Loures
Dezenas de voluntários limparam o entulho do Bairro do Talude onde há famílias a dormir em tendas
19 jul, 2025 - 14:57 • Manuela Pires
Este sábado, o movimento Vida Justa organizou uma ação de apoio aos moradores do bairro do Talude Militar, em Loures, e dezenas de pessoas juntaram-se para retirar o entulho das demolições do início da semana. Também a autarquia decidiu ontem enviar máquinas para as operações de limpeza.
Ainda não são dez da manhã e no Bairro do Talude Militar, em Loures, há um pequeno grupo de voluntários que acabou de chegar e escuta as instruções dadas por Cadi Santos, do movimento Vida Justa, para se organizar o trabalho de limpeza.
Desde segunda-feira, quando as barracas começaram a ser demolidas, que as pessoas que continuaram no terreno em tendas, vivem ao lado do entulho e do lixo deixado pelas máquinas da autarquia.
O Movimento Vida Justa decidiu promover a jornada de trabalho este sábado e Gonçalo Filipe diz à Renascença que só depois do apelo é que a autarquia decidiu enviar para equipas de limpeza.
“A verdade é que tivemos uma semana com as crianças a dormir ao relento e pessoas a tomar banho na rua sem dignidade absolutamente nenhuma. Houve uma onda de solidariedade de pessoas que queriam ajudar de alguma forma. Nós montámos esta ação de limpeza e já somos dezenas. Há uma equipa da câmara que foi mobilizada depois do nosso apelo e ainda bem é a sua competência e tem os materiais necessários para o fazer” diz Gonçalo Filipe à Renascença.
Ao longo da manhã vão chegando mais pessoas que para além da vontade de ajudar, trazem também sacos com comida, roupa, fraldas e água para quem vive por ali.
Há também outras pessoas do bairro que se juntam para ajudar ou simplesmente para ver quem veio de fora para ajudar a limpar e prestar solidariedade para quem perdeu tudo em poucas horas.
Muitas famílias encontraram uma solução para morar, mas há ainda algumas famílias, com crianças pequenas, que estão a dormir em tendas.
“Ver tudo isso ir abaixo é muito triste”. Jainice é de São Tomé e chegou a Lisboa há menos de um ano. Deixou o 11º ano em São Tomé e embarcou para Lisboa com a mãe que precisa de cuidados médicos. Está vestida com a camisola do Benfica e indica aos voluntários o que pode ir para o lixo e o que tem de ficar.
“Estes tapetes podem ir para o lixo, este frigorifico e a mala com roupa fica aqui” diz Jainice que mora um pouco mais longe deste local onde na segunda-feira foram demolidas as barracas onde viviam 55 famílias.
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Jainice conta à Renascença que quando chegou a Lisboa foi uma amiga que lhe indicou o bairro onde podia morar porque não conseguiu encontrar uma casa para morar com a mãe.
“Uma amiga que me mostrou aí, porque a minha situação era péssima, não tinha como arrendar uma casa e ela mostrou-me aquele lugar. As pessoas daí me ajudaram, construímos umas barracas e eu e a minha mãe ficámos” conta.
“Todos os dias tenho estado a procurar uma casa, fui na Casa da Cultura, em Quinta do Mocho, e o que eles me ofereceram foi uma renda e nos outros meses eu não consigo. Fui ver um quarto e pediram 550 euros, não consigo pagar porque só eu estou a trabalhar” diz à Renascença.
A Câmara de Loures, num comunicado emitido sexta-feira à noite, informou que 14 famílias estão a receber diferentes tipos de ajuda por parte do município.
Das 55 famílias que ocupavam as construções precárias no bairro, a autarquia diz que 19 não procuraram qualquer tipo de apoio social.
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