Reportagem
“Incerteza com vencimentos e com contas para pagar” aflige Constância. Há casas onde só se acede de barco
13 fev, 2026 - 12:19 • João Maldonado
Comerciantes e moradores de Constância ainda não veem a normalidade no horizonte. Com prejuízos, para já, incontáveis, presidente da Câmara sublinha “situação de alerta” e preocupação especial com a Ponte da Praia do Ribatejo – onde os pesados não podem passar (mas passam).
“É um prejuízo mesmo. Já estamos fechados há praticamente duas semanas” – e sem dia certo para abrir –, lamenta Vanda, proprietária de um café na Praça Alexandre Herculano. Por precaução, e com a ajuda dos militares, todo o recheio foi levado para Tancos, evitando, ainda assim, danos maiores. “É um risco estarmos a colocar e depois à noite subirem as águas e ficarmos inundados, com tudo estragado”, reforça.
Em Constância cruzam-se os rios Tejo e Zêzere. Na zona ribeirinha da cidade tudo está fechado. “Esta incerteza com os vencimentos, com os ordenados, com as contas para pagar e quando é que podemos reabrir”: são neste momento os pensamentos mais frequentes na cabeça de João, dono de alojamentos locais e de uma lavandaria.
Também nesta zona da cidade a Renascença encontra Conceição, que aqui veio para perceber como está a casa do filho, obrigado a sair do apartamento faz dias. “Agora, se a água já não vier, é para limpezas e ver o que está estragado. No primeiro andar não deve ter água, que ele já cá veio de barco e não tinha água”, relata, com uma naturalidade desconcertante – como se fosse normal ter de aceder à própria residência com a ajuda de uma embarcação.
A preocupação do presidente da Câmara Municipal, Sérgio Oliveira, é, naturalmente, grande, como tantos autarcas por todo o país. “Continuamos em situação de alerta, os rios continuam com um caudal muito elevado, qualquer oscilação aqui fará o rio subir novamente” – o que poderá complicar-se devido aos “solos saturados” na região.
No entanto, com interrupções em estradas país fora, e alterações obrigatórios de rotas, Sérgio Oliveira foca também atenções na Ponte da Praia do Ribatejo. Com o aumento do tráfego e a passagem de pesados, que, por lei, não deveriam circular pela ponte, o autarca apela à GNR que faça um “patrulhamento permanente de forma a evitar que os pesados ali passem”.
“O que estamos a dizer é, atenção, o tráfego da ponte duplicou, triplicou. Há pesados que não estão a respeitar a sinalização e a proibição e estão a passar. Isto está a criar uma pressão enorme sobre a ponte e é preciso que o Governo olhe para esta questão”, sublinha o autarca, pedindo ainda que quando o Executivo iniciar fiscalizações e auditorias “esta infraestrutura seja considerada prioritária, ou seja, que seja das primeiras a ser auditada e fiscalizada”.













