Meteorologia

Mau tempo provoca mais de duas mil ocorrências. Chuva vai manter-se

14 nov, 2025 - 00:56 • Marisa Gonçalves , Ricardo Vieira e Lusa

Duas mortes, perto de 30 desalojados, inundações, queda de árvores e de estruturas foi o resultado do primeiro dia da passagem da depressão Cláudia. Chuvas intensas e persistentes, ventos fortes e agitação marítima vão continuar esta quinta-feira.

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Mau tempo no país: "Isto está um cemitério de carros"
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Portugal continental registou até às 21 horas de quinta-feira 2.106 ocorrências devido ao mau tempo, do qual resultaram duas vítimas mortais, um ferido ligeiro e quatro pessoas desalojadas, disse a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Em declarações à Lusa, o oficial de operações da ANEPC, José Costa, afirmou que até às 21:00 desta quinta-feira, altura em que foi feito o último balanço, aquela entidade registou "2.106 ocorrências em todo o continente", devido às condições climatéricas adversas causadas pela influência da tempestade Cláudia, chuvas intensas e persistentes, ventos fortes e agitação marítima. .

Segundo aquele responsável, a região de Lisboa e Vale do Tejo foi a que registou maior número de ocorrências, com 1196, seguida da região Centro, com 477, adiantou o oficial de operações.

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Na região norte, registaram-se 130 ocorrências, no Algarve 203 e no Alentejo 100, acrescentou.

De acordo com as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a chuva vai manter-se em todo o território continental bem como a agitação marítima e ventos, nomeadamente em Faro, Lisboa, Beja e Setúbal, para esta quinta-feira, pelo que a Proteção Civil mantém o seu dispositivo em nível 2 até à próxima segunda-feira, adiantou.

Até às 21:00 desta quinta-feira estiveram envolvidos nas operações de socorro 6.725 operacionais apoiados por 2.504 meios terrestres, referiu o responsável da Proteção Civil. .

Duas mortes e quase 30 desalojados

A inundação de uma habitação provocou a morte a um casal de idosos em Fernão Ferro, no concelho do Seixal, na última madrugada.

O temporal já provocou quase três dezenas de desalojados: 22 na freguesia da Amora, Seixal; cinco em Abrantes, Santarém; e um em Pombal, Leria, disse à Renascença fonte da Proteção Civil.

Em declarações à Renascença, o autarca de Pombal, Pedro Pimpão, explica que o desalojado é um homem de 72 anos, que já recebeu ajuda dos serviços sociais.

"A situação mais marcante, do ponto de vista social, tem a ver com uma pessoa que tivemos de realojar com os nossos serviços sociais, em virtude dos riscos que ocorria na casa de habitação que sofreu uma inundação. Estamos a falar de um senhor com 72 anos e vivia na Aldeia dos Redondos, que pertence à freguesia de Pombal. Rapidamente, as nossas equipas foram ao terreno e em articulação com a junta de freguesia já encontrámos solução para este cidadão. Os nossos serviços vão agora ajudar na recuperação da habitação", adiantou Pedro Pimpão.

De norte a sul do país, estiveram empenhados nas operações um total de 5.721 operacionais, apoiados por 2.192 veículos.

O mau tempo vai continuar nos próximos dias, de acordo com as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A ANEPC deixa alguns conselhos à população:

  • Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais, removendo inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criar obstáculos ao livre escoamento das águas;
  • Assegurar a fixação adequada de estruturas soltas, nomeadamente andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
  • Ter especial cuidado na circulação e permanência em áreas arborizadas, devido à possibilidade de queda de ramos ou árvores provocada por ventos fortes;
  • Adotar precauções na circulação junto à orla costeira e zonas ribeirinhas, particularmente nas áreas historicamente mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando a permanência nesses locais;
  • Evitar atividades relacionadas com o mar, como pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, bem como o estacionamento de veículos junto à orla marítima;
  • Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e prestando especial atenção à eventual formação de lençóis de água nas vias rodoviárias;
  • Não atravessar zonas inundadas, prevenindo o risco de arrastamento de pessoas ou veículos para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
  • Retirar de zonas normalmente inundáveis animais, equipamentos, veículos e outros bens para locais seguros;
  • Acompanhar permanentemente as informações meteorológicas e seguir as indicações da Proteção Civil e das Forças de Segurança.

A depressão Cláudia afeta desde quarta-feira Portugal continental e o arquipélago da Madeira com chuva, vento e agitação marítima fortes, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Para os distritos de Santarém, Setúbal (até às 10:00) e Faro (até às 15:00), o IPMA chegou a emitir um aviso vermelho, o mais grave, de chuva por vezes forte e persistente.

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