Visita oficial

Rei Carlos III espera "com todo o coração" que aliança com os EUA continue

29 abr, 2026 - 00:24 • Catarina Magalhães, com agências

"Desde que conquistámos a nossa independência, há vários séculos, os americanos não têm amigos mais próximos do que os britânicos", acredita Trump. Dos tópicos de conversa da realeza britânica com o casal Trump, evitaram-se conversas sobre a polémica Jeffrey Epstein.

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O Rei Carlos III apelou na terça-feira aos Estados Unidos da América (EUA) para que continuem próximos do Reino Unido e de outros aliados históricos ocidentais, numa altura em que estas relações enfrentam divergências causadas pelas guerras no Irão e na Ucrânia.

A aliança entre os dois países "não pode basear-se em sucessos passados", declarou o monarca britânico num discurso perante as duas câmaras do Congresso norte-americano, em Washington, depois de a realeza ter sido recebida na Casa Branca pelo Presidente Donald Trump na segunda-feira.

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Carlos III é apenas o segundo monarca britânico a dirigir-se a uma sessão conjunta do Congresso.

A sua mãe, Isabel II, fez um discurso semelhante em 1991, destacando os laços históricos entre os dois países e a importância dos seus valores democráticos.

"Quaisquer que sejam as nossas diferenças ou desacordos que possamos ter, permanecemos unidos no nosso compromisso de defender a democracia, de proteger os nossos cidadãos, homenageando aqueles que diariamente arriscam a vida ao serviço dos nossos países."

"Os desafios que enfrentamos são demasiado grandes para que qualquer nação os enfrente sozinha", afirmou Carlos III, instando ambos os países a defenderem os seus valores comuns e a resistirem a apelos que conduzam a um recuo "cada vez maior para o isolacionismo".

Monarquia elogia "laço eterno" com Estados Unidos

O Rei citou depois até o próprio Presidente norte-americano, Donald Trump, durante a sua visita de Estado a Londres no outono passado, referindo que "o laço de parentesco e identidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido é inestimável e eterno, é insubstituível e inquebrável".

Na presença do vice-presidente norte-americano, JD Vance, e de outros altos dirigentes da administração, Carlos III disse que reza "com todo o coração" para que esta aliança prossiga, juntamente com os outros parceiros da Europa, na Commonwealth e em todo o mundo, e que ignore as vozes que incitam os dois países "a um isolacionismo cada vez maior".

Citou também o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, com o qual Trump tem mantido uma tensa relação nas últimas semanas devido à guerra no Irão, quando falou de uma "aliança indispensável".

O monarca instou os representantes eleitos norte-americanos a demonstrarem uma "determinação inabalável" na defesa da Ucrânia contra a invasão russa e na busca de uma "paz justa e duradoura", após uma viragem no apoio de Washington a Kiev, no seguimento do regresso de Trump, em janeiro do ano passado, à Casa Branca.

Carlos III condena "ato de violência sem sucesso" ao jantar dos correspondentes

Após uma ovação de pé, as suas primeiras palavras no edifício do Capitólio (sede do Congresso) foram de condenação à violência política que tem atingido os Estados Unidos (EUA).

O monarca referiu-se à tentativa, no passado sábado em Washington, de um homem armado em introduzir-se no jantar de gala da Associação dos Correspondentes da Casa Branca como uma ação que visa "fomentar ainda mais o medo e a discórdia" nos EUA.

"Deixem-me dizer com uma firmeza inabalável: estes atos de violência nunca terão sucesso", defendeu a propósito do incidente que levou à retirada de Donald Trump, de JD Vance e da primeira-dama do local onde se encontravam também outros governantes norte-americanos.

O suspeito foi detido após se escutarem tiros na zona de controlo de segurança do jantar, realizado no Hotel Hilton Washington, e foi na segunda-feira formalmente acusado de tentativa de homicídio do Presidente norte-americano.

Carlos III, conhecido pelo seu fervor ecológico, fez ainda um apelo para a proteção ambiental perante os senadores e congressistas.

Polémica Epstein fora das conversas

Dos tópicos de conversa, ignorou-se o elefante da sala. O caso sobre o empresário acusado de pedofilia, Jeffrey Epstein, não foi, pelo menos publicamente, discutido entre o casal Trump e os reis britânicos, já que o antigo príncipe André, irmão de Rei Carlos III de Inglaterra, perdeu os títulos de família real

Apesar de também estar a ser acusado por envolvimento numa rede sexual de abuso de menores organizada pelo falecido pedófilo norte-americano, Andrew Mountbatten-Windsor foi detido, em meados de fevereiro, por ter partilhado informações confidenciais do governo britânico ao falecido magnata.

Quando o ex-príncipe inglês perdeu todos os títulos reais a 30 de outubro passado, Trump classificou o momento como "uma coisa terrível" e lamentou a detenção como um episódio "muito triste".

"Acho que é uma vergonha e é muito mau para a família real. É muito, muito triste", comentou Trump com os jornalistas na altura.

“Pensei que o rei devia isso às vítimas, tendo em conta as graves alegações de abuso envolvendo o seu irmão… Infelizmente, recusou esse pedido”, disse um representante coautor da Lei de Transparência dos Ficheiros Epstein esta terça-feira, em entrevista à agência de comunicação Reuters.

Antes da sessão conjunta no Capitólio, Donald Trump, um grande admirador de eventos da realeza, recebeu na manhã de terça-feira Carlos III e a Rainha Camila com uma pompa invulgar de militares em uniforme de gala, uma banda de música, uma salva de 21 tiros e um sobrevoo de caças.

"Desde que conquistámos a nossa independência, há vários séculos, os americanos não têm amigos mais próximos do que os britânicos", declarou o líder da Casa Branca, acrescentando que os dois países gozam de uma "relação especial", da qual espera que "assim seja sempre".

Este ano comemoram-se os 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que marcou a rutura entre as colónias britânicas e a coroa.

A visita do monarca é marcada por atritos entre Washington e Londres, sobretudo devido às críticas de Trump ao Governo britânico por não se querer envolver militarmente na guerra com o Irão e na reabertura do estreito de Ormuz, bloqueado parcialmente pela República Islâmica.

Na quarta-feira, o casal real tem viagem marcada para Nova Iorque, onde é esperada uma visita ao memorial dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

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