Mobilidade

Trânsito mais condicionado no centro histórico da vila de Sintra

19 mar, 2026 - 16:55 • João Cunha

Operação “Viver e Visitar a Vila de Sintra” entrou esta quinta-feira de manhã em vigor. Visa acabar com o caos no trânsito, dando turismo de qualidade a quem visita e qualidade de vida aos moradores.

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Já não era fácil chegar e estacionar no centro histórico de Sintra. Ou, pelo menos, perto dele. Esta quinta-feira, entraram em vigor novas restrições ao trânsito com o objetivo de "devolver a magia" à vila visitada todos os anos por milhares de turistas.

Maria Helena Lopes, que trabalha na zona, diz que "sempre foi muito complicado". Porque "as pessoas não respeitam nada", queixava-se, enquanto punha debaixo do braço o saco de papel com o pão, comprado na mercearia mais próxima, do outro lado da rua, ali mesmo ao pé dos Paços do Concelho.

"Não há civismo", acrescentou.

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A partir de desta quinta-feira, ainda será mais difícil chegar ao centro da vila de Sintra, devido às restrições previstas na operação "Viver e Visitar a Vila de Sintra".

A ideia é dar fluidez ao trânsito no centro histórico, dando primazia à opção pedonal para aceder ao coração da vila.

Anabela Macedo, vereadora com o pelouro da Proteção Civil, adianta que o objetivo é simples: "Devolver magia a Sintra, criando um turismo de qualidade, para quem nos visita, e uma qualidade de vida para quem aqui vive porque, nos últimos anos, criou-se o caos total a nível de trânsito".

Com esta operação experimental em vigor até dia 6 de abril, o trânsito – explica a vereadora – deve "fluir com maior facilidade, retirando grande parte das viaturas do centro da vila. Claro que os operadores turísticos continuam a fazer o seu trabalho, mas de forma controlada e ordenada", adiantou.

Onde estacionar em Sintra?

Os autocarros turísticos terão um circuito entre o Arco do Ramalhão e o centro histórico, apenas podem largar e recolher turistas, tendo de regressar ao Ramalhão para estacionar num terreno próximo dos bombeiros de São Pedro que, apesar de destinado a autocarros, foi deixando de ser utilizado.

A circulação automóvel também vai ser interditada junto ao hotel da Gandarinha, no sentido da fonte da Sabuga, com exceção para viaturas particulares autorizadas, de residentes e hóspedes de unidades turísticas.

Quem levar carro vai ter de o deixar estacionado no parque do Lourel, com 543 lugares gratuitos, no parque norte da estação da CP da Portela, com 450 lugares gratuitos ou junto ao edifício municipal do Urbanismo, onde há mais 350 lugares gratuitos.

A autarquia garante que vai haver estacionamento para pessoas com mobilidade reduzida no centro.

Carreira 434 reforçada

Para ajudar a levar turistas ao centro da vila, houve reforço de viaturas no percurso do autocarro 434, que liga os parques de estacionamento periféricos aos monumentos e centro da vila. Tem partida e chegada no Lourel, passando pela estação da CP da Portela, da estação de Sintra e pelo parque da Pena.

A Polícia Municipal, em conjunto com a GNR, instalou pontos de controlo operacional em vários locais de acesso ao centro da vila, para garantir uma fiscalização mais ativa. Junto ao Palácio Nacional está um posto de comando móvel da GNR, e a Polícia Municipal vai estar ao longo dos percursos, de forma a poder encaminhar os automobilistas para os parques periféricos.

E todas as atenções vão centrar-se, também, nos tuk-tuks, que não vão poder, como até aqui, entrar no centro histórico e parar, em qualquer lugar, por tempo indeterminado.

"Não é uma guerra contra os tuk-tuks", garante o vereador com a pasta da Mobilidade, Francisco Duarte. "Os tuk-tuks também estão informados. Vão poder trabalhar à mesma. Não é guerra contra ninguém, mas é querer melhorar a experiência de toda a gente, que deve ser boa para todos."

Francisco Duarte admite que a medida pode prolongar-se para além de dia 6 de abril: "Admitimos, sim. Quando acabar esta operação, faremos a avaliação de todas as medidas, e veremos qual será a nova normalidade no centro histórico de Sintra".

Rui Ferreira aplaude o novo plano para o centro da vila de Sintra. Foto; João Cunha/Renascença
Rui Ferreira aplaude o novo plano para o centro da vila de Sintra. Foto; João Cunha/Renascença
Filipe Mortágua   Foto: João Cunha/Renascença
Filipe Mortágua Foto: João Cunha/Renascença

Há quem desconfie desta "nova normalidade". Filipe Mortágua, proprietário de uma cafetaria com vista para o Palácio Nacional, não concorda.

"Não estou a ver as pessoas a vir a pé ou de transporte público para o centro", antevê Filipe Mortágua, sublinhando que teme os efeitos da medida no negócio.

Já Rui Ferreira, dono de uma mercearia no início da Volta do Duche, aplaude: "Vai trazer benefícios. Se as pessoas vieram a pé, tenho mais movimento, que é o que me interessa. Os carros não compram nada. Acho que vai trazer mais gente, porque isto já se vê noutras cidades europeias. É seguir o exemplo".

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  • Fabricio
    22 mar, 2026 Sintra 08:43
    Ficou uma porcaria o trânsito está pior que no verão agora imagine quando chegar a alta temporada

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