Educação

Ranking das Escolas. Três colégios do Porto separados por cinco quilómetros e 15 centésimas

04 abr, 2025 - 00:00 • Diogo Camilo

Dois anos depois, o Grande Colégio Universal volta a ser líder e consegue o melhor resultado de uma escola em exames, excluindo o período de pandemia. O fosso entre privadas e públicas voltou a aumentar em 2024, com as escolas secundárias a ficarem fora dos primeiros 30 lugares do ranking da Renascença pelo sexto ano consecutivo. A melhor escola pública fica em Cucujães e foi uma das melhores do país a Matemática.

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Ranking das Escolas. Três colégios do Porto separados por cinco quilómetros e 15 centésimas
O Grande Colégio Universal lidera o Ranking das Escolas de 2024, num ano em que as melhores escolas tiveram ainda melhores resultados e os piores ficaram piores. Ilustração: Salomé Esteves/RR

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Pelo sexto ano consecutivo, os lugares cimeiros do Ranking das Escolas da Renascença no ensino secundário são ocupados por colégios privados e não há qualquer escola pública no top 30.

Na tabela divulgada esta sexta-feira pela Renascença, as três escolas com as médias mais altas estão separadas por apenas cinco quilómetros de distância e 15 centésimas nas médias dos exames do ano passado. O primeiro lugar é do Grande Colégio Universal, do Porto, onde os alunos conseguiram resultados de 16,43 valores nos oito exames mais concorridos do último ano letivo.

Para encontrar a escola pública com a média mais alta é preciso descer até ao 32.º lugar: é aí que encontramos a Escola Básica e Secundária Doutor Ferreira da Silva, de Cucujães, uma vila com menos de 10 mil habitantes que pertence ao município de Oliveira de Azeméis.

Em relação ao ano passado, a média dos alunos de escolas privadas subiu cerca de oito décimas, para os 13,2 valores, enquanto os alunos de escolas públicas desceram ligeiramente a média em relação ao ano anterior, para os 11,2 de média.

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A diferença de médias entre privadas e públicas é agora de dois valores, quando em 2023 era de apenas um valor.

No ranking do ensino básico, a escola com melhores resultados nos exames do 9.º ano é a mesma do ano passado: os alunos do Colégio Novo da Maia tiveram a melhor média nos exames de Português e Matemática e a escola mantém o 1.º lugar. A escola pública com médias mais altas surge apenas no 38.º lugar: é a Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim.

Quem está nos primeiros lugares?

Num olhar atento às posições cimeiras do Ranking das Escolas de 2024 surge uma situação que parece familiar: os quatro colégios nas quatro primeiras posições são os mesmos de 2023 e 2022, só que em ordem diferente.

O Grande Colégio Universal, que foi líder há dois anos e ficou fora do pódio no último ranking, voltou ao primeiro lugar, com uma média de 16,43 valores. Este é o melhor resultado de uma escola no Ranking das Escolas, se excluirmos o ano de pandemia de 2020, onde os resultados foram acima do habitual, devido a mudanças na estrutura dos exames.

Da Rua da Boavista para a Avenida da Boavista, são menos de quatro os quilómetros a percorrer para encontrar o segundo lugar do Ranking das Escolas: o Colégio Nossa Senhora do Rosário, líder em sete dos últimos dez anos, é a segunda escola com as melhores médias este ano, com 16,31 valores.

No fim do pódio, e a menos de cinco quilómetros e a 15 centésimas do líder está o Colégio Efanor, de Matosinhos. Depois de três medalhas de prata nas últimas três edições do ranking, o colégio consegue a medalha de bronze: teve uma média de 16,28 valores.

No lugar seguinte está um velho conhecido do Ranking das Escolas: o Colégio D. Diogo de Sousa, que ficou nos três primeiros lugares cimeiros de 2019 a 2023, teve de se contentar com o 4.º lugar, com uma média de quase 16 valores.

As quatro primeiras escolas da edição de 2024 são as mesmas dos últimos dois anos, mas com ordem diferente. A completar as dez primeiras escolas deste Ranking das Escolas estão mais seis privadas: quatro de Lisboa, uma de Setúbal e outra do Porto.

Qual é a escola pública com melhor média?

Para encontrar a melhor pública no Ranking da Renascença, é preciso descer até ao lugar 32. Apesar de ser a segunda melhor posição de uma escola pública desde 2018, é o sexto ano consecutivo em que uma escola pública não está entre as 30 melhores no desempenho dos exames nacionais do ensino secundário.

Em 2024, a secundária com melhor média foi a Escola Básica e Secundária Dr. Ferreira da Silva, de Oliveira de Azeméis, com uma média de 13,64 valores — a segunda mais alta de uma escola pública nos últimos dez anos, se excluirmos o ano de pandemia de 2020.

A escola, que não figurou no Ranking da Renascença nos últimos anos por ter menos de 100 exames realizados, destaca-se como a terceira melhor do país no exame de Matemática, entre as escolas com pelo menos 15 provas realizadas, com uma média de 17,5 valores.

Um lugar abaixo está a Escola Secundária Tomaz Pelayo, de Santo Tirso, com uma média de 13,47 valores, tendo subido uma dezena de lugares em relação ao ano anterior.

Entre as 10 melhores escolas públicas há mais pluralidade de regiões: estão presentes duas escolas de Lisboa, uma da Póvoa de Varzim, uma de Coimbra, uma de Vizela, uma de Viseu, uma de São João da Madeira e uma do Porto, além de estarem representados Santo Tirso e Oliveira de Azeméis.

Entre estas, destaque para a Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, que ficou no 47.º lugar e subiu 282 lugares — o segundo maior pulo entre todas as escolas, só atrás de um colégio de Vagos.

Do lado contrário, a maior queda coube àquela que foi a escola pública com melhor média no ano passado: com a mudança de disciplinas devido à metodologia da Renascença, o exame de Inglês deixou de contar e passou a ser incluído o de MACS, o que atirou a Escola Artística António Arroio para o 373.º lugar no ranking — um trambolhão de 342 lugares.

No ranking de 2023, o exame de Inglês levou ao domínio das escolas artísticas, por ser a prova com a média mais alta. Sem ele, as artísticas sofreram: a Soares dos Reis, no Porto, que tinha ficado em 41.º lugar no ano passado, também caiu quase 180 lugares.

Neste ano, e sem a prova de Inglês, o exame com a média mais alta foi o de Economia A — 12,7 valores -, enquanto o exame com os resultados mais baixos foi o de Biologia e Geologia, onde a média não foi além dos 9,95 valores.

Entre escolas públicas e privadas, a nível de disciplinas, o fosso foi maior no exame de Matemática A: enquanto colégios tiveram uma média de 14,3 valores, as outras secundárias não foram além dos 11,7 valores — uma diferença de 2,6 valores.

Todas as disciplinas incluídas pela Renascença na construção do Ranking das Escolas tiveram o ensino privado à frente do público, mas no exame de Geografia a discrepância foi menor: os colégios tiveram mais 0,7 valores que as públicas.

A nível de concelhos, e contando apenas os municípios com mais de 100 provas realizadas, a Batalha é quem tem a melhor média, de 12,69 valores, seguida do Porto e de Anadia. Os piores concelhos a nível municipal são Vila Real de Santo António, com uma média de 9,22 valores, e Moura e Figueiró dos Vinhos.

Para a elaboração desta tabela, a Renascença considerou apenas as 500 escolas onde se realizaram mais de 100 exames no conjunto dos oito mais concorridos da primeira fase de exames (Matemática A, Economia A, Português, Biologia e Geologia, Física e Química, MACS, Filosofia e Geografia), tendo por base dados divulgados pelo Ministério da Educação.

Melhores estão cada vez melhores, piores estão cada vez piores

Outra tendência que é possível observar, ao olhar para o Ranking das Escolas, é a de que as médias das escolas no cimo do ranking estão cada vez mais altas, enquanto as médias das escolas nos últimos lugares estão cada vez mais baixas.

Com 16,43 valores, o Grande Colégio Universal, que lidera o ranking, conseguiu a melhor média de exames desde que a Renascença realiza o Ranking das Escolas, se excluirmos o ano de 2020, em que as notas foram inflacionadas devido ao contexto de pandemia.

Em 2016, o colégio com melhor média no Ranking das Escolas, o Colégio Nossa Senhora do Rosário do Porto, tinha uma média inferior aos 15 valores. No espaço de nove anos, a média da escola no topo da tabela subiu quase um valor e meio.

Do lado das escolas públicas, a Doutor Ferreira da Silva, em Oliveira de Azeméis, registou a segunda melhor média entre secundárias públicas da última década, apenas atrás da Escola Artística António Arroio, no ano passado. A média é semelhante à que registou a Escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, no ano de 2010 - o último em que uma escola pública esteve no top10 do Ranking das Escolas.

No lado inverso da moeda, as escolas com os resultados mais baixos também estão a ver a média piorar.

Com 6,35 valores, a Escola Secundária da Baixa da Banheira, na Moita, teve a média mais baixa de uma escola desde que a Renascença produz rankings do secundário e a pior privada, o Externato Álvares Cabral, que está no penúltimo lugar do ranking deste ano, também teve o pior resultado de um colégio em exames dos últimos dez anos, com uma média de 6,81 valores.

Quem lidera o ranking do 9.º ano?

Pelo segundo ano consecutivo, a escola com os melhores resultados nos exames do ensino básico é o Colégio Novo da Maia, repetindo a proeza do ano passado: não só é a primeira escola a surgir no ranking, como tem a melhor média a Matemática e a Língua Portuguesa.

Depois de ter conseguido 4,34 numa escala de 0 a 5 na edição do ano passado, o colégio da Maia superou o registo e teve 4,43 nos últimos exames nacionais — ou uma média de 88,6 pontos numa escala de 0 a 100.

O pódio do ranking do 9.º ano é completado por dois colégios que também estão nas posições cimeiras do ranking do secundário: o Grande Colégio Universal é o segundo, com uma média de 4,31, enquanto o terceiro lugar pertence ao Colégio de Nossa Senhora do Rosário, com uma média de 4,24.

Tal como na tabela do 11.º e 12.º ano, a lista do básico é dominada por colégios do Grande Porto. Além das três primeiras, há mais duas escolas do Porto no top 10, que é ocupado por duas escolas de Lisboa, uma de Braga, uma de Coimbra e uma de Sintra.

Para encontrar a escola pública com média mais alta, é preciso recuar até ao 38.º lugar do ranking: é aí que encontramos a Escola Secundária Eça de Queirós, de Póvoa de Varzim, com uma média de 3,66 pontos — ou de 73,2 pontos de 0 a 100, uma diferença de 15 pontos para a melhor do país.

A segunda pública com melhor classificação fica em Coimbra: a Escola Secundária Infanta D. Maria teve uma média de 3,67 e sobe 11 posições para o 25.º lugar do ranking geral em 2023. É também a melhor escola pública no exame de Matemática, com uma média de 75,7 pontos.

Tal como no secundário, a Renascença inclui neste ranking apenas as escolas onde foram feitas mais de 100 provas. No total, a tabela inclui 789 escolas que obedecem a este critério, com um terço das escolas (33%) a ter registado uma média negativa nos exames do ano passado.

Ranking de Sucesso. Que escolas desafiam o contexto em que estão inseridas?

No Ranking de Sucesso, que compara alunos que completaram o ensino secundário nos três anos previstos com escolas de perfil semelhante, o líder fica no distrito da Guarda.

Em Vila Nova de Foz Côa, apenas 5,6% dos alunos da Escola Básica e Secundária Tenente Coronel Adão Carrapatoso chumbaram um dos anos — uma percentagem 25 pontos percentuais acima de escolas no mesmo contexto socioeconómico.

A escola não figura no ranking da Renascença, por ter menos de 100 provas realizadas, mas teve uma média de 10,7 nos exames.

No Ranking de Sucesso, ao contrário da média dos exames, apenas três dos 50 primeiros lugares pertencem a escolas privadas - e são as escolas públicas a dominarem os resultados, entre semelhantes com o mesmo contexto.

A percentagem de alunos que concluíram o secundário nos três anos previstos é chamada de "Percurso Direto de Sucesso" e, através dela, a Renascença calcula o Indicador de Sucesso, subtraindo os Percursos de Sucesso pela média nacional comparável, ou seja, a percentagem de alunos na mesma situação socioeconómica que também concluíram o secundário em três anos.

Já o Ranking de Sucesso do ensino básico, tal como no ano passado, é dominado por escolas de música, muitas delas privadas. No topo da lista surge a Academia de Música Costa Cabral, do Porto, seguida do Conservatório Nacional de Dança, de Lisboa, e do Conservatório de Música de Barcelos, que liderava a lista do ano passado.

Equidade. Que escolas superam as adversidades?

Além do Ranking de Sucesso, a Renascença olha ainda para o indicador que se debruça sobre os alunos com dificuldades e que serve de barómetro para medir que escolas conseguem promover uma educação de qualidade, mesmo em condições desafiadoras.

A liderar a tabela da equidade está o Agrupamento das Escolas de Monção, onde 18 dos 19 alunos (95%) que beneficiam do Apoio Social Escolar (ASE) completaram o ensino secundário nos três anos previstos - ao contrário dos 70% dos alunos do país com um perfil semelhante ao deste agrupamento.

E não é por acaso: no ranking do secundário, a Escola Secundária de Monção surge no 58.º geral e é a 17.ª melhor escola pública do país, algo notável para um estabelecimento em que a escolaridade média dos pais e das mães fica abaixo do resto do país.

Monção é também a cidade que lidera na equidade, seguida de Ponte da Barca, Fafe e Vizela.

Entre todas as escolas públicas onde a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) avaliou a equidade, três agrupamentos conseguiram que todos os seus alunos carenciados completassem o ensino secundário em três anos: foram elas as Escolas de Ponte da Barca, as Escolas Santos Simões, em Guimarães, e a Escola Secundária de Barcelinhos, em Barcelos.

Ensino Profissional. Número de inscritos caiu 2%

Entre os dados divulgados pelo Ministério da Educação esta sexta-feira estão também os números do ensino profissional relativos ao ano letivo de 2022/23. Por esta via inscreveram-se cerca de 105 mil alunos, uma queda de 2% em relação aos inscritos no ano anterior.

Com os cursos científico-humanísticos a terem mais de 196 mil alunos, a via do ensino profissional engloba 35% do total de alunos que frequentaram o ensino secundário.

Em relação ao ano letivo anterior são menos 2.258 alunos inscritos, uma quebra que acontece há três anos consecutivos, mas que é mais acentuada neste ano letivo.

A taxa de sucesso dos cursos profissionais ficou-se pelos 70%, com 17% a não terem concluído a via de ensino em três anos mas a permanecerem no curso, enquanto 10% nem concluíram o curso nem estão no ensino secundário.

No ano letivo de 2022/23, seis escolas tiveram 100% de aproveitamento, com todos os alunos a completarem o curso profissional em três anos: foram elas a Escola Básica e Secundária Vale d’Este, em Barcelos, o Conservatório de Amarante, a Escola Básica e Secundária de Campo, em Valongo, Escola Secundária Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém, a Escola Básica e Secundária de Melgaço e a Escola Básica e Secundária Dr. José Leite de Vasconcelos, em Tarouca.

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  • Umaro Na Quesna
    14 out, 2025 Guiné Bissau 23:51
    Gosto da escola,e nós aqui na Guiné Bissau pegamos o nome da vossa escola batizamo á nossa escola, nós aqui queremos entrar parceria com vocês. Eu como responsável da escola solicito vos para entrar em parceria connosco. Qualquer coisa mi constante através de seguintes números. 245 95 629 63 83 é o nosso WhatsApp
  • António dos Santos
    04 abr, 2025 Coimbra 17:13
    Todos sabemos que os quadros superiores dos ministérios são aos mais incompetentes e nomeados pelos chulos e parasitas dos partidos e não pela qualidade dos mesmos. Qualquer pessoa vê que comparar escolas públicas e escolas privadas é uma pura burrice. Sendo a avaliação feita pelas notas dos exames, é claro que a situação é totalmente oposta. Os alunos da pública não têm auxílio dos professores durante os exames, no privado são ajudados pelos professores. Se houvesse justiça no ensino e o ministro da educação fosse sério, já tinha acabado com este situação vergonhosa, isto é, os alunos no privado faziam os exames nas escolas públicas. Só nesta situação é que se pode criar um ranking sério.
  • Hugo Pena
    04 abr, 2025 Altura 10:15
    O que surpreende não são os resultados, é nunca relacionarem com a capacidade económica dos pais e com os mais desfavorecidos. Nos colégios privados há alunos pobres, de outras etnias, estrangeiros a viverem há poucos meses em Portugal e refugiados? Têm noção desta realidade? Não brinquem com isto!

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