População

População ativa na Europa vai cair 13% até 2030. Crise da natalidade agrava envelhecimento em Portugal

24 abr, 2026 - 07:00 • Anabela Góis , Diogo Camilo (gráficos)

Menos bebés e idosos cada vez mais solitários. O número de filhos por cada mulher em Portugal caiu para metade nos últimos 50 anos e as mães portuguesas não só têm menos filhos, como são mães cada vez mais tarde — em média têm o primeiro filho aos 31 anos.

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A população ativa na Europa vai diminuir cerca de 13% até 2030. É uma das consequências da quebra da natalidade que se verifica no continente, com consequências diretas na sustentabilidade económica e social dos vários países.

Os dados são da Pordata e vão ser apresentados numa cimeira que esta sexta-feira junta, em Lisboa, representantes de 13 países — Alemanha, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Itália, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Sérvia, Suécia e Suíça — com o objetivo de discutir a crise demográfica, definir recomendações e reforçar cooperação.

A taxa média de fertilidade europeia situa-se atualmente nos 1,38 filhos por mulher, um valor significativamente abaixo do nível de substituição das gerações, fixado em 2,1. E nenhum país dos 27 fica sequer perto desta taxa.

O resultado, alerta à Renascença Luísa Loura, diretora da base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, “são estruturas etárias com bases muito estreitas, ou seja, com pouca população jovem e com muita gente idosa, o que provoca uma preocupante diminuição da população na idade em que contribui para o crescimento da economia dos países".

Esta tendência traduz-se num envelhecimento progressivo da população, na redução das redes familiares e num risco acrescido de isolamento social, sobretudo entre os idosos. As projeções para Portugal indicam que “em 2070 teremos cerca de um milhão de pessoas com 75 ou mais anos que, no máximo, têm uma pessoa de família que lhes pode prestar apoio”. São – explica a especialista em estatística - “pessoas que hoje têm entre 30 e 40 anos, e que quando chegarem à idade em que costuma ser mais necessário terem algum apoio de estrutura familiar, essa estrutura não vai existir, não têm irmãos, filhos ou netos”.

Em Portugal, o fenómeno do chamado “inverno demográfico” assume particular relevância. A taxa de fecundidade caiu para metade no espaço de 50 anos. Em 1971 era de 3 filhos em média por mulher em idade fértil. Em 2024 baixou para 1,4.

As mulheres portuguesas não só têm menos filhos, como são mães cada vez mais tarde — em média têm o primeiro filho aos 31 anos — o que diminui a probabilidade de ter mais filhos porque “os óvulos e os espermatozoides perdem qualidades o que aumenta o risco de as gravidezes não avançarem”.

Este é outro problema a que temos de estar atentos, diz Luísa Loura, porque “isto traduz-se numa menor capacidade de ter filhos, não só porque temos menos tempo pela frente, mas também porque há maior tendência para as gravidezes não avançarem”.

Paralelamente, a evidência científica aponta para um agravamento dos problemas de infertilidade, que afetam já um em cada seis casais. O adiamento da parentalidade, fatores ambientais, estilos de vida e condicionantes socioeconómicas estão entre as principais causas identificadas.

A quebra da natalidade e a alteração da estrutura etária da população têm impacto direto no crescimento económico. O certo é que nunca houve como agora uma tão grande paridade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

E isto — sublinha Luísa Loura — “não acontecia há 50 ou 60 anos, quando o papel das mães de família era ficarem em casa. Agora as mulheres têm consciência do contributo que podem dar para o crescimento da economia e a economia tem crescido em todos os países e em Portugal também, porque todos trabalham. A economia não pode prescindir de nenhum dos sexos e isso também afeta a natalidade”.

A diretora da Pordata conclui que “não se pode ter chuva na eira e sol no nabal: ou bem que se reduz os horários de trabalho e se dá condições para ter filhos, ou se aposta tudo no crescimento continuado da economia”.

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