Cabo Verde apurado para o Mundial: “Demorou muito, mas chegou o dia especial"
13 out, 2025 - 19:44 • João Maldonado
O 3-0 contra Essuatíni selou a presença inédita dos tubarões-azuis no campeonato do mundo do próximo ano. "Pelo menos 15 dias de férias vou ter de tirar”, afirma, com convicção, um dos adeptos no café onde a Renascença assistiu ao jogo, garantindo que vai fazer de tudo para ver ao vivo a seleção. Êxtase brutal na Amadora onde se reuniram centenas de cabo-verdianos.
São praticamente 17h00 quando o hino de Cabo Verde é ouvido no café Sabores da Vida na Amadora. A casa está cheia. Do lado de dentro e de fora. As três televisões estão ligadas e todos cantam. Tantos vestem a camisola azul-escura e dourada dos tubarões africanos. A emoção é grande, a expectativa ainda maior. Podemos estar a hora e meia de ver a seleção apurar-se pela primeira vez para um Mundial.
Há muitos copos de cerveja em cima das mesas num estabelecimento que abriu especialmente para assistir à história a acontecer. O ambiente no Estádio Nacional, em Santiago, é frenético. Mas por aqui não fica atrás.
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“Bora, bora”, grita-se constantemente – em todas as ocasiões em que Cabo Verde se aproxima da baliza da frágil seleção de Essuatíni. É que a equipa que vem bem do sul do continente africano não ganhou qualquer jogo na qualificação: até ao momento tinha 6 derrotas e 3 empates. Um registo que choca com os 20 pontos já conquistados pelos líderes do grupo.
“Estamos surpresos com tanta afluência, acredito que hoje tenhamos de reforçar o 'stock' e fechar mais tarde”, avança Alex, o dono do café, em prognóstico para o que havia de vir.
Aos 20 minutos, a primeira oportunidade flagrante. O número 9, Dailon Livramento, avançado do Casa Pia, não consegue marcar, mas leva à loucura os adeptos. A festa está aí à porta – já se adivinha. Mas no tempo de compensação da primeira parte parte-se ainda um prato, depois de o capitão Ryan Mendes ter tentado controlar uma bola já à beira da pequena área, perdendo a chance de fuzilar as redes contrárias.
O intervalo chega num clima de enorme expectativa. Irá o apuramento ser conseguido?
A resposta chega nos primeiros minutos da segunda etapa. Livramento não vacila à passagem do minuto 48 e Willy Semedo também não falha aos 54. Está 2-0 e a emoção é cada vez maior. Aos 77 minutos, gritam-se “olés” na Amadora, à medida que a bola vai girando de pé em pé, sempre em posse da seleção da casa.



“Não consigo explicar, nasci e cresci naquelas ruas. Para o ano, se Deus quiser, pelo menos 15 dias de férias vou ter de tirar”, diz, à Renascença, Nelly, que vem de propósito de Castanheira do Ribatejo para assistir ao jogo entre amigos.
O golo de Stopira, já no período complementar, é a estocada final. Cabo Verde está garantido no Mundial das Américas.
“É um momento muito especial, é uma sensação incrível, é merecido, temos muito talento”, diz um adepto em euforia pura quando se dá o apito final.
“Demorou muito, mas chegou o dia especial. A partir de agora começa um novo sonho, o mais feliz seria calhar num grupo de Portugal”, afirma-se, já a pensar no sorteio, que a cada dia que passa está mais perto de chegar.
Com bastante grogue à mistura (uma das bebidas típicas do país), a celebração é imensa e durará ainda por muitas horas. “É feriado!”, ouve-se bem alto.








