Guerra no Médio Oriente
"Isto está um verdadeiro terror". Portuguesa relata "descalabro" em Beirute após bombardeamentos de Israel
09 abr, 2026 - 08:25 • André Rodrigues
Rita Dieb evita falar em sair, embora esteja a presenciar o que descreve como o "descalabro total" do país onde vive há mais de 20 anos. Para já, não se sente falta de comida, medicamentos ou combustíveis, mas "os preços estão exorbitantes". A exclusão do Líbano do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão teve como consequência mais de uma centena de bombardeamentos que, numa estimativa inicial, mataram mais de 250 pessoas. Muitas ainda "estão debaixo dos escombros" e os hospitais da capital libanesa estão lotados. "A Cruz Vermelha pede a quem possa que dê sangue".
“É o descalabro total pelas ruas de Beirute”. A descrição é feita à Renascença pela luso-libanesa Rita Dieb, horas depois da cidade ter sido alvo de intensos bombardeamentos por parte das forças israelitas.
Apesar das exigências de Teerão, o Líbano está, por agora, excluído da suspensão da guerra.
“Tínhamos a leve esperança de que o Líbano pudesse ser incluído no acordo de cessar-fogo entre o Irão, Israel e Estados Unidos, mas também sabíamos que isso seria muito difícil”, reconhece esta portuguesa que vive há mais de 20 anos no país e que já está habituada ao som das bombas e ao medo.
A imagem de uma cidade mergulhada no caos é evidente, num relato telegráfico, mas eloquente: “as pessoas a tentarem sair das zonas que estavam a ser bombardeadas… muitas pessoas debaixo dos escombros e os hospitais de Beirute já estão a ficar lotados. A Cruz Vermelha pede a quem possa que dê sangue”.
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“Isto está um verdadeiro terror”, remata.
E ninguém sabe o que pode acontecer no dia seguinte. Rita Dieb sempre resistiu à ideia de sair do Líbano. Os dias vivem-se um de cada vez: “O medo é muito maior e não sabemos o que nos espera”. Mas a vida continua, na medida do possível.
Para já, Beirute não sente a falta de bens essenciais como alimentos, medicação ou combustíveis: “ainda não sentimos falta de nada, mas os preços estão exorbitantes e, tal como sobejamente sabido anteriormente, já havia um nível de inflação muito elevado no Líbano. Agora a situação cada vez mais tende a piorar” conclui.













