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Ensino Superior. Há mais cursos só com mulheres do que só com homens
27 jun, 2025 - 00:01 • Salomé Esteves
As mulheres são mais de metade dos inscritos no Ensino Superior português, mas tradições de género nas inscrições no Ensino Superior persistem. Enquanto os homens são vasta maioria na Engenharia Mecânica ou Informática, as mulheres dominam os cursos de Educação.
Há 116 cursos com menos de 10 mulheres e apenas seis em que nenhuma estudante está inscrita. Mas do outro lado da moeda, há 180 cursos com menos de 10 homens e 25 – todos mestrados –, em que as turmas são totalmente femininas.
Os dados são do Infocursos, divulgados esta sexta-feira, tratados pela Renascença.
Entre os cursos com maior, ou total, percentagem de mulheres inscritas encontram-se várias licenciaturas e mestrados na área da Educação, do Serviço Social e da Terapia Ocupacional. Destaca-se o mestrado em Medicina Legal, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, com uma turma preenchida de 29 alunas.
Mas se nas mulheres se verifica uma tendência, nos homens, ela é ainda mais evidente. Entre os seis cursos 100% masculinos, todos são cursos de Engenharia. Aliás, dos 116 cursos com menos de 10% de mulheres inscritas, 92 são engenharias.
Nesta lista, repetem-se cursos de Engenharia Mecânica, Informática e Eletrotécnica. Mas a Engenharia, no geral, não é um campo exclusivo dos homens. Do lado oposto, cursos de Engenharia Biomédica, Química ou Alimentar chegam a ter mais de 80% de mulheres, tanto em licenciatura, como em mestrado.
Aliás, um quinto dos cursos de Engenharia em Portugal, até ao 2.º ciclo, têm uma maioria de mulheres inscritas.
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Mas este é um padrão que se inverte nos cursos de Educação, em que a média de mulheres inscritas é de 79%. Dos 18 cursos licenciaturas e mestrados em áreas educativas em que mais de metade da turma é composta por homens, 16 são cursos de Educação Física ou de Desporto.
Se olharmos para os cursos como um todo, independentemente da área de estudo ou do grau académico, a média de mulheres inscritas em licenciaturas, mestrados integrados e mestrados é de 57%.
Estes números, que se referem aos alunos inscritos no ano letivo de 2023/2024 nas instituições de ensino superior portuguesas refletem padrões antigos.
De acordo com números do Eurostat, divulgados pelo PORDATA, as mulheres são tendencialmente a maioria dos cursos de 1.º ciclo do ensino superior em todas as áreas de estudo, menos das Engenharias e das Tecnologias de Informação.
Estes padrões de género acabam por impregnar-se na remuneração de homens e mulheres, depois do fim do ensino superior e da entrada no mercado de trabalho.
No relatório da OCDE “O Estado Global da Educação”, lê-se que “os homens procuram cursos em áreas do conhecimento mais relacionados com remunerações mais altas, como engenharia, construção e tecnologias de informação e da comunicação, enquanto as mulheres continuam a optar por cursos associados a remunerações mais baixas, como eucação, artes e humanidades”.
Esta conclusão também se reflete no estudo da Edulog — o "think thank" para a Educação da Fundação Belmiro de Azevedo —, divulgado esta semana, que denota um agravamento das diferenças salariais de género.









