Cuidados continuados

“O país ainda não se convenceu que temos 25% de população envelhecida. Faltam respostas”

14 nov, 2025 - 07:00 • Marisa Gonçalves , Diogo Camilo

Relatório da OCDE coloca Portugal como um dos cinco piores países quanto à existência de cuidadores profissionais para idosos e o terceiro com menos camas em cuidados continuados tendo em conta a população idosa do país. Apenas um em cada três profissionais de tem contrato a tempo inteiro.

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A presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE), Maria do Rosário Gama, assume preocupação com algumas das conclusões que constam do relatório “Panorama da Saúde” de 2025 publicado esta quinta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que confirmam Portugal como um dos países mais envelhecidos, a nível global.

Maria do Rosário Gama insiste que faltam muitas respostas para esta faixa etária. “Eu acho que o país ainda não se convenceu que se temos uma percentagem de pessoas mais velhas na ordem dos 25% e que esse número vai aumentando, mas não há respostas. Não há respostas nem de camas nem de cuidadores. Isso, de facto, é muito preocupante”, declara à Renascença.

O mesmo relatório aponta Portugal como um dos mais mal classificados no que toca à existência de cuidadores profissionais para idosos, de entre os 38 países que compõem a OCDE.

Por cada 100 pessoas com 65 anos ou mais, Portugal tinha em 2023 menos de um profissional de instituição ou lar, quando a média dos países da OCDE está nas 5 por cada 100 pessoas - ou seja, cinco vezes mais. No topo da tabela estavam países como Noruega e Suécia, com mais de 12 profissionais por cada 100 pessoas. No fim, a Grécia, com 0,2.

Os valores colocam Portugal entre os últimos cinco piores lugares da tabela da OCDE e Maria do Rosário Gama aproveita para defender o alargamento do estatuto do cuidador informal para abranger mais situações de dependência, nas idades avançadas.

“A principal falha é não haver legislação que permita, por exemplo, que o Estatuto do Cuidador Informal seja mais abrangente porque não abrange todos os cuidadores. O cuidador informal tem pouco apoio e, nas nossas idades, os cuidados continuados são fundamentais", explica a presidente do APRE, para dizer que numa idade em que "a vulnerabilidade é muito grande", a oferta de cuidados continuados "em vez de aumentar, diminui".

O relatório aponta que, entre trabalhadores do setor, apenas um em cada três profissionais tem contrato a tempo inteiro em Portugal, enquanto cerca de 25% trabalham em part-time. Estas percentagens ficam ambas abaixo da média da OCDE.

Entre os trabalhadores do setor, cerca de um em cada quatro são estrangeiros, uma percentagem que era de apenas 11% em 2014.

Outras respostas que falham, segundo Maria do Rosário Gama, têm a ver com as "instituições que possam receber as pessoas mais velhas quando já não têm hipótese de estar em casa”.

Segundo o relatório, Portugal apresenta apenas quatro camas em cuidados continuados por cada 1.000 pessoas idosas, o que é um dos piores números entre países da OCDE, apenas atrás de Grécia e Bulgária.

Quanto aos recursos do sistema de saúde, o relatório indica que Portugal gasta 5.212 dólares (cerca de 4500 euros) per capita em cuidados de saúde, menos do que a média da OCDE de 5.967 dólares (5151 euros), o que equivale a 10,2% do PIB.

No entanto, em cuidados continuados, os gastos equivalem a apenas 1% do PIB português - quando a média dos países da OCDE é quase o dobro, de 1,8%.

Em Portugal, a esperança de vida é de 82,5 anos, 1,4 anos acima da média da OCDE. Ao nível global, a esperança de vida recuperou e está numa trajetória ascendente, situando-se nos 81,1 anos nos países da OCDE em 2023.

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