Ensino Superior
Politécnicos vão virar universidades? Os casos de sucesso na Europa que Portugal quer seguir
19 mai, 2026 - 06:00 • Diogo Camilo
O Governo quer transformar o Politécnico do Porto na Universidade Técnica do Porto, inspirado no sucesso das Fachhochschule alemãs. Em Portugal, os politécnicos continuam muitas vezes a ser vistos como instituições de “segunda classe”, mas pela Europa há exemplos de escolas técnicas entre as mais prestigiadas do mundo.
O programa do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) inclui tornar os politécnicos de Leiria e Porto na Universidade de Leiria e do Oeste e na Universidade Técnica do Porto, mas a ideia não está a cair bem entre reitores, alunos e até entre presidentes de alguns politécnicos.
Lá fora, a barreira entre universidades e politécnicos não é tão grande como em Portugal e há exemplos de escolas com uma maior abordagem na formação técnica e prática dos alunos que têm maior prestígio do que as instituições com abordagem mais teórica.
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Na base das alterações que foram aprovadas esta sexta-feira para um novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), que foi aprovada com votos a favor de PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS, o Governo dá como exemplos Espanha e Irlanda.
Ao contrário de Portugal, em Espanha não existe uma distinção jurídica formal que separe os termos "universidade" e "politécnico", com todas as instituições a poder conferir os graus de licenciatura, mestrado e doutoramento.
Segundo o Center for World University Rankings (CWUR), as universidades politécnicas da Catalunha, de Madrid e de Valência estão entre as melhores de Espanha e da Europa, integrando o top-1000 da lista das principais instituições — à frente de quase todas as universidades portuguesas.
Na Irlanda, o outro país que consta da nota técnica elaborada pelo Governo, a legislação sobre o ensino superior mudou em 2018, com a maioria dos chamados institutos de tecnologia a tornar-se universidades tecnológicas: as instituições mantiveram a sua abordagem que privilegia a prática, mas passaram a ter poder para conferir os próprios doutoramentos.
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Suíça e Alemanha, dois exemplos de sucesso
São muitos os casos pela Europa fora onde os politécnicos — ou o equivalente aos politécnicos em Portugal — conferem graus de doutoramento e têm prestígio igual ou maior que algumas universidades.
A Suíça e a Alemanha são os melhores exemplos, onde as escolas de ensino superior mais viradas para a vertente prática são das mais cotadas a nível académico.
A École Polytechnique Fédérale em Lausanne é considerada uma das melhores universidades suíças, segundo o CWUR, e a alma mater de um Nobel: Jacques Dubochet foi galardoado com a distinção em Química (2017) pelo desenvolvimento da microscopia de biomoléculas em alta resolução.
Por terras germânicas, as Fachhochschule são um sucesso e o maior deles é o da Universidade Técnica de Munique, onde 17 laureados com o Prémio Nobel estudaram, deram aulas ou fizeram investigação, incluindo Wolfgang Paul na Física (1989), Hans Fischer na Química (1930) ou Konrad Emil Bloch na Medicina (1964). Entre as 50 melhores universidades alemãs no ranking da CWUR estão seis instituições técnicas.
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Na Noruega e nos Países Baixos, as høgskole e as hogeschool têm programas especializados que incluem doutoramento, tal como as högskola na Suécia ou as augstskola na Letónia. Há ainda os exemplos da Grécia, Bulgária ou Malta, que colocam os politécnicos ao lado das universidades, segundo a plataforma europeia Eurydice.
Outros países, como Croácia, Macedónia, Luxemburgo ou Estónia têm estruturas semelhantes, em que é possível realizar uma licenciatura ou mestrado mais prático num politécnico ou instituição de ensino superior equivalente.
Há ainda países como Espanha, Itália ou Irlanda, onde os politécnicos passaram a ser equiparados a universidades.










