Estados Unidos
Stephen Colbert "cancelado pelo monstro cor de laranja". Luís Filipe Borges e Nilton criticam fim do "The Late Show"
22 mai, 2026 - 01:17 • Catarina Magalhães
Muitos admiradores do programa supõem que o fim desta era na televisão possa ter sido influenciado pelas críticas mordazes e assíduas de Colbert a Trump. Nilton e Luís Filipe Borges, os antigos apresentadores do "talk show" português "5 Para a Meia-Noite", falam em "despedida forçada" e "pressão política".
Depois de 33 anos de história na televisão norte-americana, desligam-se as luzes e arruma-se o cenário do "The Late Show".
Conduzido há mais de dez anos por Stephen Colbert, o último episódio do programa da CBS vai ser transmitido na noite desta quinta-feira (fuso horário de Nova Iorque), mas há mais de um ano que se fala nesta despedida polémica.
"Foi a primeira pessoa contra quem o Trump começou a disparar mal entrou na Casa Branca", disse Nilton, o humorista e antigo apresentador do "talk show" português "5 Para a Meia-Noite" à Renascença.
Colega comediante e ex-apresentador do mesmo programa da emissora pública, Luís Filipe Borges, também acredita que esta é "uma despedida forçada".
Muitos admiradores supõem que o fim desta era possa ter sido influenciado pelas críticas assíduas ao Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump.
Apesar das ameaças e de ser acusado por Trump como "um tipo sem talento", "sem graça", "nojento" com um programa "muito aborrecido", o humorista, de 62 anos, nunca hesitou em criticar Trump e até a própria emissora norte-americana.
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Em 1993 começou a história deste marco da cultura popular norte-americana – que o resto do mundo abraçou – nas mãos de David Letterman. Colbert pegou no testemunho e assumiu a partir de 2015 os comandos como anfitrião do "The Late Show".
Os monólogos políticos e satíricos que não davam descanso à governação de Trump – desde a época das bandeiras e bonés "Make America Great Again" da campanha presidencial à Casa Branca – e acabaram por resultar, em julho de 2025, no anúncio de cancelamento do programa.
Televisão
Trump vs. humoristas. "Adora" despedimento de Colbert e diz que "Kimmel é o próximo"
Presidente norte-americano congratula-se pelo fim (...)
Apesar da dona estação televisiva CBS, a Paramount, ter justificado a decisão como uma questão "financeira", o fim do "The Late Show with Stephen Colbert" coincidiu com um acordo entre a empresa-mãe do canal norte-americano e o Presidente dos EUA devido a uma entrevista com uma "edição enganosa" à sua antiga adversária democrata, Kamala Harris, no programa "60 Minutes".
Depois de a CBS chegar a acordo num processo de cerca de 16 milhões de euros, Colbert descreveu a situação, durante a emissão do programa, como um "enorme e rechonchudo suborno". Dois dias depois, foi publicada a notícia de que o programa seria descontinuado em meados de 2026.
"Adorei que Colbert tenha sido despedido. O seu talento era ainda menor do que a sua audiência", celebrou Trump nas redes sociais.
"'The Late Show' é vítima de pressão política"
"É uma tristeza, porque talvez seja dos humoristas mais consensuais e equilibrados", lamentou Nilton sobre a saída do apresentador norte-americano.
Para o humorista, Colbert era uma "importante bitola" no humor e na televisão e, por isso, estranha esta despedida.



"Acho estranho porque há pessoas bem mais radicais, como o Jimmy Kimmel ou o Jon Steward, mas talvez isto tudo é relacionado com os patrões", justificando que "o programa 'The Late Show' é vítima de pressão política".
"Perdem-se bons valores para sempre. O mundo fica mais pobre", disse Nilton.
"É o fim de uma das horas de televisão mais privilegiadas de sempre"
"É muito bonito ver o quanto o Stephen Colbert está a ser celebrado nestes últimos dias." Para Luís Filipe Borges, também é fácil elogiar o percurso de Colbert, mas o fim deste programa "é terrível para a liberdade de expressão".
"É o fim de uma das horas de televisão mais privilegiadas de sempre na história dos Estados Unidos", afirma.
Stephen Colbert "foi cancelado pelo monstro cor de laranja que é líder da maior superpotência do mundo", atira o humorista.
Sobre o motivo da descontinuação do "The Late Show", Luís Filipe Borges resume a "uma desculpa esfarrapada" que "deixa um gosto muito amargo na boca".
"É evidente que os 'talk shows' têm menos audiência hoje do que já tiveram no passado, mas a explicação é muito simples: o nosso público está estratificado por um sem fim de plataformas, mas, mesmo assim, continuava a ser líder no seu horário", relembra.
Confessando até que o "The Late Show" era o seu programa preferido para ver enquanto tomava o pequeno-almoço, Luís Filipe Borges acredita que vão fazer falta "os monólogos do crítico muito ferrenho do Estado do Mundo e do líder dos atuais inenarráveis Estados Unidos".



E o que se segue?
Colbert vai despedir-se do "The Late Show", segundo o próprio, com um episódio "algo simples", de duração alargada e convidados surpresa.
Em homenagem ao trabalho do colega, tanto Jimmy Kimmel como Jimmy Fallon não vão transmitir um novo episódio na noite de despedida da televisão de Colbert, repetindo um antigo.
Depois desta despedida, o programa vai ser retirado da grelha da CBS e vai ser substituído pelo programa "Comics Unleashed", do empresário Byron Allen.








