Médio Oriente
Irão ameaça fechar todo o Golfo Pérsico com minas marítimas, Trump anuncia tréguas
23 mar, 2026 - 11:14 • Ana Kotowicz
“Todo o Golfo Pérsico ficará, na prática, numa situação semelhante à do Estreito de Ormuz”, ameaça Irão. Pouco depois, Trump adia ataques militares a infraestruturas energéticas por 5 dias. Preços do petróleo e do gás entraram em queda.
Esqueçam o bloqueio do Estreito do Ormuz. O passo seguinte do Irão é travar todo o Golfo Pérsico se a sua costa for atacada. É essa a ameaça feita esta segunda-feira pelo Conselho de Defesa do Irão, depois de os Estados Unidos avançarem com a hipótese de ocupar ou bloquear a ilha de Kharg, infraestrutura crucial para as exportações de petróleo do Irão.
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A coação iraniana teve efeito num curto espaço de tempo. Depois de o comunicado ter sido divulgado, o Presidente dos Estados Unidos anunciou cinco dias de uma espécie de tréguas (pelo menos, do lado norte-americano). Esta segunda-feira terminava o prazo de 48 horas dados por Trump a Teerão para reabrir o Estreito de Ormuz. Se tal nãp acontecesse, o Presidente prometeu "destruir as centrais elétricas" do Irão.
Os mercados aplaudiram as tréguas e imediatamente o preço do petróleo e do gás entraram em queda.
Donald Trump afirmou que Washington manteve “conversações boas e produtivas” com o Irão — uma ideia que tem sido sucessivamente desmentida pela imprensa próxima da Guarda Revolucionária do Irão — e, por isso, ordenou o adiamento de quaisquer ataques militares contra centrais elétricas e infraestruturas energéticas iranianas por um período de cinco dias.
E, de novo, o Irão reagiu via agência Fars: o recuo de Trump prende-se com medo de represálias iranianas e não com negociações que, insiste, não existem.
Irão ameaça com a minagem de todas as rotas de acesso
O alerta iraniano foi bastante claro: “Qualquer tentativa do inimigo de atacar as costas ou ilhas iranianas provocará naturalmente, e de acordo com a prática militar comum, a minagem de todas as rotas de acesso e linhas de comunicação no Golfo Pérsico e ao longo da costa, com vários tipos de minas navais, incluindo minas flutuantes que podem ser lançadas a partir da costa.”
A consequência é alastrar o bloqueio já imposto ao Estreito de Ormuz — aberto a todos exceto a "navios ligados ao inimigo" — à totalidade da região.
“Nesse caso, todo o Golfo Pérsico ficará, na prática, numa situação semelhante à do Estreito de Ormuz durante um longo período. Desta vez, juntamente com o Estreito de Ormuz, todo o Golfo Pérsico ficará efetivamente bloqueado, sendo a responsabilidade atribuída à parte que fez a ameaça”, refere o comunicado divulgado pela agência noticiosa Fars.
Mas há mais: no seu comunicado, o Conselho de Defesa do Irão recorda o passado e aquela que ficou conhecida como Guerra dos Petroleiros, no Estreito de Ormuz, entre 1981 e 1988 e que envolveu Terrão e Iraque. Por isso, a América "não deve esquecer o fracasso de mais de 100 navios caça-minas na década de 1980 em remover algumas minas marítimas.”
O Conselho de Defesa sublinhou ainda que os Estados não beligerantes só poderão atravessar o Estreito de Ormuz mediante coordenação prévia com o Irão.
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Como habitualmente, foi na rede social que criou, que o Presidente dos Estados Unidos anunciou a paragem das hostilidades.
“Dei instruções ao Departamento da Guerra para adiar quaisquer e todos os ataques militares contra centrais elétricas e infraestruturas energéticas iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em curso”, escreveu Donald Trump na Truth Social.
Na mesma publicação, Trump diz ter "o prazer de informar que os Estados Unidos da América e o Irão tiveram, nos últimos dois dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total das hostilidades no Médio Oriente". São exatamente estas conversas que o Irão diz que nem sequer aconteceram.
Depois desta declarações, o petróleo e o gás inverteram as subidas: em poucos minutos, o preço do barril de petróleo Brent baixou cerca de 8,6%, para os 103 dólares por barril, e o gás recuou mais de 4% para quase 57 euros/MWh — valores que ainda irão oscilar ao longo do dia.
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Embora ainda não haja nenhuma confirmação oficial (ou desmentido) do regime iraniano sobre as anunciadas conversações com os Estados Unidos, a imprensa do país tem estado a refutar as declarações de Donald Trump.
Segundo a Fars, que cita um alto responsável iraniano, não houve contato direto com o Presidente norte-americano, "nem por meio de um intermediário".
A mesma fonte diz tratar-se de um "recuo" por parte de Trump, depois das ameaças do Irão.










