Guerra na Ucrânia
“Neste momento, a Europa é o principal parceiro da Ucrânia na luta contra o regime de Putin”
09 mai, 2026 - 23:26 • Marisa Gonçalves
Dezenas de ucranianos manifestaram-se em Lisboa, este sábado, para reclamar a integração da Ucrânia na União Europeia.
A Associação de Ucranianos em Portugal promoveu, este sábado, Dia da Europa, uma marcha lenta para defender a integração da Ucrânia na União Europeia.
O presidente da associação, Pavlo Sadokha, alega que é importante não desviar o foco internacional do conflito na Ucrânia, apesar de outros cenários de guerra, tais como aqueles que decorrem no Médio Oriente, e pede a atenção do bloco europeu.
“O nosso objetivo não é só defender a integração da Ucrânia na Europa, mas também agradecer aos líderes europeus por todo o apoio que foi dado à Ucrânia nesta terrível guerra. Achamos que, neste momento, a Europa é o principal parceiro da Ucrânia nesta luta contra o regime de Putin, contra estes agressores que chamamos de terroristas. Não só contra Ucrânia, mas também contra países europeus”, declarou aos jornalistas.
Este sábado, 9 de maio, Dia da Europa, é assinalado na Rússia como o dia da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazi, na Segunda Guerra Mundial, com o tradicional desfile militar. Vladimir Putin afirmou que a Rússia está pronta para superar quaisquer provações porque a causa "é justa", e assegurou que “o triunfo estará sempre do lado de Moscovo”.
Na leitura de Pavlo Sadokha, o desfile militar deste 9 de maio “foi mais fraco e demonstrou toda a fraqueza do regime de Putin”.
“Nós, ucranianos, não lhe chamamos marcha da vitória, mas 'marcha da vergonha'. Hoje, numa cidade russa, saíram à rua mulheres cujos maridos perderam a vida nesta guerra na Ucrânia. Pergunto, qual é a vitória disto? Na realidade, Putin mostrou-se hoje muito fraco”, afirmou.
Quanto à trégua de três dias anunciada para o período de 9 a 11 de maio, de Pavlo Sadokha diz que os ucranianos têm razões para desconfiar do cumprimento integral do cessar-fogo, por parte da Rússia.
“Os ucranianos não podem acreditar nem numa palavra de Putin. Ele já quebrou todos os acordos que foram feitos, desde que 2014, quando começou esta guerra. Sabemos que para a propaganda de Putin era muito importante neste dia. Se ele quisesse acabar com esta guerra e resolver a situação pela via diplomática, fazia-o. Acho que Putin quer ir até ao fim. Ele não vai parar. Ou cai a Rússia, ou então ele vai conseguir os seus objetivos e será catastrófico não só para a Ucrânia, mas também para toda a Europa”, apontou.
O grupo de manifestantes, desta tarde, em Lisboa, juntou várias gerações de ucranianos. De entre os mais jovens estava Akim Kononets, de 13 anos. Nasceu na região ocupada de Donetsk e vive há quatro anos EM Portugal.
Em declarações à Renascença, diz que lamenta não poder regressar ao seu país de origem. Os relatos eles recebem ainda não o permitem.
“Tenho muitas saudades da Ucrânia, mas agora não vou conseguir voltar, em especial para a minha cidade, que é a dez quilómetros da fronteira. É bombardeada todos os dias. Não há mercados nem supermercados. A situação é muito má. Não há nenhum lugar seguro.”
Akim Kononets, um dos muitos ucranianos a viver em Portugal, diz que só espera que a guerra termine depressa.










