Dia do Trabalhador

Quatro em cada 10 jovens são precários. Raio-X ao mercado de trabalho em Portugal

01 mai, 2026 - 00:59 • Catarina Magalhães

Esta sexta-feira comemora-se o 1º de Maio, Dia do Trabalhador. Na reta final das negociações sobre a lei laboral, antevê-se um dia marcado por críticas dos sindicatos sobre as propostas do Governo. Pordata divulga dados sobre o trabalho em Portugal e no resto da Europa.

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Carga horária semanal mais elevada, mais contratos temporários entre jovens e com salários abaixo da média europeia. É este o Raio-X do mercado de trabalho em Portugal feito pela Pordata neste 1º de Maio – Dia do Trabalhador.

Com mais de cinco milhões de trabalhadores, o país conta, porém, com uma das mais elevadas taxas de emprego juvenil entre os 25 e os 29 anos.

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Este ano, o Dia do Trabalhador comemora-se nas ruas do país, tendo como pano de fundo as negociações da reforma laboral.

A Renascença apurou, junto de várias fontes, que a CGTP está a preparar anunciar nesta sexta-feira uma nova paralisação para dia 3 de junho, véspera do feriado do Corpo de Deus.

Em reação, o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, rejeitou na quarta-feira qualquer influência que uma greve geral possa ter no envio da lei laboral para o Parlamento.

Para já, ainda não foi feito nenhum anúncio oficial e as negociações para uma possível reforma laboral estão a decorrer, mas parte das alterações exigidas coincidem com os desequilíbrios apontados nos novos dados.

Taxa de Emprego

De acordo os novos dados compilados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), através da Pordata, 79,6% da população portuguesa completa a taxa de emprego do país e, em comparação com outros 27, coloca-se a meio da tabela, na 12ª posição.

E os jovens portugueses dos 25 aos 29 anos posicionam-se em sétimo lugar perante as taxas da UE.

Já na União Europeia, apenas uma em cada quatro pessoas, entre os 20 e os 64 anos, está fora do mercado de trabalho.

Malta (83,6%), Países Baixos (83,4%) e Chéquia (82,9%) são os países com maiores taxas de emprego. Já Grécia (71%), Roménia (69%) e Itália (67,6%) situam-se no extremo oposto.

As desigualdades de género persistem em Portugal e na UE, à exceção da Lituânia, com os salários dos homens superiores aos das mulheres.

E os estrangeiros trabalham mais do que nacionais? Apesar de ser uma percentagem percentual, estes completam 79,8% da taxa de empregabilidade e os portugueses 79,6% .

Horas de trabalho

Perante uma média europeia de 37 horas de trabalho semanal, Portugal coloca-se em quinto lugar nesta dimensão.

Bulgária, Roménia, Polónia e Grécia são os quatro países que ultrapassam os portugueses.

Salários

Luxemburgo é o país que mais paga, em média, aos trabalhadores, com um salário médio de 6.914,10 euros – o que equivale a mais do triplo dos praticados em Portugal, que corresponde a 2.068,2 euros.

O salário mínimo português de 2025 mais do que triplicou em comparação com 1995, subindo de 259,4 euros para 870 euros.

A média europeia é de 3.317,3 euros mensais.

Contratos Temporários e Precariedade

À semelhança de Espanha ou França, 15,1% dos trabalhadores em Portugal assinou contratos temporários, sendo que quase 4 em cada 10 têm trabalhos precários.

Portugal também é o quarto país da União Europeia com mais trabalho precário entre os jovens e está entre os países com maior diferença na percentagem de trabalho temporário, por nacionalidade, com quase 34% de estrangeiros e quase 14% de trabalhadores nacionais.

Relativamente à UE, 19,2% dos trabalhadores estrangeiros tinham emprego temporário, em 2025.

Trabalhar a part-time

Apenas 8,1% dos trabalhadores em Portugal tem contrato a tempo parcial. Na UE, este tipo de contratos é mais popular entre mulheres e pessoas com menos de 25 anos, sendo que 18,8% dos trabalhadores completam esta dimensão.

Produtividade

Cada trabalhador português contribui, em média, com 48 mil euros – menos 26 mil euros do que a média europeia.

No entanto, Portugal destaca-se na produtividade em três setores: produção e distribuição de energia, atividades financeiras e de seguros e na área do alojamento e restauração.

Profissões e Ramos de Atividade

Sobre os ramos de atividade, Portugal não se distingue do padrão europeu, já que cerca de dois terços dos trabalhadores concentram-se em quatro grandes grupos profissionais: especialistas de atividades intelectuais e científicas; trabalhadores dos serviços pessoais, proteção e segurança e vendedores; trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices e técnicos e profissões de nível intermédio.

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