Protesto

Descubra as diferenças. As leituras de Silva Peneda e Mota Soares sobre a greve geral

10 dez, 2025 - 18:06 • Pedro Mesquita

O que pensam dois antigos ministros de governos liderados pelo PSD, que já enfrentaram greves gerais, sobre o protesto de quinta-feira, 11 de dezembro?

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A Renascença ouviu dois antigos ministros de governos liderados pelo PSD, que já enfrentaram greves gerais: José Silva Peneda, em 1988, e Pedro Mota Soares, em 2013. As semelhanças terminam aqui.

Os dois antigos governantes assumem hoje posições opostas sobre a reforma do Código do Trabalho e sobre a greve geral marcada para esta quinta-feira.

Silva Peneda diz à Renascença que "o pacote é desequilibrado" e que a UGT foi "encostada à parede". Consegue compreender, por isso, a adesão da União Geral de Trabalhadores a esta greve geral.

Já na leitura de Pedro Mota Soares, a proposta do Governo para a reforma do Código do Trabalho é "positiva" e a greve geral é "extemporânea".

Descubra as diferenças:

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José Silva Peneda


  • "O pacote é desequilibrado porque beneficia uma das partes."
  • "A UGT foi um bocado encostada à parede."
  • "Tal como está, consigo compreender esta greve."
  • "O acordo que foi feito no tempo da Troika, em circunstâncias muito difíceis, falava de habitação, falava de justiça...e é do equilíbrio desses aspetos todos que as partes podem sentir algum ganho de causa. Para mim (o atual projeto de revisão do Código do Trabalho) é desequilibrado porque é uma coisa virada para o passado."
  • "Os grandes problemas de competitividade, de produtividade, não têm hoje a ver com a gestão laboral. Têm a ver, fundamentalmente, com a forma como as empresas estão organizadas, com as morosidades na justiça, com a burocracia que existe no nosso país."
  • "Eu não vejo nesta lei nenhum fator que tenha a ver com a competitividade de uma forma direta. Além disso, ignora aspetos que, esses sim, são importantes: tudo o que tem a ver com a Inteligência Artificial, tem a ver com computorização."
  • "Quando as centrais sindicais decidem fazer uma greve geral, só com o anúncio já existe impacto político. Portanto, impacto político terá. E impacto económico também irá ter. Se determinados setores da economia vão parar, com certeza que haverá prejuízo para o país."
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Pedro Mota Soares


  • "Acho que a proposta que é apresentada pelo governo é positiva para o país, positiva para a nossa economia e positiva para o nosso mercado de trabalho. (...) É positiva para todos e também para os trabalhadores."
  • "Esta proposta está a ser negociada em sede de concertação social. A negociação ainda está a correr. Parece-me que, até por isso mesmo, esta greve geral é extemporânea."
  • "Eu acho que esta proposta (do governo) tem uma capacidade reformista. Há uma coisa que o passado já nos comprovou: quando temos um Código de Trabalho que é mais flexível, isso representa mais emprego e não o contrário. A última alteração com bastante significado, e que eu vivi por dentro do Código do Trabalho, feita em 2012, 2013, 2014, comprovou-nos exatamente isso: tornou mais fácil para as empresas contratarem".
  • "Desde 2013 até agora, com uma exceção óbvia nos tempos da pandemia, a taxa de desemprego tem vindo a descer em Portugal."
  • "Nós hoje vivemos um momento económico positivo, com crescimento económico. Acredito que as reformas estruturais podem, e devem, ser feitas em bons momentos económicos, porque quando nós temos de fazer uma reforma num clima económico difícil, a reforma é sempre mais dura."
  • (Uma greve geral) "tem sempre um grande impacto no setor dos transportes e isso afeta a mobilidade de milhões de trabalhadores, milhões de estudantes. O impacto da greve é muito mais forte no setor privado do que muitas vezes no setor público. Muitas empresas públicas, estou a pensar no caso dos transportes, quando estão numa greve, no final do ano até melhoram as suas contas, porque durante o dia da greve não pagaram aos trabalhadores."
  • A greve geral causa "um dano que eu acho que é desproporcionado". (...) "Não agora, mas numa determinada altura, teremos de reponderar seriamente se a lei da greve que temos está a acompanhar o nosso sistema económico ou se é uma lei da greve que é mais datada e por isso mesmo devia ser revista".
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