considera "possível", mas não é o único: "A outra questão é se poderão surgir casos secundários a partir de pessoas infetadas, o que também é possível.”

A grande questão, nesta fase, defende o professor catedrático, é descobrir se esta estirpe poderá disseminar-se mais facilmente na comunidade, conclui o professor Paul Hunter. "É certamente possível, mas difícil de afirmar com certeza. Ainda não é claro quão comum tem sido a estirpe responsável por este surto nos últimos anos. Sem esse conhecimento, é difícil tirar conclusões. Ainda assim, considero que a probabilidade de uma disseminação mais alargada continua a ser baixa.”

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