​Concurso de professores

Aspirantes a professores ou veteranos nos concursos, este ano está mais difícil concorrer

13 abr, 2026 - 13:00 • Cristina Nascimento

Só na sede da Fenprof, em Lisboa, na última semana cerca de 300 pessoas foram pedir ajuda. Dirigente sindical assinala que falta material de apoio à candidatura, bem como esclarecimento de dúvidas em tempo útil.

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Termina esta segunda-feira o prazo para entrar no concurso nacional de professores para o próximo ano letivo. Há 8.500 vagas, menos cerca de 2.500 do que no ano passado, e há menos meios de apoio às candidaturas.

É um cenário descrito à Renascença por Cátia Domingues, do secretariado nacional da Fenprof. Na última semana passaram pela sede da Federação Nacional dos Professores cerca de 300 pessoas que foram pedir ajuda para completar o processo de candidatura.

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“Este ano, o nosso apoio a sócios diz que, realmente, há uma procura mais elevada para este apoio. Tem muito a ver com a informação que a Direção-Geral da Administração Escolar antigamente prestava e que, neste momento, está em falta, por exemplo, o manual de apoio aos concursos que todos os anos era disponibilizado na página da DGAE e este ano não foi feito”, descreve a sindicalista.

Em média, na última semana, passaram pela sede da Fenprof, em Lisboa, 60 candidatos.

“Há de tudo um pouco: professores de primeira viagem que estão a concorrer pela primeira vez, mas também temos muitos que tentam mudar de grupo de recrutamento, maioritariamente professores monodocentes que tentam mudar para outros grupos. Depois professores que tentam mudar de agrupamento, de escola, outros que tentam vincular e, este ano, notamos também muitos professores que vêm do ensino particular e cooperativo que tentam a entrada nas escolas do ensino público”, descreve Cátia Domingues.

“Sempre arranjei plano B, C, D, X, Z… alguma coisa acontecerá”

Daniela Ferreira, 36 anos, é uma das pessoas com que nos cruzamos na sede da Fenprof. É uma estreante nesta lide de concursos, depois de, no fim de 2025, ter terminado a profissionalização.

“Dei aulas de forma informal, enquanto formadora em workshops de desenho, trabalhei na área do museu e também sou artista freelance. Sempre tive vários trabalhos ao mesmo tempo e chega a um ponto em que estamos exaustos e acabei por enveredar pelo ensino, até porque tenho professores na família”, diz.

Tomada a decisão, Daniela, acompanhada de amigas, reuniu documentação para o processo de candidatura, mas, uma vez em frente à plataforma eletrónica, achou melhor procurar ajuda.

“Tentámos fazer o processo em conjunto, mas há algum jargão a que ainda não estamos habituadas”, reconhece.

Daniela sai da sede da Fenprof aliviada e com a candidatura completa. Agora é esperar, mas, apesar da incerteza, está tranquila. “Sempre arranjei plano B, C, D, X, Z… alguma coisa acontecerá”, afirma.

Sofia quer mudar do privado para o público

Daniela deixa o edifício, deixando para trás Sofia Rosas. Ao contrário de Daniela, Sofia já tem mais de duas décadas de experiência como professora de primeiro ciclo, mas, tal como Daniela, não tem experiência na atual configuração do concurso nacional.

“Já concorri há mais de 20 anos, era muito diferente, tínhamos horas de espera em filas, preenchíamos os códigos à mão”, recorda. Depois de uma breve passagem pelo ensino público, Sofia Rosas foi para o ensino particular onde tem estado durante duas décadas. O ano letivo passado mudou de colégio e agora quer mudar para o público. “Vou ser muito sincera, é por causa da remuneração”, diz de imediato quando questionada sobre o que motiva a mudança.

Sofia Rosas acrescenta que, nos dois ou três primeiros anos de carreira, o público é menos favorável, mas, na fase em que está, e guiando-se pela experiência de outras colegas, o cenário no público é mais atrativo e com “muitas hipóteses” de ficar colocada.

“Com 24 anos de serviço e uma vez que há muitas vagas por preencher, de há uns três anos para cá, quem vem do privado para o Estado tem grandes vantagens”, diz Sofia.

Teresa, veterana, está cansada

Se Daniela e Sofia são praticamente estreantes no concurso de professores, Teresa Ramos é uma veterana.

Esta professora de 60 anos está a cerca de seis anos da reforma, mas quer mudar. Há 40 que é educadora de infância e nos últimos anos tem tentando mudar de grupo de recrutamento. Está cansada.

“Já tentei várias vezes mudar de grupo, mas não tem sido fácil. Quero mudar porque na monodocência trabalhamos 25 horas diretas, mais as outras indiretas, e nos outros grupos pelo menos o horário letivo é mais facilitado”, explica.

Teresa garante que “gosta de ser educadora”, mas trabalhar com alunos entre os quatro e os seis anos exige uma energia que garante já não ter.

“Os meninos estão cada vez mais exigentes, correm, saltam, pulam e eu já não estou nas condições físicas que tinha quando comecei há 40 anos e acho que eles merecem mais, merecem um educador rejuvenescido com toda a força e estaleca”.

Teresa Ramos tenta mais um ano, sendo que desta vez considera que o concurso está “menos intuitivo”.

“Este ano não há regras [material de apoio] como houve nos anteriores. Tentei em casa até determinado ponto e depois surgiram-me dúvidas e vim aqui para ter a certeza. Assim não corro riscos a concorrer mal”, explica.

Os dados estão lançados para a Daniela, Sofia e Teresa. O concurso nacional de professores fecha esta segunda-feira e os resultados devem ser conhecidos ainda este ano letivo, no início de junho, estima o Governo.

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