Novas Crónicas da Idade Mídia

A guerra dos chapéus de sol

04 jun, 2026 - 17:50 • Eduardo Oliveira e Silva, Luís Marinho, Luís Marques e Rui Pêgo

A greve geral, Passos voltou a cruzar-se com Ventura, o direito ao guarda sol na praia, o concurso internacional para a distribuição de jornais, a opacidade das grandes empresas na relação com os clientes e a festa da vitória do PSG na Liga dos Campeões que terminou em confrontos nas ruas de Paris são alguns dos temas em destaque nas Novas Crónicas da Idade Mídia desta semana.

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A guerra dos chapéus de sol. Veja aqui as Novas Crónicas da Idade Mídia
A guerra dos chapéus de sol. Veja aqui as Novas Crónicas da Idade Mídia

Paris ardeu na celebração da vitória do PSG na Champions. Puro vandalismo: monstras partidas, carros destruídos, bicicletas e trotinetes incendiadas. Violência para cantar uma vitória futebolística. Um absurdo sem tamanho. O "Le Monde" nada disse sobre mais um surto de insanidade na capital francesa. As redes ocuparam-se a alimentar o fogo com comentários racistas e xenófobos. É este o retrato de França?

A TA Sport, empresa que produziu a transmissão do jogo da final da Taça, veio, em comunicado, pedir desculpa pela lamentável omissão de imagens dos jogadores do Torreense durante o hino nacional. A RTP nada disse, embora tenha responsabilidade plena pela emissão. A propósito deste episódio, Pedro Frazão, deputado do Chega, quer mandar fechar a RTP. Com que fundamento? Conversa!

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O concurso internacional para a distribuição de jornais está na rua. Vai durar 60 dias. São três milhões de euros de apoio do Estado em três anos para ajudar a fazer chegar a imprensa a todos o país, com particular incidência em 96 municípios com mercados menos interessantes. O concurso estipula maior apoio nos municípios com menos habitantes e menos densidade populacional. Faz todo o sentido. Vamos ver o que sai dali. Para já, a iniciativa vai a crédito do Governo. Fez o que lhe compete.

Um cidadão banhista pode pôr o chapéu de sol, entre as cadeiras da área concessionada e o mar? A ministra do ambiente diz que sim. As praias são públicas. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) veio reafirmar que os cidadãos podem instalar todos os artefactos (chapéus e corta vento) à frente das zonas concessionadas ou onde quiserem. Os concessionários estão em choque. As áreas de concessão não estavam claramente definidas? E os clientes que compram sossego e tranquilidade não têm direitos? Outra polémica para antecipar o Verão é a produzida pela Herdade da Comenda que diz ser dona de 5 praias na Arrábida. Intentaram uma ação judicial, no final do ano passado, para fazer valer os alegados direitos. Veremos o que dizem os Tribunais. O Dr. Salgado nunca presumiu que era dono das praias da Comporta.

Clara Ferreira Alves, denuncia na Revista do Expresso (29.maio), a opacidade das grandes empresas neste nosso tempo tecnológico. E partilha a sua própria experiência com a EDP. Que todos nós já vivemos e que podia ser com a Altice ou com uma qualquer Companhia de Seguros. Estas empresas não respeitam ninguém. Esta gente não quer saber dos seus clientes. Como escreve CFA “ninguém defende os consumidores dos predadores do capitalismo contemporâneo”.

A SIC ganhou outra vez no mês de maio. A TVI tem apresentado algumas dificuldades para impor o Jornal Nacional, que é suplantado pelo Telejornal, da RTP. O “alinhamento” com opções editoriais próximas da CMTV pode estar na origem do problema. Isto sem prejuízo de a Investigação TVI revelar matérias de grande interesse como a dos advogados que promovem na Internet serviços para anular ou fazer prescrever multas de trânsito. O Ministro diz que “há uma máfia”, a impedir o castigo dos prevaricadores.

As redes sociais não param de inventar. É falso que o jornalista Camilo Lourenço “aconselhe” um negócio milionário com um reduzido investimento inicial e acuse o BdP de inviabilizar esta forma de enriquecimento dos cidadãos. Também é falso que o governador do BdP tenha abandonado o programa da manhã da SIC “após revelações que não conseguiu refutar”. Álvaro Santos Pereira não participou no programa de João Baião. Logo, não poderia ter abandonado um programa onde não participou. É assim que estamos. A missão dos Media tradicionais é um combate sem tréguas contra a desinformação.

“Imergir” significa submergir, mergulhar, afundar, ir para dentro, ficar completamente envolvido em algo. Nada a ver com o “emergente” do nome da empresa de Duarte Moral (Diálogos Emergentes), que significa “aquilo que surge”, que “está à superfície”, que “está em desenvolvimento”. Mais uma vez excelente a criatividade da PJ, agora na “Operação Imergente”, na sede do PS. A operação valia 400 agentes e câmaras de televisão? O país dispensava o aparato.

Passos voltou a cruzar-se com Ventura. Talvez pela proximidade, o antigo primeiro-ministro deixou-se contaminar. Começou por aludir a “políticos postiços” para acabar a classificar Montenegro como um “político prostituto”. Isto, claro, “no labirinto das [nossas] interpretações”. Cavaco Silva também voltou a aparecer. Zurziu a burocracia do Estado e a legião de dedicados burocratas que paralisam a ação dos Governos. E elogiou o ministro da reforma do “monstro”, Gonçalo Matias. Não será que a reforma começa pela produção de Leis claras, sem truques, escritas em português entendível? À atenção do Parlamento.

A greve geral desta semana (quarta-feira, 3) deixou a UGT de fora, embora alguns sindicatos desta Central tenham aderido à paralisação. Para lá da habitual guerra de números entre Governo e Sindicatos, emerge uma questão central do nosso tempo: sem a cobertura dos Media, sem informação sobre o que está a acontecer, os eventos, qualquer que seja a sua natureza, não existem. A direção editorial do Público defendeu que “o fluxo informativo não podia ser interrompido”. Manteve a edição do jornal, apesar de boa parte da equipa ter aderido à greve. E bem.

Em suplemento ao programa, nos Grandes Enigmas, onde para o Ferrari 488 GTB que a Polícia não devolve ao legítimo proprietário? E o dono da máquina vai aceitá-la pintada com as cores da PSP? É sabido que as Farmácias não vendem só medicamentos. Mas receber uma SMS com o texto “Dias loucos! Aproveite os descontos de 15%”, deixa qualquer um inquieto. Será que a aspirina está em promoção? Os comentários do juiz Carlos Alexandre no FB suscitaram uma queixa da Ordem dos Advogados ao Conselho Superior de Magistratura que ponderou instaurar um processo disciplinar ao juiz desembargador. Há processo ou não? E os juízes podem (devem) dar-se a críticas e ironias nas redes sociais?

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