Mau Tempo

Ereira em risco de ficar isolada. “A gente tem sempre receio”

04 fev, 2026 - 13:11 • Isabel Pacheco

Em Ereira, em Montemor-o-Velho, foi montado dispositivo da Proteção Civil, exército e bombeiros de apoio à população em risco de ficar isolada com a subida do caudal do rio Mondego.

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De galochas calçadas e com o impermeável vestido a segurar o guarda-chuva contra o vento, Fernando Castro atravessava, ao início da manhã desta quarta-feira, a pé a estrada, a única que ainda dava acesso à freguesia de Ereira, em Montemor-o-Velho.

Conta que deixou na última noite o carro, fora da aldeia, do outro lado da margem do rio para garantir que, esta quarta-feira, conseguia deslocar-se para o trabalho.

Quis precaver-se porque, diz, “não sabemos o que se ia passar de noite”, conta-nos depois de uma noite em que se previa a subida do caudal do Mondego. Fernando admite que a população fica sempre “em sobressalto” quando o rio galga as margens e, quando perguntamos se não teme que não conseguir regressar a casa ao final do dia, admite: “A gente tem sempre receio, não é?”

Ao lado do carro de Fernando, estacionados na berma da estrada, estão mais uns quantos. Todos de moradores da aldeia que, tal como Fernando, quiseram -se salvaguardar.

Paulo e Carla arriscaram a sair da aldeia. Ainda não eram sete da manhã desta quarta-feira quando foram reabastecer a mercearia.

“Ainda vou às compras, depois venho descarregar. Por isso, espero que a água não cresça muito mais”, dizia Paulo ainda de mãos no volante, admitindo a expectativa da população com a situação. “Há alguma apreensão. Vamos aguardando com alguma expectativa e alguma ansiedade e sempre confiantes que a coisa não será pior”.

Até porque na memória ainda estão as cheias de há 25 anos, quando um dos diques do rio mondego rebentou e a Ereira ficou totalmente isolada. “Já não sei por quantos dias durou [o isolamento]. Mas, sei que na minha mercearia tivemos 1,80 metros de altura de água”, lembra.

Casal Novo do Rio prepara-se para cheias: “A água fura”

A escassos quilómetros da Ereira, em Casal Novo do Rio, a cerca de 150 metros das margens do rio, foram colocados taludes de madeira nas portas de algumas casas. E no café de Rita, o único da rua, já foram tomadas as medidas de prevenção para uma eventual cheia.

As arcas frigoríficas subiram até ao balcão. Quase tudo o resto foi retirado para o primeiro andar.

“Subimos o material elétrico, nomeadamente, as arcas para salvar o que pudermos caso aconteça [inundação]”, explica a jovem proprietária adiantando que “o município vai avisando, vai alertando e então nós temos de precaver, temos de fazer o que o que nos aconselham”, remata.

Da rua, apercebe-se que a água está à espreita e o risco de inundação é dado como quase certo.

“Aqui na região, quando o rio transborda, vai apanhar as casas e a searas, e tudo o resto, já está tudo inundado”, conta Raquel Gomes.

“A gente vê-o logo, ele está cheio e aqui na parte de baixa, onde estamos, é certinho”, relata. “Se chover muito é o que vai acontecer [inundações]”, antecipa a moradora que, olhando para os taludes de madeira colocados na casa vizinha. E explica: “É para a água não entrar, mas ela fura”.

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