Reportagem
Cansados, mas sobretudo aliviados, 163 portugueses regressam do Médio Oriente
06 mar, 2026 - 13:41 • João Cunha
Às primeiras horas do dia, um C-130 com 39 passageiros aterrava em Lisboa, com 24 portugueses a bordo. Ao final da manhã, um avião fretado à TAP, com 147 passageiros, entre eles 139 portugueses, aterrava em Figo Maduro. Ambas as aeronaves trouxeram cidadãos de outros países, no âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
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Foi um dos primeiros a pôr o pé em Lisboa. De ar cansado, por estar há quase 24 horas de viagem desde Israel, Tomás Figueira estava sobretudo aliviado pelo fim da viagem.
"Foi difícil. Agradeço ao Estado português e a todos os envolvidos na ajuda para sair do país. Foi difícil fazer a passagem até ao Egito", explicava este português, que há um mês estava a trabalhar em Telavive.
Saiu de Israel por via terrestre até Sharm El-Sheikh, na costa egípcia do Mar Vermelho, e daí partiu para Portugal, via C-130.
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Horas mais tarde, aterrava em Lisboa o avião da TAP, fretado pelo Governo português no âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil. O que fez com que, além dos 139 portugueses, tivessem viajado cidadãos de países como Alemanha, Itália, Estados Unidos da América, Reino Unido e Peru.
Entre os portugueses, as gémeas vimaranenses Cristiana e Mariana Carvalho, também com a fadiga expressa nos rostos.
"Acho que há 36 horas que estamos de viagem. O transporte terrestre até Omã foi bastante difícil", confessava Mariana, cuja irmã, Cristiana, acrescentava que só no aeroporto de Mascate tiveram de esperar 17 horas pelo voo para Lisboa.
As duas estavam de férias no Dubai e tinham previsto o regresso a Portugal no dia em que a guerra começou.
"Foi o pior dia. Ainda sentíamos uma certa segurança, mas foi quando começámos a ouvir os estouros dos mísseis, antimísseis e as notícias dos hotéis a arder que... temos uma à outra, graças a Deus. Mas foi o pior dia, sem dúvida", referia uma das irmãs, acrescentando que a ansiedade diária era saber se haveria possibilidade de realizar uma ligação aérea comercial. Não quiseram esperar nem arriscar e, por isso, regressaram neste voo fretado.
"Estávamos sempre agarradas ao telemóvel a ver as notícias de que o conflito estava a escalar e que os voos estavam constantemente a ser adiados. Era para ficarmos uma semana e acabámos por ficar duas", referiu Mariana.
De sacola de bebé a tiracolo e de olhar atento à mulher, que segurava o bebé ao colo, Diogo Aires Coelho também veio do Dubai, onde vive há já alguns anos.
"Achámos seguro vir. Não sabemos o que pode acontecer. Por isso, prevenir acho que foi o melhor cenário. Um bocadinho cansados, de autocarros e voos, mas agora em segurança", referia, enquanto ajeitava a sacola no ombro.
Também de mochila ao ombro, a morder um pastel de nata que a Força Aérea e a Secretaria de Estado das Comunidades tinham na sala de espera do Aeródromo de Trânsito n.º 1, mais conhecido por Figo Maduro, estava Carolina Costa, que referia que os últimos dias na região foram de muita incerteza.
"Foi muito difícil. Bater uma porta do carro ou o barulho dos homens do lixo deixavam-nos sempre em sobressalto. Qualquer barulho era assustador, e os alertas no telemóvel deixavam-nos muito inseguros", referia esta jovem portuguesa, que trabalha há ano e meio em Abu Dhabi.










