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O que comem os astronautas da Artemis II? Entre macarrão e feijão verde, há 189 alimentos a bordo
06 abr, 2026 - 14:56 • Diogo Camilo , João Pedro Quesado (vídeo)
Tripulação tem horários definidos para o pequeno-almoço, o almoço e o jantar e só tem direito a duas bebidas por dia. Pela primeira vez em missões à Lua da NASA, há uma casa de banho que tem o nome pomposo de Sistema Universal de Gestão de Resíduos.
Como é que a tripulação da nave Orion se alimenta e o que comem? Como foi escolhido o menu? E como é que preparam a comida? Estas são algumas das grandes questões colocadas por quem segue, da Terra, a missão da Artemis II, que está a levar quatro astronautas até à órbita da Lua.
A comida a bordo da nave espacial da NASA foi cuidadosamente escolhida e testada em laboratório durante semanas e tem em atenção os gostos dos quatro astronautas. Ao mesmo tempo, conjuga as necessidades nutricionais e de hidratação dos alimentos, garantindo condições de segurança alimentar e da nave, sendo fáceis de preparar e consumir.
O que estão a comer os astronautas na missão?
Ao todo, são 189 os tipos diferentes de comida, bebida, molhos e produtos a bordo da nave Orion, entre (muitas) tortilhas, chocolate, café, manteiga de amendoim ou couve-flor. Esta segunda-feira, Christina Koch, Jeremy Hansen e Reid Wiseman mostraram um pouco do que andam a comer, numa conversa por vídeo com jovens.
Entre as bebidas estão:
- 43 doses de café;
- Chá verde;
- Batido de manga e pêssego;
- Bebida de chocolate;
- Bebida de baunilha;
- Bebida de morango;
- Limonada;
- Cidra de maçã;
- Sumo de ananás;
Entre as comidas estão:
- 58 tortilhas;
- Pão de trigo;
- Quiche de vegetais;
- Salsichas;
- Cuscuz com noz;
- Salada de manga;
- Granola com mirtilos;
- Amêndoas;
- Cajus;
- Peito de vaca [equivalente português à pá] em churrasco;
- Brócolos gratinados;
- Feijão verde com picante;
- Macarrão com queijo;
- Salada de fruta tropical;
- Abóbora butternut;
- Couve-flor;
Entre os molhos e temperos no menu há:
- Xarope de maçã;
- Creme de barrar de chocolate;
- Manteiga de amendoim;
- Molho picante;
- Mostarda picante;
- Compota de morango;
- Mel;
- Canela;
- Manteiga de amêndoa;
Quem escolheu o menu?
A escolha do menu começou muito antes da missão de dez dias. No laboratório do Sistema de Alimentação Espacial Johnson, em Houston, os quatro astronautas testaram e acompanharam a escolha do menu durante semanas para garantir que a comida mantenha o sabor, ao mesmo tempo que é segura para ter a bordo.
A tripulação provou e avaliou cada um dos alimentos a bordo durante os testes pré-voo e o menu final foi definido muito antes do lançamento da nave Orion.
Na missão não há alimentos frescos a bordo, já que a Orion não tem sistemas de refrigeração nem capacidade de carregamento.
Todos os alimentos devem ser, por isso, fáceis de preparar e de consumir em microgravidade e foram escolhidos de maneira a garantir estabilidade, evitar migalhas e, claro, que se espalhem partículas.
Há horas de refeição a bordo?
Com exceção para o dia de lançamento e de reentrada na Terra, os astronautas têm horários definidos para o pequeno-almoço, o almoço e o jantar.
Cada astronauta tem direito a duas bebidas por dia, que pode incluir café. As opções de bebida são limitadas por motivos de peso, que também condicionou a quantidade de comida e bebida que é transportada a bordo.
Como é que a comida é preparada a bordo?
A comida a bordo do Orion está pronta a comer, é reidratável, termoestabilizada ou irradiada.
Os alimentos e bebidas (na sua maioria) estão desidratados e são depois reidratados em estações através de um dispensador de água potável.
A comida pode ser ainda aquecida numa placa de aquecimento em formato de pasta.
Quais as diferenças para outras missões à Lua?
O cardápio da Artemis II é bastante mais diversificado do que o de missões anteriores. As missões Apollo, que levaram o Homem à Lua nos anos 1960 e 70, tinham uma variedade limitada.
Uma curiosidade da missão Apollo 8, semelhante à Artemis II: como coincidiu com a época de Natal teve direto a uma ceia especial, com peru, molho de arando e poncha de uva.
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E como é que fazem depois as necessidades?
Tudo o que entra, tem de sair. E a missão Artemis II também é inovadora neste capítulo: existe um Sistema Universal de Gestão de Resíduos, ou aquilo que comummente chamamos de casa de banho.
Isto porque os primeiros astronautas chegaram à Lua sem terem direito a uma — o programa Apollo incluía sacos de plástico e funis, numa experiência que as próprias tripulações descreveram como "desagradável". Este sistema levou a episódios como o do Apollo 10, com fezes a flutuarem, ou do Apollo 8, com gotas de vómito a vazarem para a cabine.
O novo sistema inclui dispositivos para recolher urina, que se mantêm estáveis em microgravidade e são adaptados tanto a homens como mulheres. As estruturas começaram a ser desenvolvidas há mais de uma década e será utilizado por astronautas nas próximas missões à Lua e a Marte.
Ainda assim, não está isento de falhas. No sábado, a tripulação relatou problemas de canalização, com urina congelada nos canos de ventalização, o que levou a que a casa de banho estivesse operacional apenas para "uso fecal" até ao final desse dia, altura em que o problema foi resolvido.









