Médio Oriente
Guerra de memes. Embaixadas do Irão atacam Trump com piratas, legos e música pop
14 abr, 2026 - 16:10 • João Carlos Malta
Várias contas sociais diplomáticas iranianas lançaram uma onda coordenada de publicações com memes e mensagens satíricas sobre Trump. Usam referências da cultura pop e humor para responder aos desenvolvimentos da guerra. Há piratas, há Sun Tzu e até videoclips de músicas pop.
A meio do cessar-fogo de duas semanas na guerra do Médio Oriente, o confronto de palavras entre os Estados Unidos e o Irão tem escalado nas redes sociais. Se de Trump já sabíamos que é rápido no gatilho com publicações em cascata sobretudo no "Truth Social", agora são as embaixadas iranianas a lançar um verdadeiro fogo cruzado online, em especial no X, que tem o Presidente norte-americano como alvo.
Tudo num tom desafiador em que postos diplomáticos deixam cair as mensagens políticas tradicionais. A quantidade, a diversidade e a dispersão geográfica demonstra uma estratégia coordenada no espaço digital por parte de Teerão.
No último mês, há muitas publicações deste género. Por exemplo, a embaixada iraniana da Indonésia fez uma publicação em que colocou em evidência o caos comunicacional de Trump sobre o Estreito de Ormuz.
Nela aparece o presidente norte-americano com cartazes onde se leem comandos contraditórios:
"O Estreito de Ormuz deve ser aberto."
"Pedimos ajuda para garantir que o Estreito de Ormuz permaneça aberto."
"Na verdade, não precisamos que o Estreito de Ormuz permaneça aberto."
"Abram o Estreito de Ormuz imediatamente, ou as consequências serão graves ocorrerão."
"Vamos fechar o Estreito de Ormuz."
Inkonsistensi pernyataan Donald Trump terkait Selat Hormuz dalam beberapa saat belakangan ini.
— Iran Embassy in Indonesia (@IraninIndonesia) April 14, 2026
- “Selat Hormuz harus dibuka.”
- “Kami meminta bantuan untuk memastikan Selat Hormuz tetap terbuka.”
- “Kami sebenarnya tidak membutuhkan Selat Hormuz tetap terbuka.”
- “Buka Selat… pic.twitter.com/aY1ZCpND8i
Uma das mensagens mais virais desta vaga foi uma resposta à exigência direta de Trump para que "abrissem o Estreito". A embaixada iraniana no Zimbabué comentou no X: "Perdemos as chaves." A piada rapidamente ganhou tração sendo republicada até à exaustão.
Mas a corrente não ficou por aqui e a embaixada iraniana na África do Sul entrou na conversa, dizendo ao Zimbabué: "Shh… a chave está debaixo do vaso de flores. Só abrimos para os amigos."
O gozo continuou: a embaixada iraniana na Bulgária respondeu à discussão com outra piada, fazendo referência ao falecido pedófilo condenado Jeffrey Epstein: "Portas abertas para amigos. Os amigos de Epstein precisam das chaves."
Mas também há ataques à liberdade de expressão nos Estados Unidos da América, com acusações ao Youtube por alegadamente suprimir canais por "contarem a verdade da agressão dos EUA".
In a land that proudly hosts Pixar, DreamWorks Animation, and The Walt Disney Company, an independent animated YouTube channel — which had organically grown by depicting U.S. aggression & warmongering, and garnered millions of viewers — was abruptly shut down!!
— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) April 13, 2026
Why?!
Simply to… pic.twitter.com/uCznwWgeNr
Depois de uma das mais marcantes publicações de Donald Trump em que se dirigia aos iranianos utilizando vernáculo -"Open the Fuckin' Strait, you crazy bastards" (Abram a porra do estreito, seus malucos) - a embaixada do Irão na Tailândia sugeriu que o Presidente devia ter cuidado com "linguagem", enquanto a embaixada de Teerão na Áustria escreveu: "Quando o ouvirem, fechem os olhos… quase conseguem ver um #homemdascavernas da Idade da Pedra, vestido com uma pele de zebra..."
Numa publicação posterior, a embaixada da África do Sul, numa referência ao filme "Piratas das Caraíbas", utiliza uma imagem de Trump para o apelidar de pirata do Médio Oriente.
Na cascata de mensagens, a embaixada da Serra Leoa também se juntou à conversa e largou em tom jocoso: "Sabem que não pode bloquear o estreito a postar no X, certo? Têm de realmente aproximar os navios!"
The miserable pirates of the Persian Gulf and the Strait of Hormuz. pic.twitter.com/bOzJy9K3Rb
— Iran Embassy SA (@IraninSA) April 13, 2026
Ainda na senda dos piratas, há publicações que vão buscar referências aos que acusam Trump de ter lançado a guerra no Irão para desviar as atenções do caso dos ficheiros de Jeffrey Epstein. Nesta imagem e numa referência a plataforma de streaming Netflix, rebatiza-a de "Pedoflix".
Nesta publicação da embaixada do Zimbabué está ainda escrito que os piratas norte-americanos "ainda estão a vaguear no Oceano Índico".
But they're still just wandering around in the Indian Ocean. pic.twitter.com/YdxoYBQKLs
— Iran Embassy in Zimbabwe (@IRANinZIMBABWE) April 13, 2026
A criatividade da representação diplomática na África do Sul parece não ter limites e num falso videoclipe, reproduzindo o tom do clássico "Voyage, Voyage" dos Desireless, um falso "DJ Trump", vestido num estilo retro anos 80, aparece a cantar o tema "Blockade, blockade" (bloqueio, bloqueio):
"Nunca vou desistir. O Estreito de Ormuz tem de ser fechado. Bloqueio, bloqueio. Na minha cabeça, só bloqueio. Por favor, deixem os navios passar. Vá lá, pelo menos alguns", pode-se ouvir.
And today’s popular music: “blockade” by Trump. pic.twitter.com/7EYQ1nSTm7
— Iran Embassy SA (@IraninSA) April 13, 2026
Numa outra publicação da embaixada da Tailândia, há uma provocação com uma das consequências da guerra: o aumento do preço dos combustíveis. Graficamente, há uma referência através de um cartaz às próximas Presidenciais nos EU, em 2028.
Nele, pergunta-se aos norte-americanos se estão preparados para pagar 20.28 dólares por galão de combustível (equivale a 3,8 litros). Nas últimas semanas, o preço subiu cerca de 40% e está a rondar os quatro dólares.
Are you ready folks? pic.twitter.com/SUSiPfdiua
— Iran Embassy in Thailand ☫ (@IranInThailand) April 13, 2026
E se nos EUA há quem já fale da 25ª emenda para pedir o impeachment de Trump, os iranianos nesta guerra online também usam o tema. Uma parte significativa desta campanha centra-se em retratar o Presidente norte-americano, de 79 anos, como mentalmente incapaz e desequilibrado.








