reportagem

​40 pessoas num armazém quase incógnito. Os bastidores da digitalização dos exames

06 jul, 2026 - 18:53 • Cristina Nascimento

Ministério da Educação assegura que não há exames perdidos e que a qualquer altura é possível, por exemplo, retificar uma digitalização. Assegura que o processo de digitalização é feito apenas com pessoas do Ministério da Educação, num ambiente controlado e em segurança.

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Nada faz adivinhar o que se passa naquele espaço.

Entre Lisboa e Sintra, num armazém em Mem Martins, dezenas de pessoas trabalharam dia e noite para garantir que os cerca de 300 mil exames nacionais do 11.º e 12º anos chegam, por via digital, aos professores classificadores.

O dia de hoje é diferente naquelas instalações — que já pertenceram ao extinto Editorial do Ministério da Educação e Ciência. Pela primeira vez, um grupo de jornalistas vai conhecer o local para onde foram encaminhados todos os exames feitos no continente (a Madeira e os Açores têm mini-centros de digitalização).

A visita, com regras de segurança e sigilo bem definidas, é acompanhada pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre, e pelo secretário de estado adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, duas presenças recorrentes no espaço. O presidente do EduQa também está presente.

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Esta segunda-feira, 6 de julho, milhões de páginas já foram digitalizadas. Milhões não é exagero. As 300 mil provas desdobram-se em milhões de folhas. “Um exame de Matemática tem 16 folhas, mais ou menos”, estima o presidente do EduQa. Ora, fazendo as contas (como alguém recomendava), dá mais de quatro milhões de folhas.

Os exames chegam a Mem Martins transportados pelas forças de segurança. Vêm organizados e catalogados para se saber a sua origem, mas depois têm de ser preparados para a digitalização. Desde o dia 16 de junho, data do exame de português, o primeiro do calendário, cerca de 40 pessoas, essencialmente professores, ali estiveram, sete dias por semana, das 8h00 às 22h00.

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Cada aparelho de digitalização custa 3 mil euros

Ao longo de várias salas, são visíveis os aparelhos de digitalização. “Parecem domésticos, mas não são”, garante aos jornalistas Luis Santos, presidente do EduQa. “Não são de uso industrial, mas são profissionais, cada um custou três mil euros”, diz, esclarecendo que foram adquiridos com verbas do PRR para a avaliação digital.

“Comprámos 70 e poucos, mas não usámos todos, comprámos uns a mais, caso existisse algum problema”, diz, enquanto mostra salas agora vazias, pois o essencial dessa fase de trabalho, por agora, está feito.

No andar de baixo, por onde começámos a visita, estão os exames devidamente acondicionados. Faz lembrar o armazém de uma conhecida marca de móveis. Corredores assinalados com números, milhares de envelopes espalhados por prateleiras, divididos por zonas do país.

“Os exames estão todos aqui”

“Os exames estão todos aqui”, assegura o ministro, lembrando que este é um espaço controlado, “com segurança e vídeo vigilância”. Quanto a quem esteve de serviço, foram essencialmente professores do Júri Nacional de Exames, e às vezes colaboradores do EduQa, quando foi necessário reforçar as equipas.

Quando são reportados problemas com a digitalização, rapidamente alcança-se o devido envelope, o exame em questão, repete-se o processo e segue-se para a plataforma que depois faz chegar os itens aos professores classificadores.

A visita encaminha-se para o final. Ministro, secretário de Estado e o grupo de jornalistas cruzam-se com os professores que rumam a uma cantina desativada para aquecerem os almoços que trazem de casa.

Numa nota histórica, o presidente da EduQa remata a visita. “Isto nunca tinha sido mostrado”, diz, apontando para as máquinas que, até ao ano passado, imprimiam os exames. Este ano já foram impressos pela Imprensa Nacional da Casa da Moeda.

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  • Maria Monteiro
    07 jul, 2026 Figueira da Foz 15:01
    É esta a imagem da inovação tecnológica na educação! Simplesmente assustador!

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