🌡️ Calor em Portugal: como sobreviver sem virar frango assado?

26 mai, 2026 - 13:00 • Olímpia Mairos

Do pijama congelado ao balde de gelo: a Renascença oferece-lhe o guia mais divertido para sobreviver ao calor.

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Portugal entrou oficialmente naquela altura do ano em que sair à rua parece abrir a porta de um forno industrial. O chão aquece, os carros transformam-se em churrasqueiras móveis e até o comando da televisão já queima as mãos. Com temperaturas acima dos 35 graus em várias zonas do país, sobreviver ao calor tornou-se quase um desporto radical. E o pior ainda está para vir: nos próximos dias, os termómetros podem aproximar-se dos 38 graus em várias regiões, transformando tarefas simples — como dormir, cozinhar ou entrar no carro — em verdadeiras provas de resistência.

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A Direção-Geral da Saúde deixa vários conselhos importantes, mas há também aqueles truques improvisados de verão que passam de geração em geração e que, apesar de parecerem completamente absurdos, acabam por funcionar. Entre ventoinhas transformadas em ar condicionado artesanal, garrafas congeladas abraçadas ao peito, e a eterna luta pelas sombras na rua, a Renascença oferece-lhe um explicador com sugestões para enfrentar esta onda de calor sem perder a cabeça… nem derreter no sofá.


Porque é que este calor é tão perigoso?

Porque o corpo humano não foi feito para funcionar em modo “frango no espeto”. As temperaturas muito elevadas podem provocar desidratação, cansaço extremo, dores de cabeça, náuseas, queimaduras solares e até insolação. O problema é ainda maior para crianças, idosos, grávidas e pessoas com doenças crónicas, já que o organismo tem mais dificuldade em regular a temperatura corporal. E não, dizer “sempre houve calor” não impede ninguém de desmaiar numa fila ao sol.


Beber água faz mesmo assim tanta diferença?

Faz toda a diferença. Quando está muito calor, o corpo perde líquidos rapidamente através da transpiração, mesmo que a pessoa nem se aperceba. Por isso, esperar pela sede já é chegar tarde. A melhor estratégia é ir bebendo água ao longo do dia, mesmo sem vontade. Já as bebidas alcoólicas, muito açucaradas ou cheias de cafeína são uma péssima ideia, porque ajudam mais à desidratação do que ao refrescamento. Traduzindo: naquele calor absurdo, uma cerveja gelada parece maravilhosa… até o corpo começar a reclamar.


Como manter a casa fresca sem ir à falência com a conta do ar condicionado?

Aqui entra a sabedoria popular portuguesa. De manhã cedo, quando o ar ainda está fresco, o truque é abrir tudo: janelas, portas, cortinas e persianas. Assim que o calor começa a apertar, fecha-se a fortaleza inteira como se viesse um ataque medieval do sol. Persianas fechadas durante as horas de maior calor fazem milagres. E há quem já tenha elevado isto a um nível profissional, vivendo praticamente numa “caverna premium” até ao fim da tarde.

Outra técnica muito usada é deixar as janelas abertas durante a noite para criar circulação de ar. Dormir com a casa completamente fechada depois de um dia de calor é basicamente aceitar viver dentro de uma torradeira gigante.

Dormir no calor é impossível. Há solução?

Há várias, embora algumas façam parecer que a pessoa perdeu completamente a cabeça. Uma das mais famosas é meter o pijama, a almofada ou até os lençóis no congelador durante alguns minutos antes de dormir. Parece ridículo? Sim. Funciona? Também. Os primeiros segundos são praticamente uma experiência inesquecível.

Outra técnica clássica é colocar uma ventoinha virada para um balde com gelo ou garrafas congeladas. Não transforma a sala num hotel de luxo com ar condicionado central, mas cria uma brisa fresca que ajuda bastante. É o chamado “ar condicionado da pobreza criativa”.

Há ainda quem durma abraçado a uma garrafa de água congelada como se fosse um ursinho de peluche. E honestamente? Em noites de 30 graus, ninguém julga ninguém.


Existem truques rápidos para baixar a sensação de calor?

Existem e alguns são surpreendentemente eficazes. Passar água fria nos pulsos, no pescoço, atrás dos joelhos ou nos tornozelos ajuda o corpo a arrefecer mais depressa. Uma toalha húmida fria nos ombros ou nas pernas também funciona maravilhosamente bem, mesmo que a pessoa fique com aspeto de quem desistiu da vida.

Outra técnica simples é molhar ligeiramente meias ou uma t-shirt e deixá-las alguns minutos no congelador. Parece comportamento de alguém em colapso psicológico, mas no calor extremo começa-se a perceber que a genialidade e o desespero andam muito próximos.


Tomar banho várias vezes ao dia ajuda?

Ajuda muito. Seja no chuveiro, na praia, na piscina ou até com a mangueira do quintal, a água torna-se praticamente um direito humano fundamental nestes dias. Um banho rápido antes de sair de casa e outro ao regressar ajuda o corpo a estabilizar a temperatura e reduz aquela sensação de estar constantemente a derreter.

E há um detalhe importante: um banho fresco antes de dormir pode fazer mais pela qualidade do sono do que passar duas horas a lutar contra os lençóis numa cama quente.

Que roupa se deve usar?

Nestes dias, o objetivo não é parecer elegante; é sobreviver. Roupa larga, leve e de cores claras ajuda muito mais do que andar vestido de preto da cabeça aos pés como se fosse inverno em Londres. Chapéus, óculos de sol e tecidos frescos fazem diferença, especialmente para quem precisa de andar na rua.

E sim, a sombrinha portátil já deixou de ser coisa de avó. Neste momento é praticamente equipamento de sobrevivência urbana.


É má ideia sair à rua nas horas de maior calor?

Completamente. Entre as 11h e as 17h, o sol está num nível de agressividade que transforma qualquer caminhada numa experiência dolorosa. Se puder evitar sair, melhor. Se tiver mesmo de ir para a rua, procure sombra, caminhe devagar e faça pausas.

Aliás, recuperar a técnica ancestral de “sentar cinco minutos debaixo de uma árvore sem fazer absolutamente nada” talvez seja uma das decisões mais inteligentes do verão.


O que comer nestes dias?

O corpo pede coisas leves e frescas. Fruta, saladas, legumes e refeições menos pesadas ajudam bastante mais do que pratos gigantescos e super quentes. Porque convenhamos: comer feijoada, ou uma boa posta de vitela mirandesa, às duas da tarde com mais de 35 graus é praticamente desafiar as leis da física e da sobrevivência humana ao mesmo tempo.

Melancia, melão, água fresca e sumos naturais tornam a vida muito mais suportável quando até respirar parece dar trabalho.


Porque é que nunca se deve deixar alguém dentro do carro?

Porque um carro estacionado ao sol aquece de forma assustadoramente rápida. Em poucos minutos, transforma-se numa autêntica sauna mortal. Crianças, idosos e animais nunca devem ficar lá dentro, nem “só um bocadinho”, nem “com a janela aberta”, nem “é só ir ali”. O calor dentro de uma viatura sobe tão depressa que aquilo que parece uma distração pequena pode tornar-se muito perigoso.


Como perceber que o calor já está a fazer mal?

O corpo normalmente avisa. Tonturas, dores de cabeça, náuseas, sensação de fraqueza, febre ou pulsação acelerada são sinais de alerta. Nessa altura, o melhor é procurar imediatamente um local fresco, beber água e tentar arrefecer o corpo. Se os sintomas forem fortes ou persistentes, é importante procurar ajuda médica.

Porque há uma grande diferença entre “está calor” e “o meu corpo está oficialmente em greve”.


Qual é o melhor conselho para enfrentar esta onda de calor?

Aceitar que ninguém funciona normalmente com mais de 35 graus à sombra. Nestes dias, a produtividade baixa, a paciência desaparece e toda a gente sonha viver dentro de um frigorífico.

Por isso, hidrate-se, procure sombra, feche as persianas, tome banhos frescos, abuse da ventoinha, coma um gelado sem culpa e, se for preciso, abrace uma garrafa congelada enquanto vê televisão. O importante é sobreviver ao verão português sem entrar em combustão espontânea.

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