Europa
“Regresso do Reino Unido à União Europeia é uma possibilidade", diz ex-embaixador
02 abr, 2026 - 22:14 • Marisa Gonçalves
O primeiro-ministro britânico afirmou que o Reino Unido deve aprofundar os laços económicos e de defesa com a Europa, no quadro da instabilidade global agravada pela guerra no Irão. O antigo Embaixador da União Europeia, João Vale de Almeida, considera que "daqui a alguns anos" deve ser considerado o regresso do Reino Unido.
O antigo Embaixador da União Europeia no Reino Unido, João Vale de Almeida, classifica como “bem-vindas” as recentes declarações do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que admitiu uma aproximação à União Europeia (UE).
Em declarações à Renascença, o diplomata adianta que essas declarações não estão desligadas do presente contexto internacional.
“Acho que o atual contexto prova bem que o Brexit foi uma má ideia. Keir Starmer tem tido um grande cuidado em não, digamos, confrontar os britânicos que votaram maioritariamente a favor do Brexit. No entanto, a situação vai-se agravando na cena internacional. A dissensão ou o afastamento em relação aos Estados Unidos é cada vez mais patente. Portanto, torna-se ainda mais evidente o quão negativo foi o Brexit para os interesses do Reino Unido”, refere.
Na passada quarta-feira, o primeiro-ministro britânico prometeu aprofundar a cooperação com a UE, destacando que o "interesse nacional" do país exige uma "parceria mais estreita" perante um mundo cada vez mais volátil.
João Vale de Almeida especifica que o mundo mudou e que as atuais condições geoestratégicas justificam essa aproximação dos britânicos à Europa.
“A Europa e o Reino Unido incluído, está sob uma ameaça de Leste, através do Senhor Putin, de uma pressão económica. Mais recentemente há também uma posição dos Estados Unidos, que não é de todo a sua posição tradicional dos Estados Unidos. Portanto, a posição do Senhor Starmer é o resultado desse novo contexto, mas a sua margem de manobra não deixa de estar limitada pela opção que os britânicos fizeram de sair da União Europeia”, adianta.
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O diplomata, que foi também Embaixador da União Europeia nas Nações Unidas e nos Estados Unidos, considera que está em causa saber até que ponto será possível ir ao encontro de uma reaproximação do Reino Unido do bloco europeu, advertindo que a questão vai colocar-se ao longo dos próximos meses.
João Vale de Almeida sublinha que, do ponto de vista económico, subsistem razões de peso para uma maior ligação do Reino Unido à Europa, tendo em conta as ligações comerciais entre ambos.
Apesar das linhas vermelhas que o diplomata refere, apontando o facto de o Reino Unido nem sequer ter decido voltar ao mercado interno ou à União Aduaneira, João Vale de Almeida pensa que há boa vontade de ambos os lados para avançar o máximo possível numa reconciliação.
“Passa muito por tudo o que podemos fazer em termos de regulamentação e de legislação que facilite a vida aos empresários, às empresas que importam e exportam, e que facilite a vida aos cidadãos. Mas, ainda vai haver alguns dossiers complicados a gerir. Se houver capacidade política de encontrar consenso, eu acho que devemos todos investir. Repare, não faz sentido algum, face aos desafios que estamos todos confrontados nestes anos difíceis, que o Reino Unido e os países da União Europeia estejam separados, não esquecendo que, eventualmente no futuro, daqui a alguns anos, se possa voltar a considerar o regresso do Reino Unido à União Europeia”, declara.
João Vale de Almeida entende as recentes palavras de Keir Starmer significam um salto qualitativo na consciencialização de que os verdadeiros aliados do Reino Unido são os países da União Europeia, insistindo que, embora não faça parte do mandato de Keir Starmer, o retorno do Reino Unido à União Europeia deve ser encarada como uma possibilidade.









