Crónica de Henry Galsky

Um dia no sul do Líbano. A minha experiência em Al-Khiam

15 mai, 2026 - 13:10 • Henry Galsky, correspondente da Renascença no Médio Oriente

Além da ampla destruição em função dos combates entre as tropas israelitas e membros do Hezbollah, cerca de 30 mil habitantes encontram-se deslocados.

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Pela primeira vez na guerra atual, pude entrar em território libanês, no sul do país, uma zona ativa de guerra. Estive em Al-Khiam, uma cidade libanesa a 4,5 quilómetros ao norte da fronteira e hoje ocupada pelo exército de Israel.

Além da ampla destruição em função dos combates entre as tropas israelitas e membros do Hezbollah, cerca de 30 mil habitantes encontram-se deslocados. A população muçulmana xiita – a maior parte dos moradores — vive em outras cidades libanesas, como a capital Beirute, além de Tiro e Baalbeque.

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Alguns edifícios permanecem de pé. Um deles é uma loja de roupas infantis. No fundo da loja, há um túnel. Segundo o Exército de Israel, a infraestrutura foi construída pelo Hezbollah como rota de fuga e movimentação.

Pude descer até os subterrâneos do túnel por uma pequena escada. No interior do local, um corredor longo e estreito bem construído com paredes firmes e até um gerador interno. Segundo um militar israelita, o custo do equipamento não é inferior a 400 mil shekels (cerca de 118 mil euros).

“Não temos qualquer reivindicação territorial aqui no Líbano. O Líbano é um estado soberano e permanecerá como tal. A partir do momento em que o Hezbollah não representar uma ameaça ao norte de Israel, vamos embora”, disse um militar, que pediu para não ser identificado.

Ao sair do túnel, uma militar israelita aponta-me os buracos na parede lateral da loja e também nas paredes dos outros três edifícios. Segundo ela, os buracos em formato quadrangular eram usados pelos terroristas do Hezbollah para se movimentarem internamente pela sequência de construções.

Não é possível verificar a informação, uma vez que não é possível obter a versão do Hezbollah ou documentação anterior aos combates.

“Esta não é uma zona civil, mas uma zona de combate. Deste local, o Hezbollah disparou seis mísseis antitanque contra o exército de Israel. Aqui matámos seis terroristas”, diz a militar. Também não é possível verificar de forma independente este relato.

Pergunto-lhe o que ela acha que deve acontecer com Al-Khiam no futuro: “Eu espero que não exista mais o Hezbollah e que possamos ter um acordo com o Líbano. Mas, realmente, não sei o que pode acontecer”, diz.

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