Entrevista Renascença

Embaixadora do Paquistão: "Temos de respeitar a lei. Digo à minha comunidade para aprenderem a língua"

18 jun, 2026 - 07:00 • Alexandre Abrantes Neves

Aisha Farooqui relembra que por "detrás dos números há sempre uma história" e avisa que os paquistaneses estão "mais preocupados" com as novas leis mais restritivas para a imigração em Portugal. Quanto ao conflito no Médio Oriente, a embaixadora vê em Israel uma "pedra no sapato" para o acordo que Islamabad mediou entre Estados Unidos e Irão: "Deve haver muita introspeção sobre Israel".

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A embaixadora do Paquistão em Portugal assume que a comunidade paquistanesa está mais ansiosa com as novas regras da imigração, mas garante que os paquistaneses continuam a “respeitar a lei do país” e que estão a acatar as ordens de abandono emitidas pela AIMA.

No gabinete onde mantém um exemplar das centenas de bolas oficiais do Mundial 2026, produzidas no Paquistão, Aisha Farooqui conversou com a Renascença sobre as dificuldades na integração de imigrantes, mas também deixou avisos à própria comunidade: “Têm de aprender a língua”.

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Sobre o Médio Oriente, acusa Israel de ser uma “pedra no sapato” e diz que o mundo “não esquece os horrores de Gaza”, sugerindo até que a Europa e os Estados Unidos têm de refletir sobre a relação com o parceiro judaico.

Já quanto ao risco de uma guerra com a Índia, a embaixadora avisa que estamos “mais perto” de um conflito militar, entre dois países com armas nucleares: “Levamos isto muito a sério. Encaramos isto como uma ameaça à sobrevivência da nação paquistanesa”.


A comunidade paquistanesa tem sido uma das que mais cresceu aqui em Portugal nos últimos anos. Que números concretos tem relativos aos últimos anos?

Nos últimos dez anos, diria eu, a comunidade paquistanesa cresceu significativamente. A nossa estimativa é de que vivam em Portugal cerca de 50 mil paquistaneses, principalmente em Lisboa, na zona do Porto e também no sul, perto de Faro. A maioria são migrantes recém-chegados a Portugal e trabalham em empregos temporários ou no setor agrícola. Alguns estão no setor das tecnologias da informação: são os chamados “nómadas digitais” e prestam serviços a empresas portuguesas. Outros são proprietários de pequenos negócios, incluindo restaurantes. Têm pequenas lojas, etc... Trata-se de um perfil diversificado. Temos também um número crescente de estudantes que vêm para Portugal para frequentar o ensino superior.

Notou alguma diminuição no número de paquistaneses a chegar a Portugal nos últimos dois ou três anos?

Pode ter havido um ligeiro declínio. Os padrões de migração são um pouco como um eletrocardiograma: têm os seus altos e baixos. Por isso, penso que estamos nessa fase. É uma comunidade em crescimento e, tal como a maioria das comunidades de migrantes, há algumas histórias positivas e outras mais difíceis.

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Mas as histórias difíceis têm mais destaque...

Temos assistido a uma onda, noutras partes da Europa e noutras partes do mundo, em que as comunidades de migrantes são geralmente vulneráveis e um alvo fácil para questões sociais e económicas. Infelizmente, isto acontece. A migração tem várias razões pelas quais as pessoas optam por migrar do seu país de origem. Trata-se de questões sociais, por vezes políticas e, por vezes, também económicas.

Assim, a nossa comunidade também se depara com esse tipo de fatores. Acho que estes novos portugueses, como lhes chamo, têm uma cultura diferente. E, por isso, quando não se conhece o outro que parece diferente de nós, isso suscita certos receios. Mas são apenas receios. Não se baseiam na realidade. E é por isso que a minha mensagem aos membros da minha própria comunidade aqui, nos últimos seis meses, tem sido que têm de aprender a língua. É muito importante para eles, para se integrarem na sociedade portuguesa, para compreenderem a cultura e as pessoas que agora consideram o seu lar. E, para isso, a língua é a chave.

E estão dispostos a fazê-lo?

Sem dúvida. Claro que é um trabalho árduo, mas continuo a incentivá-los nesse sentido.

Estava a dizer que é normal que os imigrantes, de certa forma, sejam alvo de razões económicas e sociais em diferentes países da Europa. Acha que isso aconteceu especificamente em Portugal nos últimos anos?

É a situação atual do mundo. Não é algo específico de Portugal.

Portugal é uma porta de entrada para outros países europeus para a comunidade paquistanesa?

Para alguns pode ser, mas para muitos não é. É um local acolhedor. Só o clima já é muito convidativo, muito atraente. Lisboa é uma cidade linda. As pessoas, e os portugueses em particular, são acolhedores.

No ano passado, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) rejeitou aproximadamente 3.000 pedidos de cidadãos paquistaneses. Está ciente das principais razões?

Ao abrigo das leis de privacidade, é difícil para a agência partilhar esse tipo de dados. Também acredito que é prerrogativa da República Portuguesa aceitar ou rejeitar quem deve estar no seu país. Compreendo isso perfeitamente e respeitamos isso.

Mas será que estas pessoas abandonaram o país ou conseguiram que o pedido fosse aceite?

Não conheço esses casos ou exemplos específicos, como já disse, porque não temos acesso a essa informação. Tudo o que recebemos são relatos isolados, opiniões, mas tenho a certeza de que muitos deles se foram embora por essa razão.

Em circunstâncias difíceis?

Como disse, são apenas relatos. Por isso, não é algo que eu possa partilhar, porque não tenho provas.

Também é difícil obter vistos para Portugal a partir do Paquistão?

Posso falar sobre vistos de negócios. E penso que isso é algo que não é muito fácil de obter. Asseguramo-nos de que os empresários que vêm para cá têm credenciais genuínas, têm as suas empresas registadas, etc. Claro que devia ser mais fácil.

Israel é um obstáculo. Estamos preocupados e penso que até os Estados Unidos partilham essa preocupação.

Sobre o reagrupamento familiar. Tem sido uma questão difícil para os imigrantes aqui em Portugal. É motivo de preocupação para algumas embaixadas. Também é para a embaixada do Paquistão?

Com disse antes, respeitamos a legislação que foi aprovada para os imigrantes. Mas sim. É difícil para as famílias que aguardam vistos para que o resto da família se junte a elas. E a minha mensagem para elas é que têm de respeitar a lei do país. Têm de seguir o que lhes foi aconselhado a fazer e aceitar o tempo que demora até o visto ser aprovado para que o resto da família se junte a elas.

Mas, de certa forma, seria bom para a comunidade paquistanesa se o processo de reagrupamento familiar aqui fosse, pelo menos, mais rápido?

Isso representa um grande fardo, tanto a nível social como económico. Por exemplo, para lhe dar um caso concreto, se houver mulheres que estão aqui com os filhos e o marido está à espera do visto, então a situação é difícil. Conheço algumas pessoas que estão à espera de que o visto das suas esposas seja aprovado e que já não veem os filhos há algum tempo. Por detrás de cada estatística, há uma história, uma história humana. E penso — e sei porque sou um decisor político — que é sempre bom estar atento ao que os números não mostram. Sempre.

Com a restrição das leis da imigração, o bem-estar dos paquistaneses deteriorou-se? Sentem-se mais assustados?

Não creio que estejam assustados. Preocupados, sim, porque o prazo aumentou — creio que era de cinco anos antes e agora é de dez anos. Mas, como disse, esta é a lei do país e têm de a respeitar. Nós respeitamo-la. A comunidade respeita-a. É o que é.

Passando agora ao Médio Oriente, o Paquistão surgiu como um importante mediador no conflito entre os Estados Unidos e o Irão. Espera que o período de 60 dias seja respeitado sem ataques mútuos?

Há um enorme desejo de pôr fim a este conflito, uma vez que este afetou quase todas as nações do mundo de uma forma ou de outra — desde os Estados Unidos até à região do Pacífico Asiático, passando pela Austrália, Indonésia e Timor-Leste. Todos os países foram afetados de uma forma ou de outra. Portanto, existe um enorme desejo.

Vê esse desejo em Israel? Ou é uma pedra no sapato para o acordo?

Gostaríamos de o ver também em Israel. Ouvimos as recentes declarações que têm vindo de lá. Obviamente, preocupam-nos e devem preocupar todo o mundo, porque esse desejo de paz deve ser partilhado também pelo governo de Israel. Por isso, de certa forma, é um obstáculo a este cessar-fogo. Desde que este conflito eclodiu, no final de fevereiro, houve tantas ocasiões em que se vislumbrava um acordo e ocorria um ataque, fosse no Líbano ou noutras regiões, o que vinha minar as já frágeis negociações. Por isso, sim [é uma pedra no sapato]. Estamos preocupados e penso que não estamos sozinhos nessa preocupação. Penso que até os Estados Unidos partilham essa preocupação.

Como vê a atitude de Israel e também a sua influência no Médio Oriente?

Penso que o mundo inteiro tem assistido com horror às atrocidades e à brutalidade que se têm desenrolado desde 7 de outubro de 2023, em particular. As milhares de crianças palestinianas mortas ou mortas de fome, e o mundo inteiro é testemunha disso. O Paquistão não reconhece oficialmente Israel, mas noutras partes do mundo onde havia reconhecimento e relações com Israel, as pessoas ficaram horrorizadas com o que foi permitido que acontecesse — e não apenas permitido, mas em que se participou ativamente. Por isso, penso que deve haver muita introspeção a ocorrer sobre Israel.

E também introspeção por parte dos Estados Unidos e da Europa, que reconhecem Israel e têm sido aliados há décadas?

Bem, penso que cabe a eles decidir como querem proceder.

O Paquistão continua a promover esforços para garantir que Israel respeite o acordo?

Não creio que caiba ao Paquistão garantir isso, já que não temos influência nessa matéria. O que podemos garantir é que nos mantemos firmes no caminho da mediação e facilitação, para que este conflito com o Irão termine. Temos laços muito estreitos. Partilhamos uma fronteira de 900 quilómetros com o Irão. Temos laços fraternos, históricos, culturais e religiosos com o Irão. Não desejamos ver qualquer conflito a agravar-se na nossa região. Por outro lado, temos laços fraternos com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Bahrein, toda a região do Golfo e do Médio Oriente. Assim, como disse, este conflito estava a afetar alguns dos nossos aliados mais próximos.

Sobre a questão nuclear. Trump retirou-se do acordo nuclear com o Irão, assinado em 2016. Disse que era insuficiente. Desde aí, tem sido realmente difícil chegar a um acordo. Acha que é realista que possamos chegar a um acordo nuclear em apenas 60 dias?

Espero que as negociações que terão início após a assinatura do acordo adotem uma visão holística da relação entre os Estados Unidos e o Irão na sua totalidade. Não nos esqueçamos de que, nos últimos 47 anos, não se comunicaram entre si a nenhum nível. Mas estamos muito empenhados em que esta questão específica, que tem realmente atormentado as relações entre estes dois países, seja abordada de uma forma sustentável.

Estes 60 dias servirão também para garantir a navegação a longo prazo e isenta de portagens através do Estreito de Ormuz. Não poderia isto ser utilizado como moeda de troca pelo Irão para reduzir o programa nuclear?

Bem, não sei o que será ou não utilizado como moeda de troca pelos iranianos. Sabe, não posso falar em nome do Irão. Mas a abertura do Estreito de Ormuz é muito importante. Estava aberto antes de 28 de fevereiro. E acho que o mundo precisa que esteja aberto.

O preço do petróleo bruto ainda não recuperou...

Estamos otimistas de que as coisas vão mudar e que o preço começará a descer assim que o acordo for assinado e as negociações entre as partes tiverem início.

O Paquistão foi o parceiro preferido do Presidente Donald Trump para as negociações: Trump chegou mesmo a defender Islamabad face a algumas críticas vindas do Partido Republicano. Estas negociações melhoram as relações com os Estados Unidos?

O Presidente Trump, de forma muito gentil e generosa, apreciou, reconheceu e valorizou o papel desempenhado pelo Paquistão e pela sua liderança, tanto civil como militar. Eles desempenharam o seu papel para garantir que o processo de negociação e mediação não parasse nem fosse interrompido e que, apesar de todos os desafios, tentássemos manter-nos consistentes e firmes, para levar as questões até ao ponto em que nos encontramos hoje. Temos também a humildade suficiente para saber que este é um esforço da nossa parte que ajudará não só o Paquistão, mas o mundo inteiro.

Por detrás de cada estatística, há uma história humana. E penso — e sei, porque sou um decisor político — que é sempre bom estar atento ao que os números não mostram

Será que estas negociações colocam, de alguma forma, o Paquistão numa boa posição para mediar outros conflitos, como o da Ucrânia? Também têm boas relações com a Rússia…

Acho que o conflito na Ucrânia é um pouco diferente em termos de contexto, e o contexto é importante.

A mediação do Paquistão neste conflito no Médio Oriente mostra o poder de negociação limitado de outros intervenientes?

O contexto é importante, e o contexto geográfico e histórico é realmente importante no nosso caso, no contexto do conflito com o Irão. A nossa geografia, a nossa história e a política externa do Paquistão nas últimas quase oito décadas levaram-nos a este ponto em que podemos desempenhar este papel.

Durante este processo, outros intervenientes, como a China ou a Rússia, foram informados sobre o andamento das negociações?

Seja a Turquia, o Egito, a Arábia Saudita, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos ou os líderes chineses, temos estado em contacto com todos para que também estejam a par da situação e de como cada um pode contribuir para pôr fim ao conflito.

A China foi um contribuidor importante.

Os chineses... Não estou a par de todos os pormenores, mas sei que todos estes são parceiros pela paz.

Será que esta posição de destaque do Paquistão nas últimas semanas, de liderança regional, poderá deteriorar ainda mais a relação com a Índia?

Não sei o que significa deteriorar ainda mais. Tivemos uma guerra com eles há um ano, uma guerra que nos foi imposta. Não fomos nós que a provocámos. Não fizemos nada para provocar esse ataque. Foi a Índia que o desencadeou, em maio de 2025.

O acordo sobre a água do Indo foi suspenso e há a confirmação de que a Índia está a levar a cabo projetos que cortam o caudal dos rios que fluem para o Paquistão. Estamos mais próximos de um conflito, potencialmente nuclear?

Penso que sim. Quando se está perante um vizinho hostil que declara abertamente que vai cortar até à última gota de água a um país de 250 milhões de pessoas... Levamos isto muito a sério. Encaramos isto como uma ameaça à sobrevivência da nação paquistanesa. A Índia está a usar a água como arma de guerra. Construiu infraestruturas no rio para que o fluxo de água para o Paquistão se torne cada vez menor, ou detém a chave para abrir as barragens de modo a que o Paquistão seja inundado, afetando as colheitas e o ciclo agrícola no Paquistão.

O mundo deveria estar preocupado com o potencial conflito nuclear?

Penso que o mundo deveria estar, sem dúvida, muito preocupado com o que está a acontecer no Sul da Ásia.

O que a Índia está a fazer é, de certa forma, aproximar a guerra?

Sem dúvida, porque eles não acreditam na paz.

E o Paquistão está aberto a negociações?

Já o afirmámos ao mais alto nível, não uma, mas em muitas ocasiões. O Paquistão, como o mundo também reconhece agora, é um país pacificador. Somos um país que promove a paz. Não desejamos entrar em guerra com a Índia nem com mais ninguém. Somos vítimas da agressão do nosso vizinho oriental.

A Índia afirma que o Paquistão, de alguma forma, facilita o terrorismo em ambas as fronteiras. Há alguma verdade nisso? Considera que esta narrativa também constitui uma agressão ao Paquistão?

O Paquistão ainda hoje tem sob a sua custódia o espião indiano Kulbhushan Jadhav, um oficial no ativo da Marinha indiana, que foi detido no Paquistão por realizar operações terroristas no país. Por isso, penso que a narrativa que a Índia tem vindo a espalhar nas últimas décadas é muito vazia, porque temos provas do que a Índia tem vindo a fazer no Paquistão e não apenas no Paquistão. Acreditamos que a Índia enviou missões terroristas para o Canadá e para os EUA para matar dissidentes.

Nesse sentido, a narrativa afegã de que o Paquistão ajuda o Daesh também não faz sentido?

Temos mantido contactos com o regime talibã no Afeganistão para lhes recordar que têm de honrar as promessas que fizeram ao Paquistão. Para garantir que os terroristas não encontrem refúgio no Afeganistão e não ataquem o Paquistão, nem a população civil nem as forças armadas, nem as infraestruturas nem o pessoal. Nós é que temos esse desafio.

Este conflito com o Afeganistão começou após uma longa aliança entre os dois países. O que é que mudou?

Não temos o luxo de não colaborar com o Afeganistão, independentemente de quem esteja no governo, uma vez que somos vizinhos com uma longa fronteira. Nós temos mantido contactos com eles de boa-fé e como bons vizinhos. E queremos ajudar a reconstruir o Afeganistão.

Mas não foi recíproco?

Não foi correspondido. Algumas das questões centrais que o Paquistão enfrenta não foram abordadas da forma que esperávamos. O desafio do terrorismo, e o facto de existirem grupos terroristas apoiados pela Índia que se encontram no Afeganistão e que estão a utilizar esse território para atacar o Paquistão. Penso que, se o povo paquistanês está a ser morto em hospitais e mesquitas, é do nosso interesse, acima de tudo, garantir que isso não volte a acontecer.

Tem havido algumas críticas sobre o atual governo no Paquistão e uma subida ao poder com base numa fraude eleitoral. Considera que a democracia está no bom caminho no Paquistão?

Penso que a democracia é um processo e não um destino. Na nossa história, houve três ocasiões em que a democracia foi suspensa. Mas o povo do Paquistão está unido no consenso de um país democrático e pluralista.

E a tensão em torno de Imran Khan, primeiro-ministro detido em 2023 por acusações de corrupção, não foi algo que comprometeu significativamente esse processo?

Quer se trate de Imran Khan, quer se trate de outros partidos políticos que fazem parte da cena política do Paquistão, todos respeitam o processo eleitoral.

Em janeiro deste ano, apresentou cartas credenciais ao então presidente português. Como avalia os primeiros seis meses do seu mandato aqui?

Devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendida com Portugal, com o povo português e com Lisboa. E estou muito contente por estar aqui.

Já conheceu o novo presidente? E, se sim, notou algumas diferenças entre os dois?

Tive a honra de o conhecer, brevemente, num evento há algumas semanas, e também nas cerimónias do Dia Nacional, nos Açores, na semana passada. Penso que cada líder traz a sua personalidade para o cargo. E, como todos sabemos, não há duas pessoas iguais. Por isso, penso que o Presidente Seguro irá trazer o seu estilo de liderança para o seu cargo de grande, grande responsabilidade. E tenho a certeza de que será bom para o povo português.

Que é diferente, mais discreto.

Como disse, cada líder tem uma personalidade diferente.

Portugal e o Paquistão celebraram recentemente 75 anos de relações diplomáticas. Que futuro vê para a relação entre os dois países?

O Paquistão ajudou Portugal em 1961, com a guerra em Goa. E muitos cidadãos portugueses, bem como a comunidade goana, passaram por Karachi, no Paquistão, na viagem a partir de Goa. As nossas relações existem há muito tempo e gostaria de as ver fortalecerem-se ainda mais. E gostaria de ver áreas mais diversificadas onde possamos promover a cooperação e a colaboração, seja no comércio e na economia, seja na cultura ou no turismo.

O setor têxtil representa uma parte muito significativa das exportações do Paquistão. Além disso, proporciona emprego a muitas pessoas. Somos um país grande, com 250 milhões de pessoas. Por isso, a criação de emprego e as indústrias de mão-de-obra intensiva são algo de que o Paquistão necessita. Tanto o setor têxtil como a agricultura proporcionam-nos isso, e penso que a situação é, de certa forma, semelhante em Portugal. Ambos são setores importantes. Estou a tentar ser a ponte que liga o setor privado da indústria têxtil em Portugal ao setor privado têxtil no Paquistão.

É mulher, é embaixadora. Algo ainda pouco usual. Considera que desempenhar este papel ajuda a melhorar a imagem dos países islâmicos?

Sou a sétima mulher embaixadora enviada pelo Paquistão a Portugal nos últimos 75 anos. Por isso, sinto-me muito orgulhosa do facto de Portugal ser provavelmente o país para onde enviámos mais mulheres embaixadoras. Com uma população da nossa dimensão — 50% de mulheres —, há muito a fazer no Paquistão para dar às mulheres o lugar que lhes cabe. Mas isto não é exclusivo do Paquistão. Penso que muitos, muitos outros países no mundo também estão a lutar para alcançar a paridade de género. Por isso, também estamos no nosso caminho para tentar melhorar. Mas penso que já fizemos bastante.

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