Exames nacionais
Todos os alunos terão acesso aos seus exames nacionais digitalizados, diz ministro da Educação
06 jul, 2026 - 13:49 • Ana Kotowicz , Cristina Nascimento
Mesmo os alunos que não peçam revisão dos exames terão acesso a um link para consultar as suas provas, uma decisão que dará tranquilidade às famílias, acredita o ministro da Educação.
Todos os alunos que fizeram exames nacionais vão ter acesso às suas provas digitalizadas. A garantia foi dada esta segunda-feira à Renascença pelo ministro da Educação, que acredita que não será preciso voltar a mexer no calendário das provas. Mas há problemas que continuam por resolver.
"Quando forem publicadas as notas, no dia 17, os alunos poderão aceder à sua prova online, à prova que realizaram, consultar a prova, verificar que aquela prova que fizeram foi a prova que foi corrigida, e saber que classificações tiveram em cada um dos itens da sua prova", disse o ministro da Educação.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Para ter acesso ao documento, explicou, não será preciso pedir a revisão dos exames — situação que acontece quando os estudantes acreditam que a prova foi mal classificada. O exame poderá ser consultado através de um link e o processo será gratuito.
Além disso, as próprias provas em papel serão devolvidas aos agrupamentos de escolas. No total, foram feitos mais de 300 mil exames (307.720) nesta primeira fase.
A semana passada, a tutela foi obrigada a mexer nas datas dos exames, depois de Fernando Alexandre ter resistido por várias vezes a fazê-lo. Assim, a segunda fase começa a 21 de julho, uma terça-feira, e termina a 24 de julho. As notas dessa fase serão divulgadas a 7 de agosto, as da primeira fase a 17 de julho.
No entanto, já há quem peça alargamento das datas. O movimento de professores Missão Escola Pública pediu adiamento da segunda fase para setembro (como na pandemia de Covid-19), enquanto que a Confap, confederação de associações de pais, sugeriu a criação de uma terceira fase.
Exames. Ministério da Educação confirma suspensão de plataforma por "risco de vulnerabilidade"
Foi identificada uma "vulnerabilidade" no sistema (...)
Ver os exames "tranquiliza" famílias
Poder ver os exames, no link a que todos os alunos terão acesso, irá ajudar as famílias a viver esta fase com mais tranquilidade: "Dessa forma, garantimos a confiança — que é essencial num processo de avaliação externa, como o dos exames nacionais", acredita Fernando Alexandre.
Apesar disso, o cerco político à sua volta fecha-se. Depois das críticas dos professores, também no Parlamento se levantam vozes contra o processo dos exames. O PS quer um pedido de desculpas público endereçado às famílias. O Bloco de Esquerda já pediu uma comissão de inquérito parlamentar e Hugo Soares, líder da bancada laranja, garante que o PSD a viabilizará.
Clique para ouvir o áudio com as declarações do ministro de Educação


"Todo este processo foi conduzido com entidades do Ministério da Educação", diz Fernando Alexandre
Cada aluno terá um link para ver a prova
Segundo Fernando Alexandre, os estudantes terão acesso a um link através do qual poderão consultar a digitalização dos seus exames. Aí, poderão conferir que tudo está correto: que a prova foi bem digitalizada, que reconhecem a sua caligrafia, e ver de que forma foram avaliados.
Com esta alteração ao processo, o ministro da Educação acredita que será dada tranquilidade às famílias, numa altura em que os problemas associados à digitalização dos exames e à sua avaliação são constantes.
Os professores avaliadores têm relatado, por exemplo, que recebem provas com caligrafia diferente — o que leva a crer que serão de alunos diferentes —, têm reportado problemas em gravar o trabalho de avaliação, e há ainda quem indique que recebeu exames para corrigir de disciplinas para as quais não tem competência para ser classificador.
Esta segunda-feira, por exemplo, a plataforma de classificação dos exames nacionais esteve indisponível, situação denunciada pelo movimento Missão Escola Pública e confirmada à Renascença pelo Ministério da Educação.
Segundo o ministro, foi identificado um "risco de vulnerabilidade" e, por precaução, foi decidido "suspender o funcionamento do sistema" até às 15h00 desta segunda-feira.
BE pede comissão de inquérito após "caos nunca antes verificado nos exames nacionais"
Bloco de Esquerda apresentou um pedido de constitu(...)
Famílias lesadas devem queixar-se
Depois de, na semana passada, ter considerado "imprudente" a decisão das famílias que marcaram férias para a época dos exames nacionais — cujo calendário foi alterado depois da acumulação de problemas —, a Renascença questionou o ministro sobre o que devem fazer os pais que se sentem lesados.
Há vários casos noticiados de quem teve de mudar férias e viagens, com perdas financeiras, e há várias petições a correr nesta altura, incluindo uma que pede a anulação dos exames.
"Acho que é preciso esperar pelas notas", começa por dizer o ministro Fernando Alexandre. "Depois das notas é que obviamente saberemos o efeito, mas obviamente se há alguma família que sinta que foi prejudicada — e que demonstre que foi efetivamente prejudicada por esta situação —, obviamente deve apresentar esta situação ao Estado português."
Clique para ouvir o áudio com as declarações do ministro de Educação


"Estamos em condição de garantir rigor na avaliação", diz ministro da Educação
Apesar de todos os problemas, Fernando Alexandre mantém confiança de que o rigor será mantido e que a classificação digital — nunca a 100% — é para manter. "Continuo com a mesma motivação", assegura o titular da pasta da Educação.
"Não há nada mais importante do que melhorar o nosso sistema educativo", argumenta o ministro "Este passo no digital é apenas mais um dos passos muito importantes que temos de dar para modernizar o nosso sistema educativo. É um avanço para as condições de avaliação dos professores e também para a equidade com que as provas são avaliadas para os alunos."
De resto, assume que está numa posição onde tem de se sujeitar a alguma censura de quem olha o ministério de fora. "Obviamente, estando nesta posição, estamos expostos a críticas, mas também não estava à espera de outra coisa. Eu e a minha equipa continuamos muito motivados. O objetivo é que, no dia 17 de julho, tenhamos as classificações com o rigor e a transparência a que os portugueses estão habituados nos exames nacionais."












