Cova da Moura
“A verdade tem de vir ao de cima”. Dezenas em homenagem a Odair Moniz um ano após a morte
18 out, 2025 - 18:00 • Redação com Lusa
Dezenas de pessoas juntaram-se esta tarde no bairro do Zambujal, na Amadora, para homenagear Odair Moniz, o jovem cabo-verdiano morto há um ano após ter sido baleado pela PSP na Cova da Moura.
[Atualizado às 18h40]
Dezenas de pessoas participaram esta tarde numa homenagem a Odair Moniz, o jovem cabo-verdiano que morreu há quase um ano, após ter sido baleado pela PSP no bairro da Cova da Moura, na Amadora.
Entre um almoço, música e alguns discursos, os ativistas no movimento Vida Justa e moradores do bairro social juntaram-se para a homenagem ao imigrante cabo-verdiano de 43 anos, morto pelas autoridades a 21 de outubro de 2024, que incluiu um grande mural numa parede de um prédio, no qual figuram também outros três jovens do bairro, que morreram novos.
Um deles, Carlos Reis (conhecido por PTB) foi morto em 2003 num outro caso de violência policial, que os moradores quiseram recordar.
Os tumultos que se realizaram há um ano, dos quais o movimento Vida Justa se demarca, estão relacionados com a figura de Odair Moniz.
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A iniciativa decorreu no bairro do Zambujal, onde o jovem vivia, e foi organizada pelo movimento Vida Justa. À Renascença, a porta-voz do movimento, Ariana Furtado, apelou para que o caso “não caia no esquecimento”. “Este é um daqueles casos em que a justiça tem de agir de forma rápida, célere, consciente de toda a repercussão que teve e tem ainda. É muito importante que a família e os amigos encontrem esta verdade e esta paz reposta”, afirmou.
Em paralelo, os ativistas distribuíram um pequeno livro intitulado "Manual de Sobrevivência a Intervenções Policiais", com a descrição dos direitos dos cidadãos e daquilo que deve ser o comportamento das autoridades, que "muitas vezes não é cumprido".
O texto foi construído sob a forma de diálogo, indicando quando é que a polícia pode identificar, os procedimentos adequados, o tempo de detenção ou como funcionam as revistas.
Durante a homenagem, foi inaugurado um mural dedicado a Odair Moniz. Ariana Furtado deixou ainda críticas à atuação policial, dizendo que “a verdade tem de vir ao de cima” e que este caso é “um sério aviso à forma como a polícia protege os seus”. O julgamento do agente da PSP acusado do disparo arranca na próxima semana.
À Lusa, o ativista Ricardo Sequeira considerou que o comportamento das forças de segurança não tem mudado.
"Semana sim, semana sim, estamos a ver agressões das autoridades", afirmou Ricardo Sequeira, morador em Mem Martins, embora salientando que a morte de Odair Moniz trouxe uma "nova consciência social aos bairros".
O morte de Odair Moniz foi uma "demonstração daquilo que já sabia existir e houve uma vontade geral de responder", porque "as coisas não podem ser assim" e as autoridades não podem sair impunes, afirmou Ricardo Sequeira.
Por isso, a criação do manual também resulta de uma "estratégia de consciência e de sobrevivência" por parte dos moradores dos bairros sociais e das periferias de Lisboa, acrescentou.












