04 fev, 2026 - 13:43 • João Cunha
"Desde segunda-feira que estamos a laborar, depois de um fim de semana todo a trabalhar para conseguir pôr a empresa a funcionar. Mandámos vir geradores de Madrid, limpámos as instalações e conseguimos dar uma normalidade aos mais de 500 trabalhadores que temos na nossa empresa". As declarações são de Gustavo Soares, diretor comercial da Plastivaloire.
E todos receberam o seu vencimento, há uns dias.
Num dos armazéns da empresa, exclusivo para o fornecimento de peças para o grupo Stellantis — um dos maiores grupos automóveis mundiais que tem marcas como a Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, DS, Fiat, Lancia, Maserati, Opel e Peugeot — Gustavo Soares, que é também responsável pelos quatro armazéns da empresa, que tem duas unidades de moldagem por injeção de plástico na zona industrial do Casal da Lebre, revela que não ficaram de braços cruzados.
"Pusemos um plano em marcha para obter energia, principalmente. Temos dois geradores em cada uma das fábricas que consomem, por semana, 20 mil litros de gasóleo cada um", relata à Renascença.
Nos quatro armazéns, há outros geradores, de menores dimensões e que consomem menos combustível.
Uma semana depois de terem perdido parte da cobertura e de terem ficado com parte do stock destruído, já conseguem fazer "reuniões diárias para continuar a fornecer peças ao setor". E ainda não falharam nada. Mesmo com quatro dias em que a laboração esteve parada.
"Não estamos a falhar com as entregas", garante, nem que para isso tenham de trabalhar aos fins de semana, para garantir essas entregas. Para já, ajustaram a produção e expedição para continuar a fornecer os clientes. "Desde o primeiro momento que a Stelantis nos visitou e esteve aqui connosco a assegurar que temos capacidade para assegurar a produção das suas peças", explica Gustavo Soares.
"Uma coisa que falta muito é a informação. Saber, por exemplo, quando regressa a energia", e saber ao certo quando a rede elétrica estará reposta, diz o responsável.
"Lembro-me de no primeiro dia em que cá esteve (na passada quinta-feira), o que lhe perguntei era se sabia alguma coisa sobre a reposição de energia. Porque aqui não sabíamos de nada". E ainda pouco sabem.
Sem abastecimento elétrico, pouco podiam fazer. Chegaram mesmo a recorrer à folha A4 e à caneta para apontar pedidos, depois de fazer dezenas de quilómetros para conseguir ter rede móvel e falar com os clientes e com a sede, em França. Ou deslocarem-se às duas fábricas e outros três armazéns que têm na zona, "porque não havia nenhuma forma de fazer uma chamada".
Ainda no que toca á comunicação, ou à falta dela, Gustavo Soares refere que "era interessante" saber que apoios poderão ter para resolver os problemas com as infraestruturas. "Para não trabalharmos, assim meio ao ar livre, à chuva. Para termos algum apoio para termos uma recuperação mais rápida."