Reportagem
Um ano em Portugal. “Queremos ir para casa, para a nossa Ucrânia”
28 fev, 2023 - 06:36 • Ana Catarina André (texto) , Maria Costa Lopes (vídeo)
Olexy e Natalya Sadokha fugiram da cidade de Lviv, poucos dias depois da invasão russa. Viajaram com a filha, o genro e os dois netos e instalaram-se na área metropolitana de Lisboa. Elogiam o modo como têm sido acolhidos por cá, mas não escondem que o que querem mesmo é voltar para casa.
A Ucrânia, sempre a Ucrânia. Todas as manhãs, assim que acorda, Natalya Sadokha, de 82 anos, senta-se ao computador para ler as notícias do seu país. Quer saber que cidades foram ocupadas pelos russos, se houve bombardeamentos massivos e se a região de Lviv, onde morava, foi afetada. Ao seu lado, o marido, Olexy Sadokha, de 86 anos, vai seguindo os relatos. Sente permanentemente saudades da Ucrânia. Em alguns dias, chega a dizer à família que vai regressar a casa, a pé.
Desde que a guerra começou, há um ano, mais de 58 mil cidadãos pediram proteção temporária a Portugal. Como Olexy e a família, muitos acreditaram, na altura, que ficariam por cá apenas umas semanas. “Pensámos que não demoraríamos muito a voltar”, diz o ucraniano. “O mundo uniu-se, mas a agressão é tão grande que os países democráticos não querem entrar no conflito e começar a Terceira Guerra Mundial. Milhões de pessoas poderiam morrer.”
Um novo país depois dos 80 anos
A casa de duas assoalhadas, onde agora vive com o marido, foi cedida gratuitamente por um familiar, mas é pequena para esta família de seis. Além de Natalya e Olexy, moram ali Kateryna Ostrovka, a filha de ambos, e o marido Ilhor Ostrovski, juntamente com os dois filhos.
Um deles, Pavlo, de 36 anos, é portador de deficiência e, por isso, precisa de cuidados constantes por parte da família. “Graças a Deus, tomou sempre os medicamentos. Ainda não voltou a fazer reabilitação, mas entendemos perfeitamente que seja preciso tempo para que isso aconteça, e para que seja feito o diagnóstico em Portugal”, diz Kateryna Ostrovka, que é psicóloga e professora universitária.
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Kateryna Ostrovka e o marido continuam a trabalhar à distância na universidade onde davam aulas, na cidade de Lviv. “Trabalho muito no computador, o que é bom para mim. Posso dedicar-me também à família”, afirma.
Enquanto responsável pelo departamento de educação especial, na instituição onde leciona, está, tal como o marido, a preparar-se para regressar ao país, assim que a guerra terminar. “Já estamos a pensar na Ucrânia depois da vitória. Sabemos que vamos ganhar e, enquanto cientistas, estamos a pensar em alguns passos, medidas, maneiras de desenvolver o sistema e o país.”












