Crime

Mais de 97 mil crimes em três anos: violência contra mulheres sem sinais de travão

06 mar, 2026 - 07:00 • Teresa Almeida

Os casos de violência contra mulheres continuam a aumentar em Portugal e não mostram sinais de estabilização. Nos últimos três anos, os crimes registados cresceram quase 22%, com a violência doméstica a manter-se como a forma mais frequente. Mais de 50 mil mulheres foram apoiadas pela APAV entre 2022 e 2025, um aumento de quase 23%. A maioria das agressões ocorre no contexto da intimidade e é praticada por homens.

A+ / A-

A dois dias do Dia Internacional da Mulher, os números revelam que a violência contra as mulheres continua a aumentar em Portugal e atinge todas as faixas etárias.

Nos últimos três anos, os crimes registados cresceram quase 22%, ultrapassando os 97 mil casos, segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Entre 2022 e 2025, mais de 50 mil mulheres receberam apoio da associação, um crescimento de quase 23%, sendo a violência doméstica a forma mais comum de agressão.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Para Daniel Cotrim, da APAV, os dados revelam uma tendência clara de subida e sem sinais de estabilização: “O número de denúncias continua a aumentar. Aquilo que sentimos nestes dados é que não há tendência para estabilizar. Pelo contrário, há uma tendência clara de subida”, afirma.

A maioria das vítimas situa-se entre os 18 e os 64 anos, faixa etária onde o crescimento ronda os 27%, mais de 31 mil vítimas.

Também entre raparigas e meninas, há registo de um aumento da violência, mais de 47% em três anos, são 17% das vítimas de violência no feminino, enquanto que entre mulheres com mais de 65 anos a subida foi de cerca de 31%: são mais de cinco mil vítimas.

No total, os números indicam que todos os anos há cerca de duas mil novas vítimas apoiadas. Em 2024, a APAV apoiou 12.681 mulheres, número que em 2025 aumentou em cerca de duas mil vítimas.

Outro dado relevante mostra que as vítimas estão a apresentar queixa mais cedo, mas essa rapidez na denúncia está associada a situações de violência cada vez mais graves. “A violência escala muito mais depressa do que há anos. Se antes podia demorar 10 a 15 anos até chegar a uma tentativa de homicídio, hoje esse percurso acontece muito mais rapidamente. É uma violência mais letal e mais perigosa”, explica Daniel Cotrim.

Entre crianças e jovens até aos 17 anos, o aumento também é significativo. Atualmente registam-se 7.748 vítimas, uma subida de mais de 47% nos últimos três anos. A APAV presta apoio, em média, a cinco crianças por dia, o que representa mais de 160 por mês.

Segundo a associação, estes números refletem também situações que ficaram ocultas durante a pandemia de Covid-19. "Quando a normalidade regressou, muitas situações que começaram em 2020 e 2021 começaram finalmente a ser conhecidas pelas organizações e pelas autoridades”, refere.

Na maioria dos casos, o agressor é do sexo masculino e mantém uma relação próxima com a vítima, sendo que as agressões continuam a ocorrer sobretudo no contexto da intimidade.

Cerca de 74% das vítimas são portuguesas. Entre as nacionalidades estrangeiras, destaca-se a americana.

Em termos geográficos, Lisboa concentra o maior número de casos, seguida de Faro e Porto.

Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque