Segurança e Defesa

Exército comum europeu? "Para criar uma força que não tem eficácia, mais vale ficar quieto”

22 abr, 2026 - 13:15 • André Rodrigues

Professor da Academia Militar António José Telo considera "interessante" a ideia de uma força comum para compensar uma eventual saída de militares norte-americanos da Europa. Mas lembra que as forças dos Estados Unidos instaladas na Europa "têm valências que, neste momento, nenhum país europeu pode ambicionar substituir".

A+ / A-
Exército comum europeu? "Para criar uma força que não tem eficácia, mais vale ficar quieto”
Ouça aqui as declarações de António José Telo. Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

A ideia de uma força europeia para responder à eventual saída de militares norte-americanos na Europa “é interessante, mas levanta vários problemas”.

É desta forma que António José Telo, professor catedrático da Academia Militar, interpreta na Renascença as declarações do comissário europeu de Defesa.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Na entrevista que concedeu à Euranet, Andrius Kubilius admite que pode ser necessária uma força militar europeia para compensar uma eventual saída da Europa de militares norte-americanos.

As forças americanas na Europa, neste momento, têm valências qualitativas que, neste momento, nenhum país europeu tem, ou pode ambicionar substituir”, refere António José Telo, apontando esse como o primeiro obstáculo a essa possibilidade.

Além disso, prossegue, “a dissuasão não está tanto no número de militares que estão na Polónia, que estão na Alemanha estacionados, mas sim nas valências e nas capacidades”, algo que “é caro e que deve existir a partir de uma coligação de vontades”.

E finalmente, “a União Europeia tem de decidir, à partida, quem é que manda [na força militar comum]”.

A resposta a essa pergunta já é dada, em parte, pelo comissário Kubilius, quando alude à criação de um Conselho de Segurança Europeu que funcionaria como tutela política de uma força militar comum.

Só que António José Telo identifica uma série de prioridades para que um eventual projeto de força comum europeia possa ser eficaz: “É preciso criar capacidades. Por exemplo, uma delas é a defesa antimíssil e antidrone. Outra diz respeito ao controlo do espaço marítimo da União Europeia. E uma outra diz respeito dissuasor nuclear”.

Serviço Militar Obrigatório? "Não estou a ver que seja adotado pela maioria dos países europeus"

Para este especialista, são “capacidades que têm de ter meios e valências sofisticados para poderem ser eficazes. Se não, está-se a mandar dinheiro para a rua… e para criar uma força que não tem eficácia, mais vale ficar quieto”.

Já sobre um eventual regresso do Serviço Militar Obrigatório, António José Telo admite que há outros meios possíveis para responder às necessidades de defesa.

“O Serviço Militar Obrigatório, além de não me parecer necessário, não estou a ver que seja adotado pela maioria dos países europeus neste momento”, diz.

Em contrapartida, António José Telo tende a concordar “com o que é feito em alguns países, sobretudo no norte da Europa, mas também, por exemplo, na Áustria, que tem um serviço em que a juventude pode optar por um serviço cívico”

Este especialista considera que, “para criar capacidades efetivas de defesa, esse serviço cívico é mais importante do que o serviço militar, para além de fortalecer a mentalidade de que somos nós, os europeus, que temos de nos defender das nossas ameaças e não podemos estar à espera de uma defesa que caia do céu ou de outro lado do Atlântico”.

Tópicos
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • António dos Santos
    22 abr, 2026 Coimbra 15:00
    Como temos uma forças armadas que são um autêntico circo!!! Tendo em conta o quadro das nossas forças armadas, Portugal só tem disponibilidade para enviar generalecos e pseudo-oficiais!!! Os portugueses são chulados pelas forças armadas!!!
  • Se não há valências
    22 abr, 2026 Criem-nas 13:42
    Ficar quieto, como diz este "especialista", não é uma opção. Assim como não é opção por de parte o Serviço Militar obrigatório só porque isso retira votos, e nas juventudes ninguém o quer fazer, porque preferem andar na rambóia e serem defendidos pelos poucos voluntários que se apresentaram para tentar defender o que é de todos - farristas incluídos. Começar por ter pronto, um efetivo que permita substituir as tropas americanas que ocupam a Europa - em caso de guerra, os "camones" saltam para barcos e aviões e regressam aos EUA, os Europeus ficam cá a lutar - e se não há valências... criem-nas.

Vídeos em destaque