Reportagem

O pânico, os corpos e depois o silêncio. Os testemunhos do acidente no elevador da Glória

04 set, 2025 - 01:43 • Lara Castro , Catarina Severino Alves

O Elevador da Glória, ponto turístico da cidade de Lisboa, descarrilou por volta das 18 horas. O acidente causou 15 mortos e um total de 23 feridos, cinco deles em estado grave. A Renascença esteve no local e ouviu os relatos daqueles que assistiram à tragédia.

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"Vimos muitos mortos debaixo da carruagem". Os testemunhos do acidente no elevador da Glória
Vídeo: Lara Castro/RR

“Ouvi as pessoas dizerem que havia mãos espalhadas, havia um bocado de braço aqui e ali”, relata João Peixoto, de 23 anos, que trabalha num quiosque próximo do local, na Avenida da Liberdade.

Não tardou até se formar uma multidão na Praça dos Restauradores, em Lisboa, após o descarrilamento das carruagens do elevador da Glória. Entre o agitado grupo de pessoas, estavam testemunhas que viram todo o desenrolar do acidente - histórias que a Renascença foi ouvir.

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Mohammad Farid, trabalhador numa loja situada em frente ao elevador da Glória, viu o cenário de perto. Ao ouvir um grande barulho e ver fumo, dirigiu-se de imediato para o local, com um amigo, para perceber “o que realmente aconteceu”.

Os dois acabaram por deparar-se com a carruagem destruída e alguns mortos.

“A situação estava fora de controlo, porque nós vimos muitos mortos debaixo da carruagem. Vi, pelo menos, quatro ou cinco mortos”, conta ao mesmo tempo que, no seu telemóvel, mostra um vídeo do sucedido.

Os dois amigos tentaram ajudar os vivos. “Nós vimos uma criança a chorar no chão e tentámos levantá-la”. Além do choro do rapaz, Mohammad descreve um ambiente de silêncio.

Um silêncio também testemunhado por Teresa d’Avó, depois do estrondo inicial provocado pelo descarrilamento.

“Houve muito barulho, foi algo que fez muito barulho naturalmente. Muito pó, as pessoas a gritarem. Mas depois também existiu um pouco de calmaria, como se as pessoas estivessem em choque com o que se estava a passar”, conta à Renascença.

O elevador da Glória, icónico ascensor que liga a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto, tem duas carruagens. “O que nos deu o alerta foi o elétrico que desce. A cerca de um metro e meio do percurso final, ficou sem freio.”, explica Teresa.

“Foi um embate de metro e meio (...), fez muito barulho. As pessoas lá dentro assustaram-se, gritaram”, continua.

Teresa e um colega preparavam-se para ir ajudar as vítimas quando viram o elétrico que vinha de cima “completamente desenfreado”.

“Virei-me, só disse às pessoas ‘Fujam!’, porque o nosso medo é que a carruagem embatesse na outra e viesse, efetivamente, até meio da praça dos restauradores. Fugimos todos”, continuou.

A carruagem de cima acabou por embater num prédio situado numa curva. “Acredito que esta curva evitou uma tragédia ainda maior, porque se esta rua fosse a direito, as duas carruagens teriam embatido uma na outra”.

Após o embate, Teresa viu uma pessoa no passeio, que acredita ter sido “colhida” pelo elétrico.

Vídeo. Descarrilamento do elevador da Glória em Lisboa faz 15 vítimas mortais e 18 feridos
Vídeo. Descarrilamento do elevador da Glória em Lisboa faz 15 vítimas mortais e 18 feridos

Até ao momento, foram contabilizados 15 mortos e um total de 23 feridos, cinco em estado grave e 18 feridos ligeiros (entre eles uma criança).

O alerta para o acidente foi dado pelas 18h08 e, em "três minutos", os serviços de emergência chegaram ao local, disse aos jornalistas o comandante dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, Alexandre Rodrigues.

O Ministério Público (MP) abriu um inquérito ao acidente, à semelhança do que acontece neste tipo de situações, indicou esta quarta-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O Governo decretou um dia de luto nacional, que será cumprido na quinta-feira, 4 de setembro. Aos jornalistas, Carlos Moedas também disse que “Lisboa está de luto”, tendo sido decretados três dias de luto municipal.

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