Reportagem

Marcha pela Vida em Lisboa marcada por incidente de violência

21 mar, 2026 - 19:42 • Sandra Afonso , Alexandre Abrantes Neves , Diogo Camilo

Organização da manifestação pacífica na capital fala no lançamento de um cocktail molotov na direção de famílias e manifestantes, junto à Assembleia da República.

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Em defesa da dignidade da vida, desde a conceção até à morte natural, centenas de manifestantes marcharam este sábado em Lisboa, desde o Largo Luís de Camões até à Assembleia da República.

Este ano a iniciativa ficou marcada por um incidente, já no final e depois dos discursos em frente ao parlamento. "Um indivíduo atirou um objeto incendiário na direção de mulheres, crianças e bebés. O objeto não chegou a incendiar", garante a organização. O agressor acabou por ser detido pelos agentes da PSP presentes no local.

A organização "condena veementemente este ato de violência", numa "iniciativa pacífica, apartidária e aconfessional", que representa "um ataque à liberdade de expressão e de manifestação pacífica de todos os cidadãos".

Esta marcha é uma iniciativa internacional, que se repete em vários países e em várias cidades. Em Lisboa, responderam à chamada, mais uma vez, pessoas de todas as idades e muitas famílias com crianças pequenas. Em comunicado, o Patriarcado de Lisboa diz que os factos ainda estão a ser apurados, mas condena a violência, numa iniciativa que reforça ser pacifica e onde participam familias e crianças.

À Renascença, fonte da PSP confirmou o incidente, referindo que, "já quase no fim do evento, um indivíduo arremessou um artefacto pirotécnico, que não chegou a deflagrar".

O suspeito encontra-se neste momento detido, depois de ter sido transportado até ao Hospital de São José, com a PSP a indicar que não há feridos ou danos a registar.

"É uma preocupação, defende-se com especial cuidado e muito sentido"

A Marcha pela Vida já se repete em Lisboa há mais de uma década, mas ainda há quem venha pela primeira vez. É o caso de Catarina Neto, que foi desafiada pela organização.

Catarina diz à Renascença que esta é também “uma causa pessoal”, como católica “o direito à vida é uma preocupação, defende-se com especial cuidado e muito sentido, a defesa dos mais fracos e a sensibilização para o sofrimento das pessoas marca todos”.

A Iniciativa Liberal e o Bloco de Esquerda defendem neste momento a revisão do diploma da eutanásia, que viu seis normas declaradas irregulares pelo Tribunal Constitucional.

Uma “luta política ainda muito acesa e controversa”, admite Catarina Neto, que apela a quem decide que “se paute pela defesa das pessoas, porque em todas as circunstâncias da vida as pessoas devem decidir de forma informada e com opções”.

Além dos cartazes a marcha contou com bombos e muita música. Em frente à Assembleia da República ouviram-se testemunhos. Um dos mais pessoais e marcantes foi deixado pela Andreia, que admitiu ter perdido um filho por decisão própria.

“Eu fiz um aborto. Eu tenho noção que é errado. Estou aqui para que nenhuma de vocês tenha que passar pelo que passei sozinha”, explicou a Andreia.

E não está sozinha, com ela estiveram este sábado centenas de pessoas que saíram à rua, só em Lisboa. “O povo pró-vida saiu à rua e vai sair sempre que necessário”, garantiu António, para que “nenhuma mulher aborte por não encontrar ajuda”.

No último ano estão contabilizados 18 mil abortos e 300 mil desde julho de 2007, altura em que a lei foi alterada.

Fora destas estatísticas está a Ana, uma bebé que tinha o destino selado numa clínica em Lisboa, mas a mãe decidiu pedir ajuda no último momento à Associação 40 dias pela vida, que estava junto à porta a rezar.

Esta não é a primeira vida que a Associação apoia. Hoje apelam a todos que adiram à campanha pela vida e se juntem à oração que decorre durante a Quaresma, em 40diaspelavida.org.

[notícia atualizada às 22h21 com confirmação da PSP]

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