Incêndios

"Se não estivéssemos a apagar, já tinha ardido tudo". População combate fogos em Castelo de Paiva

29 jul, 2025 - 18:38 • Isabel Pacheco

Usando enxadas para combater o fogo e os panos de cozinha como máscaras, moradores fazem o que podem perante um incêndio com várias frentes de fogo ativas. Dispositivo no local tem mais de 700 operacionais, 245 meios terrestres e sete meios aéreos.

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"Se não estivéssemos a apagar, já tinha ardido tudo". População combate os fogos em Castelo de Paiva
Ouça a reportagem da jornalista Isabel Pacheco.

Na estrada Nacional 224, que liga Castelo de Paiva a Arouca, na conhecida “Curva da Cascavalhosa”, ouve-se o estalar das chamas e a força do vento.

O fogo sobe a montanha, de um lado há o lugar de Pujão, do outro a aldeia de Barreiros. A população tenta desenhar o caminho do incêndio, mas o perigo de chegar a casas é real.

“Se não houver bombeiros, é a população que tem de se safar”, diz um dos moradores.

Pelas 18h30, eram 721 os operacionais a combater o incêndio, apoiados por 245 meios terrestres e sete meios aéreos, o maior dispositivo em ação num fogo no país neste momento.

Em Mó, já quase na fronteira com Arouca, a população usa o que consegue para defender a aldeia, numa altura em que as chamas já ameaçam as casas.

Aqui, as enxadas são usadas para combater o fogo e os panos de cozinha como máscaras.

“Ardeu tudo, está sempre a reacender, os bombeiros foram embora e nós é que temos que nos resguardar. Se não estivéssemos a apagar, isto já tinha ardido tudo”, dizem os moradores.

Adriano, do topo da aldeia, mostra o que já ardeu e o que ainda se pode salvar.

“Aqui há um outro lugar. Eu com as minhas máquinas fomos para lá apagar, para não deixar arder este lugar que fica aqui pertinho. Logo a seguir, a 50 metros, está tudo queimado”, conta.

À Agência Lusa, o autarca de Castelo de Paiva, José Rocha, admite que o fogo tem várias frentes de fogo ativas nas freguesias de Fornos, Bairros, Real e São Pedro do Paraíso.

O presidente da câmara revelou que algumas casas e uma panificadora estiveram em perigo, no lugar de Carreiros, em Bairros, mas os bombeiros conseguiram proteger as pessoas e bens.

A aldeia de Vilar de Eirigo continua confinada e o Lugar do Seixo já não se encontra isolado pelas chamas, tendo as pessoas regressado às suas casas.

Os concelhos de Castelo de Paiva e de Arouca, no distrito de Aveiro, ativaram hoje de madrugada os Planos Municipais de Emergência e Proteção Civil.

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