Fogos

Seis incêndios que deflagraram à noite representam um terço da área ardida

03 set, 2025 - 23:56 • Diogo Camilo

Até ao final de agosto arderam mais de 254 mil hectares - uma área superior a todo o distrito do Porto. Regiões Norte e Centro são as mais afetadas e 2025 só fica atrás dos anos de 2003 e 2005. Incêndios que começaram à noite cobrem um território superior ao da ilha da Madeira.

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Nos primeiros oito meses do ano foram registados 35 incêndios com mais de 500 hectares de área ardida: mais de metade (18) aconteceram no Norte do país, com seis deles a terem começado durante a noite e a representarem mais de 30% de toda a área ardida no país.

Entre eles está o grande incêndio que começou em Arganil, no dia 13 de agosto. Eram 5h08 da madrugada quando foi dado o primeiro alerta, com o fogo a tornar-se o maior de sempre, lavrando por 65 mil hectares nos distritos de Coimbra e Guarda até entrar em resolução, 11 dias depois.

A este juntam-se outros cinco incêndios: o de Sátão, com quase 14 mil hectares de área ardida também a 13 de agosto, que deflagrou por volta da meia-noite; o de Vila Real, com quase 6 mil hectares, que teve início por volta das 2h45 da madrugada no dia 2 de agosto; e outros três, em Tabuaço, Cinfães e Ponte de Lima, com menos de mil hectares de área ardida.

Todos eles começaram com uma ignição noturna, entre as 22 horas da noite e as 6 horas da manhã.

Ao todo, representam uma área ardida de mais de 87 mil hectares - cerca de 34% de toda a área ardida este ano -, num território com área superior à ilha da Madeira.

Os dados constam de uma análise preliminar aos incêndios de 2025, divulgada pelo Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), que aponta para 7.046 fogos que consumiram 254 mil hectares de área até ao final de agosto.

Ao todo, os 35 grandes incêndios deste ano representam mais de 90% de toda a área ardida no país - mais de 230 mil hectares -, enquanto os todos os outros mais de sete mil fogos apenas consumiram 20 mil hectares.

Em termos de área ardida até ao final do mês de agosto, o ano de 2025 é o pior das últimas duas décadas, ficando apenas atrás dos anos de 2003 e 2005 e ultrapassando o ano de 2017. No entanto, no número de fogos, o ano atual fica bastante abaixo da média - cerca de sete mil fogos são um número semelhante a 2022.

Maior parte da área ardida aconteceu em terreno privado

Em grande parte, a área ardida foi de mato, herbáceas e vegetação esparsa (69%), com apenas 30% a ser de florestas e área agrícolas.

Grande parte da área ardida aconteceu em terreno privado - cerca de 150 mil hectares -, com os restantes 94 mil hectares a terem ardido em áreas com gestão de perímetros florestais, Zonas de Intervenção Florestal (ZIFs) e Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGPs).

As emissões de carbono provocadas pelos incêndios deste ano "são bastante significativas - 3.3 milhões de toneladas", indica o documento, comparando-as com as cerca de 15 milhões de toneladas de emissões por ano.

"Até 31 de agosto, 2025 é o terceiro ano (ex-áqueo) com maior número de dias de perigo meteorológico de incêndio nas duas classes mais elevadas ("Extremo" e "Excecional"). Agosto de 2025 foi o mais severo desde 2003, registando um longo período de dias consecutivos com condições meteorológicas propícias à ocorrência de grandes incêndios", refere a análise.
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