Reino Unido

Príncipe Harry em visita ao Reino Unido: reatar de relações expõe feridas abertas

07 jul, 2026 - 17:52 • António Fernandes

Depois de anos de pressão mediática dado o envolvimento do Príncipe André no caso Epstein, Buckingham Palace estava a aproveitar um período menos intenso. A visita de Harry ao Reino Unido, inicialmente vista como um passo em frente, mete essa paz em cheque ainda antes de começar.

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Tolstoi escreveu que todas as famílias felizes se parecem, mas que as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. Sobra, talvez, no seu universo próprio, a família real britânica.

Expostos constantemente aos insaciáveis jornais tabloides britânicos, os seus problemas são expostos a todo o mundo, mas geralmente resolvidos com o secretismo que o Palácio de Buckingham nos habituou. Um caso foge à regra: o príncipe Harry. Os detalhes da infelicidade de Harry e Meghan, a duquesa de Sussex, enquanto membros da família real foram partilhados em várias entrevistas dadas pelo casal e na autobiografia de Harry.

Há até a descrição de uma altercação física entre Harry e o irmão, e príncipe herdeiro, William.

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Depois de anos de pressão mediática, dado o envolvimento de André (o irmão do rei que perdeu o título de príncipe) no caso Epstein, Buckingham estava a aproveitar um período menos intenso. A visita de Harry ao Reino Unido, inicialmente vista como um passo em frente, mete essa paz em cheque ainda antes de começar.

A visita

Desta vez, os primeiros sinais prometiam uma reaproximação entre Harry e a família real, cujos deveres abandonou em 2020.

Desde que se mudou com Meghan para os Estados Unidos, Harry tem estado afastado do Reino Unido, mantendo as visitas espaçadas. Além disso, desde 2022 que Harry se deslocava sempre sozinho. A última visita familiar com os dois filhos ocorreu no jubileu de platina da rainha Isabel II e, mais tarde nesse ano, esteve também presente no funeral da rainha acompanhado só por Meghan.

A atual visita de cinco dias foi anunciada como sendo uma visita a quatro e em muito se parece com o tipo de deveres reais de que Harry se afastou quando deixou de ser uma figura senior da família real.

Esta terça-feira, Harry foi a tribunal para ouvir o veredicto negativo de um caso contra o grupo que detém o jornal Daily Mail, que era acusado de práticas ilegais para obter informações para as suas histórias.

No resto da semana estão planeadas várias visitas instituições de caridade, um hospital para crianças e o grande foco da viagem é a promoção dos Jogos Invictus, uma competição desportiva internacional para milhares de veteranos, ou militares no ativo, que tenham sofrido lesões ou doenças graves no cumprimento do seu dever. Em 2027 os jogos vão acontecer em Birmingham, regressando ao Reino Unido pela primeira vez desde que foram criados em 2014, precisamente por Harry.

Um convite e duas versões

A grande premissa de que este era o regresso ao Reino Unido para toda a família está agora em risco. Desde que deixou de ser membro ativo da família real, Harry tem estado em disputa relativamente à sua segurança.

O Ravec, o comité executivo para a segurança de figuras públicas, decidiu que, no seu novo estatuto, Harry não tinha direito garantido a segurança financiada pelo Estado. Por isso, em 2025, Harry disse em entrevista: "Não consigo ver um cenário em que vou trazer a minha mulher e filhos de volta ao Reino Unido".

Quando ficou confirmado que, desta vez, também não teria segurança assegurada, a visita familiar passou a singular. Pelo menos para já: é possível que Meghan e os filhos — Archie e Lilibet — se juntem a Harry em Birmingham.

Em Londres estava planeado um dos pontos altos da viagem, o reencontro do Rei Carlos III com os netos.

Com as alterações dos planos, esse encontro pode já não ser possível dado o calendário apertado do rei. Os media ingleses sonhavam com a possibilidade de uma foto de família que unisse todos os netos, apesar de David Yelland, antigo editor do The Sun, ter dito à BBC que as questões "que envolvem essa foto são tão complexas que quase de certeza que não vai acontecer".

"Começas a pensar nas negociações entre os dois lados: quem fica onde, quem fica ao lado do Rei, onde fica a Meghan, etc.", disse. Yelland foi mais longe e disse que seria mais fácil ver "uma foto de Trump e Putin juntos".

Havia, ainda assim, notas de esperança. Depois de um encontro privado com o Rei em 2025, o primeiro em anos, Harry tinha até convite para ficar hospedado em Buckingham, residência oficial de Carlos III. E aqui começa nova disputa familiar.

Harry diz que aceitou o convite, mas que foi depois retirado, dizendo-se desapontado com a decisão. Buckingham rejeita essa versão e, em comunicado, confirma que Harry não ficará hospedado no Palácio porque respondeu fora do prazo. Assim, não foi possível criar as condições necessárias para o receber.

Fora dos planos estará também um encontro com o príncipe William, sinal das relações extremadas entre os dois. Segundo comentadores especializados nas questões da família real, William não está particularmente focado em encontrar um caminho de reconciliação com o irmão, seu padrinho de casamento.

A visita que tanto prometia para o reatar das relações está longe de ser um conto de fadas e, mais uma vez, mostrou que as feridas que levaram Harry a mudar-se para os EUA continuam abertas. A ideia de uma nova era nas relações familiares continua a ser isso mesmo, uma ideia só.

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